sábado, 24 de janeiro de 2009

1000 livros

Assim como nas telas, a vida, para mim, sempre esteve nos livros. Principalmente neles.

Deitadas sobre a grama numa tarde fria com céu azul luminoso e sem nuvens, Gigi observava as pessoas e os outros cães que circulavam pelo parque e eu lia, ou melhor, degustava, uma edição da Vintage (cuja capa, por si só, já me deixa loucamente feliz) de Kafka a beira mar, romance do escritor japonês Haruki Murakami, quando deparei com um trecho em que o protagonista, um garoto de nome fictício Kafka, compara as sensações que tem em meio a uma multidão apressada numa estação de trem e aquela ocasionada, logo depois, numa biblioteca tranquila, pela leitura das Mil e uma noites. Ao fazer a comparação, ele diz mais ou menos o seguinte:

“Comparada àquela multidão de pessoas correndo pela estação de trem, estas histórias loucas e absurdas de milhares de anos atrás são, ao menos para mim, muito mais reais. Como isto é possível, eu não sei. É muito estranho.” (tradução livre)

Na hora tive aquele espasmo de surpresa e alegria que se tem quando se reconhece, num livro ou em qualquer outro lugar, uma idéia que já estava em você e que, de repente, expressa de maneira clara e irretocável, passa a ter a forma quase concreta das palavras.

A partir daí, sempre que pergunto a mim mesma por que preciso tão desesperadamente dos livros, me vem à mente a cena da estação de trem, tão parte do cotidiano desprovido de um sentido mais fundamental, e aquilo que se encontra nos bons livros, onde a vida parece adquirir mais intensidade e beleza.

Como não poderia deixar de ser, também adoro as listas de livros: os melhores já lidos, os que
eu preciso comprar, os que, adquiridos ou emprestados por algum amigo, já estão na fila de leitura, etc.

Para o meu deleite, a edição eletrônica do Guardian de ontem trouxe uma lista com os “1000 romances que todo mundo deve ler”, o que, claro, me levou a fazer listas dos que li e adorei, daqueles que estão na estante esperando para serem lidos, dos que estão na relação das próximas aquisições e daqueles até então para mim desconhecidos e pelos quais me interessei.

Delas, fica, como sugestão, a partir da “listona” do Guardian, a minha listinha, com livros que li e que recomendo:

  • A insustentável leveza do ser (Milan Kundera)
  • A montanha mágica (Thomas Mann)
  • Admirável mundo novo (Aldous Huxley)
  • Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll)
  • Alta fidelidade (Nick Hornby)
  • As ligações perigosas (Choderlos de Laclos)
  • Cândido ou o otimismo (Voltaire)
  • Cem anos de solidão (Grabriel Garcia Márquez)
  • Crime e castigo (Fiódor Dostoiévski)
  • Dom Casmurro (Machado de Assis)
  • Ensaio sobre a cegueira (José Saramago)
  • Eugénie Grandet (Honoré de Balzac)
  • Fim de caso (Graham Greene)
  • Frankenstein (Mary Shelley)
  • Grande sertão – veredas (João Guimarães Rosa)
  • Grandes esperanças (Charles Dickens)
  • Madame Bovary (Gustave Flaubert)
  • Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
  • O amante (Marguerite Duras)
  • O amor nos tempos do cólera (Grabriel Garcia Márquez)
  • O caçador de pipas (Khaled Rosseini)
  • O estranho caso do cachorro morto (Mark Haddon)
  • O lobo da estepe (Hermann Hesse)
  • O nome da rosa (Umberto Eco)
  • O pequeno príncipe (Antoine de Sainte-Exupéry)
  • O perfume – a história de um assassino (Patrick Süskind)
  • O processo (Franz Kafka)
  • O retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)
  • Os irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévski)
  • Os sofrimentos do jovem Werther (Johann Wolfgang Goethe)

P.S. Para consultar a lista do Guardian, dividida em war & travel, science fiction & fantasy, state of the Nation, family & self, comedy, crime e love, acesse http://www.guardian.co.uk/books/series/1000novels.

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