sábado, 19 de novembro de 2011

Escola de Bicicleta

Recentemente, no 10° Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura, tive o prazer de conhecer Arturo Alcorta e saber um pouquinho sobre sua Escola de Bicicleta, até então desconhecida para mim. 

Ao voltar, cheia de histórias felizes, minha mãe, acredito que contagiada pela minha vibração, mais uma vez disse ter vontade de aprender a andar de bike, para poder participar um pouco desse universo tão amplo e interessante que é o da bicicleta.

Pois bem, após colocar tudo o que eu posso oferecer para ajudá-la à sua disposição, lembrei da escola do Arturo e fui dar uma olhadinha no site. Logo de cara, encontrei todas as informações que minha mãe ou qualquer outro ciclista iniciante precisam, dispostas de maneira prática e didática, em capítulos!

Passei a dica do site pra Mirian (a mãe em questão, que disse já ter começado a ler as instruções) e espero que em breve nós duas possamos fazer uma aulinha (seguindo as dicas da Escola de Bicicleta e começando a ensiná-la com a minha bike, de tamanho ideal para mim e para ela e bastante confortável). :)

Aproveito e deixo para você, eventual leitor destes pensamentos inadequados que esteja com vontade de aprender a pedalar ou de voltar a fazê-lo e que não esteja muito certo de como começar/recomeçar, a dica da super bacana Escola de Bicicleta. Boas pedaladas!!

P.S.: Andar de bicicleta, em mim, causa muitas sensações legais; a mais intensa, contudo, pode ser resumida numa palavrinha que talvez seja a maior das aspirações humanas e, certamente, a mais difícil de ser conquistada: liberdade. "Só" isso, garanto, vale o esforço de aprender a pedalar e de sair por aí numa bike. :)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Salvador

O carnaval está aí e, para quem gosta da festa, acredito que não seja possível passar por ela sem pensar em Salvador.

Embora eu não seja fã da folia, resolvi aproveitar para dar algumas dicas legaizinhas sobre Salvador, onde eu e o Paulo estivemos em meados do ano passado.

Durante anos a fio, Salvador esteve na minha listinha de cidades a visitar sem que eu tomasse uma atitude. Passagem comprada, esperava encontrar mais ou menos o que encontrei, mas com atenuantes. O fato é que, embora tenha curtido a trip, fiquei um pouco desapontada com o abandono da cidade.

Salvador é bonita sim, tem uma energia interessante e vale muito a pena ser visitada, especialmente por questões históricas; porém, lugares como o Pelourinho e arredores, por exemplo, me deixaram meio cabreira.

Por falar em Pelourinho, como se sentir bem num lugar onde há policiais de guarda nas esquinas, demarcando a área de circulação das pessoas e, implícita ou explicitamente, indicando aonde é seguro andar? Numa boa, achei esquisitíssimo...

Isso sem falar na energia. No meu caso, andei, vi, ouvi e.... beleza, já está ótimo! 'Bora tomar uma cerveja em outro lugar! Fui voluntariamente expelida do local, como se eu tivesse hora marcada pra sair de lá. Respeitei o horário e vazamos!

Mas Salvador, claro, não é só o Pelourinho e o lance é dar um rolê geral pela cidade. Dois dias, para mim, foram suficientes e os pontos altos do passeio ficam aqui, como dicas para você aproveitar:

Inesquecível e imperdível: Solar do Unhão, onde está situado o Museu de Arte Moderna da Bahia. Fundamental: reserve um tempo para se deliciar no Parque das Esculturas e para se embasbacar com o magnífico painél do Carybé.

Adorei e queria muito que essa delícia viesse parar aqui em Sampa: o sorvete de nata-goiaba da sorveteria A Cubana.

Programa de fim de tarde obrigatório: tomar uma cervejinha no Mercado Modelo, curtindo o visual da Baía de Todos os Santos.

Programa noturno igualmente obrigatório: tomar cervejinha saboreando uma panelada de lambreta num bom boteco. 

Finalmente, para estabelecer sua base turística, recomendo fortemente a Barra: hostels, pousadas, hotéis, restaurantes, botecos, ônibus fácil para todos os lados e o Museu Náutico da Bahia, lugar especialíssimo e que merece a visita. Só pra constar: achei o valor da hospedagem, em geral, bem caro. Acabamos optando pela Pousada Azul que, apesar da boa localização e de ser razoável, não chegava a valer o que custava.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pelos caminhos de nuestra América: uma pedalada poética pelos confins do continente

A choradeira começou com força ontem, quando, numa rede do meu adorado Recanto Lumiar, eu acompanhava os últimos dias de pedal do Rafael Limaverde, os quais vinham sendo narrados no sábio e divertido Pelos caminhos de nuestra América: uma pedalada poética pelos confins do continente, e terminou há pouco, quando, na última linha da viagem do Rafael, com os olhos cheios de água, eu já não podia mais enxergar o que estava escrito.

Foi impossível não me emocionar com as reflexões finais registradas no livro, quando, depois de um baita rolê de bicicleta pela América Latina (Brasil, Guiana, Venezuela, Cuba, México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Uruguai), Rafael chega novamente ao Brasil.

Em Pelos caminhos de nuestra América o autor, que é artista plástico, teve a delicadeza de dividir, em prosa e poesia, um pouco do que viu, sentiu, ouviu, pensou, sonhou e viveu durante suas pedaladas pelos países que você vê listados no parágrafo aí de cima. Ler o relato do Rafael é aprender um pouco mais sobre a América Latina e, no meu caso, ficar com os olhos marejados ao deparar com reflexões como as intituladas "Doidice..." e "Tristes cidades", as quais, para mim, nada mais são que espelhos dos meus próprios sentimentos. 

Mas nem só de altas emoções fala o Rafael; pelo contrário: o texto, em forma de diário, é engraçado, leve, sincero (depois de ter recentemente feito minha primeira viagem mais longa de bicicleta, sei que, por mais que você goste da coisa, em alguns momentos não tem como não ficar com o saco na lua por causa de um vento contra persistente ou de um sol escaldante atazanando o juízo) e permeado for fotografias e ilustrações bacanas feitas pelo próprio autor.

Aliás, para ver fotos da viagem, acesse o Bicicleta pelo Mundo. Lá, de lambuja, você pode ouvir uma entrevista bem legal (e esclarecedora) com o autor e, quem sabe, depois dela, não se anima a sair por aí de bicicleta? :)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pousada Sonho Meu ou Foz do Iguaçu: onde ficar

Parque Nacional do Iguaçu/Foto: Pepê Esteves

Demorei mas não esqueci e, como prometido há alguns meses aqui, este post é para registrar minha dica de hospedagem para quem vai a Foz do Iguaçu.

No final de 2009, quando eu e o Paulo saímos de Extrema, MG, para dar um rolê de carro e de bike pela América do Sul (o roteiro completo você confere aqui), fizemos nossa primeira parada estratégica em Foz do Iguaçu; além de parar para descansar dos muitos quilômetros rodados naquele início de viagem, ficamos em Foz por um ou dois dias para ir ao Parque Nacional do Iguaçu e nos maravilhar com as impressionantes Cataratas do Iguaçu. (Perto delas, as Cataratas do Niágara, que visitei há muitos anos, acabaram se transformando, na minha memória, em pequenas quedas d´água...)

Ao chegar na cidade, demos uma fuçada no Lonely Planet Brazil e fomos a uns dois hotéis indicados pelo guia. Não muito felizes com as tarifas que estavam sendo cobradas, decidimos andar um pouco mais pela cidade para tentar encontrar a Pousada Sonho Meu, também recomendada pelo guia. Achamos e, sinceramente, nos demos bem: excelente preço, estacionamento grande e descoberto com portão de entrada idem (o que significava que não teríamos que tirar as bikes de cima do carro), piscininha, ambiente agradável, quarto amplo com aparelhagem de ar condicionado e TV modernos, bom café da manhã, enfim, mal dava pra acreditar no que estava sendo oferecido pelo preço cobrado. (Lembre-se: em cidades turísticas como Foz, a regra, no quesito hospedagem, é ser meio explorado.)

Bom começo pra nossa viagem, que, como uma boa trip on the road, teve diversos altos e baixos. A Pousada Sonho Meu e o Parque Nacional do Iguaçu, claro, entraram para a lista dos "altos". :) Vale a pena conferir!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

De carro e de bike pela América do Sul: 2009/2010 - fotos para o Michel

O Michel, leitor do blog, pergunta, aqui, se eu tenho fotos da trip de carro e de bike pelo Brasil, Chile e Argentina (que rolou no final de 2009 e começo de 2010) postadas em algum lugar. 

Além das que estão no blog, Michel, não há outras por aí; de qualquer forma, separei algumas das minhas preferidas para este post. :)

Espero que você curta! 

Puerto Varas, Chile

Puerto Varas, Chile

Saltos del Petrohué, Chile

Mendoza, Argentina

 
Trecho do caminho

Villa la Angostura, Argentina

Frutillar, Chile


Flores do caminho

Trecho do percurso San Carlos de Bariloche - Neuquén

Fotos: Camila Guido e Pepê Esteves.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Música de Brinquedo


A trilha sonora do passeio das meninas, Gigi e Luz, de hoje, vale uma notinha: impossível ouvir a garotada berrando Live and Let Die e não sair por aí sorrindo. :)

Destaque total, também, para as regravações de Todos Estão Surdos, Twiggy Twiggy e My Girl.

Mais sobre essa brincadeira, aqui.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sweet Lucy


O nome dela é Luz, mas, numa alusão óbvia à Lucy in the Sky with Diamonds, a linda e louca (mais ou menos como a própria Luz) música dos Beatles, começamos a chamá-la de Lucy e não paramos mais.

Apesar do excesso de doçura, seu tamanho desperta a atenção e provoca medo naqueles que não estão muito habituados ao convívio com seres da sua espécie. Nessa hora, o negro aveludado que recobre seu corpo não ajuda a amenizar o impacto e reforça ainda mais o susto dos humanos medrosos.

Aos felizardos que dela se aproximam, oferece lambidas e se deixa acariciar por horas a fio; delicada e ao mesmo tempo tresloucada, dá mil beijinhos na Gigi - em quem, por vezes, acomoda a cabeçorra enquanto dorme durante as viagens de carro -, talvez para se desculpar pelos momentos em que, desajeitada, a aperta contra a parede do elevador ou a empurra sem a menor cerimônia.

Em meio à natureza, enquanto abre caminho nas trilhas ou corre pelo gramado do Recanto Lumiar, Lucy é altiva e destemida, mas, ao entrar em contato com o ambiente urbano, torna-se confusa e medrosa.

Por essas e outras, apesar da saudade e da preocupação que sentíamos, achávamos que o melhor era deixá-la onde estava, longe da cidade e de nós mas perto da natureza e com espaço de sobra para correr e brincar. Grande engano!

Há dois meses, enquanto arquitetávamos as viagens das férias de julho, Lucy adoeceu e, no final da história, o veredicto do veterinário foi basicamente o seguinte: ou ela vive com vocês em São Paulo ou vão acabar sem ela. Opa, como assim? Mas e o medo que ela sente da cidade, e a liberdade da qual ela desfruta vivendo numa chácara? Passar alguns dias num apartamento, okay, mas, ficar a semana toda num espaço restrito, como vai ser para um cachorro do tamanho dela? E se alugarmos uma casa, será que resolve???

Foi assim que a Lucy, uma mistura de Flat-Coated Retriever com Golden Retriever, enorme e frágil, destemida e medrosa e quase enjoativa de tão doce veio parar no centro da cidade grande e, da mesma forma que o seu dono, no centro das nossas vidas, minha e da Gigi.

No começo, um pouco tensos e, no meu caso, angustiada, saímos à procura de casa para alugar, da ajuda de um adestrador e do que mais pudesse amenizar o medo e o suposto desconforto que a Lucy sentia por aqui. Nessas, os dias foram passando, nós (eu, principalmente), relaxando, e a Luz se adaptando. De repente, desviei o foco das minhas neuras e me dei conta de que ela estava ótima no apartamento; logo a seguir, encontramos, casualmente, uma adestradora calma, delicada e atenciosa, ou seja, tudo o que uma cachorra sensível como a Luz precisava!

Com dicas e exercícios simples, não só a Luz, mas eu e o Paulo também estamos sendo adestrados (e até a Gigi entrou na dança, já que costuma participar das aulas). Mais confiante, consigo controlar os surtos de pânico da Lucy e conduzi-la pelas ruas movimentadas sem ser arrastada. Já o espaço restrito do apartamento, acredite, nem sequer chegou a ser um problema, uma das razões pelas quais desencanamos da casa.

Depois de um primeiro semestre tumultuado, é com um sorriso de satisfação que digo que tudo vai bem. Família reunida, projetos e viagens rolando e a primavera chegando. Mas, perto do que diz a cara da Luz ao nos ver (em especial o Paulo, por quem ela nutre uma adoração alucinada) todos os dias, meu sorriso não é nada: mesmo longe das estrelas que enfeitam as noites do Recanto Lumiar, dá para perceber que ela está no céu.

P.S. O encantador de cães, livro de Cesar Millan, não é nenhuma maravilha literária, mas está me ajudando a sacar várias coisas e, consequentemente, melhorando a vida da Gigi e da Lucy. Recomendo!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Respirando (na Serra do Caparaó)

Como eu disse aqui, as férias chegaram e, depois de resolver algumas coisinhas que não podiam ser adiadas, partiremos amanhã, faça chuva ou faça sol, rumo à Serra do Caparaó, para uma pequena cicloviagem de três dias, que encerraremos (se o tempo colaborar) com um trekking no Pico da Bandeira, no quarto dia.

Começaremos o circuito traçado pelo Guilherme Cavallari no seu ótimo Guia de Trilhas enCICLOpédia (no caso, o de número 8) - que, a propósito, traz não só cicloviagens, mas também circuitos de um dia, perfeitos para os finais de semana - na cidade de Alto Caparaó (MG) e passaremos pelas cidades de Pequiá (ES), Dores do Rio Preto (ES), Espera Feliz (MG) e Caparaó (MG), para, de volta a Alto Caparaó, iniciarmos a subida do Pico da Bandeira.

Mesmo não sendo lá muito auspiciosa a previsão do tempo, não vejo a hora de pegar a(s) estrada(s) e encarar o sol, a chuva, a lama e o que mais vier pela frente. Tô precisando!

P.S.1 Fotos e relatos da viagem, claro, virão.

P.S.2 Pensamentos em elaboração, prestes a se manifestarem neste blog: o nosso rolê de bike por Mendoza e arredores e por Villa la Angostura, na Argentina, no final de 2009/início de 2010; impressões sobre Barcelona e sobre a dupla de cidades belgas, Gent e Antuérpia, e dica (da boa) de hospedagem em Foz do Iguaçu.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Diários de bicicleta


Inspirada pelo Paulo, retomei, no segundo semestre de 2009, uma paixão antiga que, desde a minha mudança para São Paulo, há mais de treze anos, eu havia, de maneira gradativa, abandonado: a bicicleta.

Empolgadíssima com as pedaladas e incentivada pela ótima companhia (não só do Paulo mas também de amigos como o Cacá, presença constante e indispensável para a alegria completa dos nossos rolês sobre duas rodas), comprei não uma, mas duas bicicletas!

A primeira, uma mountain bike devidamente equipada para cicloviagens que, atualmente, fica na casa da roça e, a segunda, uma bike dobrável que, além de poder ser transportada debaixo do braço, adequa-se perfeitamente ao espaço reduzido do nosso apartamento.

Aliás, foi com a minha pangaré, a bike dobrável que fica aqui em Sampa, que retomei os rolês de bicicleta por São Paulo, deixados de lado há alguns anos, quando fiquei com o saco na lua e um frio na barriga enorme em função do maldito trânsito desta cidade que, a propósito - e que não vem a ser nenhuma novidade -,  precisa urgentemente de uma mudança de atitude por parte de seus moradores e governantes (pelo amor de Deus, utilizar o transporte público, andar pelas ruas e interagir com o entorno, utilizar a bicicleta como meio de transporte e respeitar os ciclistas e o espaço a eles destinado, ter somente a quantidade de carros realmente necessária ao núcleo familiar, seja ele qual for, ou não tê-los, caso não haja necessidade, não é algo negativo ou desmerecedor, e sim extremamente positivo e, sem dúvida alguma, chique de morrer).

Durante esse processo de retomada do ciclismo, esbarrei no excelente, divertido e eclético Diários de bicicleta, livro do descolado e super dinâmico David Byrne, de quem, confesso, fiquei ainda mais fã.

O autor, que há décadas utiliza a bicicleta como meio de transporte, também tem uma bike dobrável que costuma corregar consigo durante suas viagens pelo mundo, sejam elas a trabalho ou pessoais. O livro, que a princípio pode soar como algo interessante apenas para ciclistas, trata de mil assuntos e é uma coletânea de anotações feitas por Byrne ao longo das suas viagens.

Em Diários de bicicleta, onde cada capítulo corresponde a uma cidade (Berlim, Buenos Aires, Istambul, Manila, Nova York e por aí vai), David Byrne expõe suas reflexões sobre planejamento urbano, artes plásticas, música, antropologia, arquitetura etc. de maneira lúcida, leve e inteligente, sem, necessariamente, focar em assuntos relacionados à bicicleta. Ou seja: você não precisa sequer saber pedalar para curtir o livro, para o qual a bike funciona mais como meio do que como fim.

Ficou curioso? Que tal, então, pegar sua bike e dar uma passadinha na livraria mais próxima? :)

P.S.1 Minha querida pangaré dobrável é uma DAHON Eco 3 que, apesar da suposta fragilidade (esse modelo é indicado somente para a cidade), segura super bem a onda e faz passeios de, por exemplo, trinta quilômetros por Sampa sem problemas. É, inclusive, excelente nas subidas. Se você ficou curioso e, quem sabe, a fim de comprar uma bicicleta dobrável, recomendo, em São Paulo, para compra e manutenção de DAHON, a Freecycle.

P.S.2 Quando se trata de bike em geral, a minha loja preferida na cidade é, de longe, a Sport Star, um paraíso repleto de acessórios, com uma galera alto astral e ótimo atendimento.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lago Titicaca - Ilhas Uros e Taquile

Continuando a arrumação iniciada aqui, volto ao Peru para falar um pouquinho sobre o Lago Titicaca, mais especificamente sobre a visita às Ilhas Uros e Taquile, que, seja pela beleza ou pelas especificidades do passeio, merece registro.

Foi de Puno que partiu o passeio que fizemos pelo Lago Titicaca e, para saber mais sobre onde ficar na cidade e a maneira pela qual contratamos o passeio (a não ser que eu esteja equivocada, não há outra forma de um turista navegar pelo lago, além da sua inserção em um dos muitos barcos excursionistas que partem diariamente para visitar as ilhas), clique aqui.


O rolê pelo Lago Titicaca começou com uma parada nas Ilhas Uros, construções feitas pelos nativos a partir da totora, uma espécie de junco que nasce no próprio lago. Ao chegar a uma das ilhazinhas (são várias, umas próximas às outras e cada uma com uma pequena comunidade), a recepção pelos nativos contou com uma demonstração, feita com o que eu denominaria de maquetes, da construção das ilhas. Também houve venda de artesanatos, pequena navegação em canoa (também feita com totora), canto etc.







Após cada demonstração, um pedido de contribuição em dinheiro acontecia.




De volta ao barco, rumamos para a Ilha Taquile. Lá, o lago se alarga e a paisagem muda, ficando ainda mais bonita. Naquele dia ensolarado e azul, o visual era de caixar o queixo.

A ilha, maravilhosa e natural, abriga uma população nativa que vive bastante isolada do continente. Como parte do passeio guiado, almoço na casa de uma família nativa, apresentação de dança, rolê pela praça e vamos que vamos, pois o barco tem que voltar. Mais uma vez, pedidos de contribuições rolaram sempre que possível.








De volta pra casa, ficou uma sensação estranha: que tipo de viagem é essa afinal? A presença dos turistas nessas comunidades isoladas é boa ou ruim? Como é evidente o acordo entre guias turísticos e comunidades locais, quem fica com a maior parte da grana? O turismo, nessas situações, traz benefícios econômicos à população nativa ou é só mais uma forma de exploração?

Ainda não consegui formular um pensamento objetivo a respeito do assunto e, a despeito da beleza do lugar, ficou, também, das Ilhas Uros e Taquile, a impressão de ter estado ali como uma espécide de intrusa.

A sensação de estranheza, aliás, veio logo após a visita, quando comentei com o Carlos que foi ótima a nossa decisão de não dormir em nenhuma das ilhas (é possível pernoitar nas ilhas, o que, em termos de conforto, desaconselho com relação às Ilhas Uros, pois imagino que a base de totora, permanentemente úmida, combinada ao frio do lugar, não propicie uma boa noite de sono), pois eu teria me sentido mal.

Sensibilidades e elucubrações à parte, o Lago Titicaca é um esplendor e, se você quer conhecê-lo, vá em frente. Antes, porém, prepare o bolso e o coração.

P.S.1 Este relato é baseado na viagem que fiz ao Peru em abril de 2009.

P.S.2 As fotos deste post, tiradas naquela ocasião, são minhas.

P.S.3 Mais sobre o Peru, aqui.