segunda-feira, 2 de abril de 2018

No embalo de outros jeitos de usar a boca ou deixando que os dedos falem

será que você pensou que eu fosse uma cidade
grande o suficiente pra passar o feriado
eu sou a cidadezinha ao redor dela
aquela que você talvez não conheça
mas sempre atravessa
aqui não tem luz de neon
nem arranha-céu ou estátua
mas não vai faltar trovoada
porque eu deixo as pontes trêmulas
eu não sou carne de vaca sou geleia feita em casa
firme o bastante pra cortar a coisa mais
doce que sua boca vai tocar

                  Rupi Kaur, Outros jeitos de usar a boca


Primeiro Ato

O indizível estava lá o tempo todo. Começou com um gesto forçado e um tropeço. Uma definição bruta do que se faz e algo tão potencialmente humano é atirado em meio ao movimento e às luzes como um excremento ao qual não se dá valor. O lugar da mesa junto a um respiro incômodo. Ruído. A cada gole o real se insere com mais força no discurso e revela trechos de um eu estranho ao personagem. O palco assume um cenário indistinto, dominado pela tensão daquilo que viria a ser. Incerteza que o último gesto realizado à mesa apenas reforça.

Intervalo, onde tudo se inscreve

Quando não se tem o registro de uma situação, você mal consegue encará-la nos olhos. 

Segundo Ato

A cortina volta a se abrir, só que dessa vez não há palco. A realidade despenca em meio à fusão dos personagens e o indizível se concretiza em atos. Crueldade é aquilo que se produz na ausência de compaixão.

Fim.

domingo, 25 de março de 2018

Porque a vida não é filme

"A vida não é filme
Você não entendeu
Ninguém foi ao seu quarto
quando escureceu
Saber o que passava
No seu coração
Se o que você fazia
era certo ou não"

                     Ska, Herbert Vianna 


Durante o primeiro ano do curso de Filosofia, a cujas aulas, naquele momento de choque inicial, eu assistia meio tonta de tanta adoração, ouvi de um professor que, para um determinado expoente da Filosofia Medieval, nós, seres humanos, éramos como que anjos caídos, desconectados da nossa outra metade (Deus, no caso), condição que nos fazia passar toda a vida em busca da parte que perdemos. Enquanto o professor, com seus modos gentis e a clareza que lhe eram característicos, falava e rabiscava a parte inferior da lousa, fazendo uma espécie de desenho indicativo da separação das partes e da dor dessa alienação, dei aquela congelada básica que acontece quando identificamos num discurso a explicação, em palavras e frases concatenadas de maneira lógica, de algo que até então era apenas sentido. Descongelei, olhei com toda a atenção para o rosto do professor, que continuava falando, e intuí, logo na sequência da revelação perturbadora da falta, que não só éramos seres incompletos como também que essa incompletude era algo praticamente irremediável, que nos perseguiria pela vida afora. Bateu uma tristeza que só chorando mesmo, e foi exatamente o que eu fiz. Quando dei por mim, estava tentando disfarçar o choro, enxugando as lágrimas como quem estava só dando aquela coçadinha nos olhos, fungando de leve para parecer que era só uma alergia etc. Só para você, querido leitor, entender melhor a situação: eu tinha vinte aninhos e estava ali, sentada numa sala lotada de gente mas me sentindo totalmente desamparada, intuindo que, ao contrário do que eu havia imaginado ao longo da minha infância feliz e da minha adolescência livre, leve e louca, a vida não seria assim tão fácil. Estranho seria não chorar, concorda?

Ainda nos idos do meu passado como estudante de Filosofia, numa noite até então despretensiosa, ouvi de outro professor (Franklin Leopoldo e Silva, suas aulas foram das melhores que tive na vida!) a explicitação da ideia da fissura da existência que precede a essência e do nada que permeia o ser. Novo congelamento, nova velha intuição: tanto a angústia que não raro me pegava de jeito e me virava do avesso como a náusea insuportável que eu vinha sentindo naquela época enquanto lia a famosa obra de mesmo nome (A náusea, de Jean-Paul Sartre) eram coisas, digamos, naturais e, mais uma vez, inexoráveis. Era e seria assim e pronto, para sempre. Dessa vez não chorei e confesso que fiquei até aliviada. Afinal, tudo bem eu morrer de enjoo enquanto lia um livro que tornava praticamente palpável a sensação do vazio de existir. Bizarro seria dar de cara com a angústia e não sentir nada no estômago, concorda novamente?

Muitos anos se passaram após os episódios iniciais da descoberta, introjetada por todas as células do meu ser, do vazio e da angústia de existir, ao longo dos quais busquei incessantemente não pela parte, mas pelas partes que faltavam em mim. Durante esse percurso ignorei, em razão de um inconformismo e de uma rebeldia inúteis que só se explicam pela imaturidade, o que hoje eu vejo como sendo a principal questão relacionada à falta, que é o fato pronto e acabado de que ela nunca deixará de existir, faça você o que fizer, esteja você com quem estiver, onde estiver, com quanto dinheiro conseguir. O que muda, na real, é simplesmente como você vai lidar com ela, e é bom, diga-se desde já, que seja da melhor maneira, pois ela será para sempre, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, a sua grande companheira.

Recentemente recebi o link de um vídeo cujo tema era justamente a falta. (Há alguns anos, aliás, a pessoa que me mandou esse link me disse que era como se houvesse um enorme buraco dentro dela, o que claramente lhe causava grande tristeza.) Pois bem, levei uns dias mas finalmente, num momento x, cliquei no link. O vídeo era uma leitura do livro infantil A parte que falta, e o seu nome, A falta que a falta faz. (JoutJout, tô viciada nos seus vídeos; quase morro de tão ótima que você é.) Gente, é o seguinte: sabe todo esse blá-blá-blá aí de cima? Tudo o que filósofos e psicanalistas disseram até hoje sobre a falta? Então, está tudo resumido e ao alcance do entendimento de uma criança no livrinho que eu acabei de mencionar e, como se não bastasse, a sensacional Júlia deu o toque final da perfeição da explicação no vídeo que ela fez. Sei que muita gente já viu esse vídeo, que ele deu uma viralizada e tal, mas sempre tem uma galera viajante como eu que alguém precisa dar um toque e falar, olha, vê lá tal coisa na internet porque é muito boa. Vejam o vídeo da JoutJout porque ele é fundamental para todos nós entendermos, de uma vez por todas, que a falta existe, está e estará aí para sempre e, pasmem, não necessariamente é algo ruim.

Claro que a falta é angustiante, mas pergunto o que seríamos nós sem ela. Se o homem é um ser desejante, não seria o desejo justamente o fruto da falta? Caso a falta nos faltasse, será que também não nos faltariam a arte em geral, as descobertas tecnológicas que nos deixam de queixo caído, os feitos atléticos surreais que tanto admiramos? Supondo, na hipótese da arte, que sem a falta Michelangelo ainda assim tivesse pintado o teto da Capela Sistina, será que, ao olhar para esse teto, no caso de um ser humano livre da falta, alguns de nós (os que já se emocionaram nessas circunstâncias) continuariam tendo o ímpeto de chorar diante da beleza? Por que, afinal de contas, não seria a identificação do belo um dos raros momentos, mesmo que fugazes, de preenchimento da falta? E amor, existiria sem a falta? Será que sem ela haveria compaixão? Para finalizar essa série de perguntas singelas, não seria a falta que permeia a nossa existência justamente aquilo que nos torna humanos?

Há poucos dias uma determinada pessoa me perguntou, de forma que posteriormente se revelou bastante leviana (infelizmente honestidade e profundidade são qualidades muito mal distribuídas entre nós, anjos caídos), o que me falta. Eu respondi que o que me falta é conexão, justamente porque, mais uma vez, eu estava desconsiderando o elemento essencial da falta, ou seja, a sua perenidade.

Contudo, desde que aprendi a suportar a angústia de viver, nada mais realmente me faltou. Quando ouvi daquela pessoa que mencionei mais acima sobre o enorme buraco que parecia haver dentro dela, desejei fortemente que ela deixasse de sentir a tristeza que ocupava o espaço do buraco, pois eu sabia que este, em si mesmo, jamais deixaria de existir. E pensei dessa forma porque por muitos anos a tristeza da falta me atormentou e me angustiou, até que percebi, de uma maneira que ia além do entendimento racional, que o pulo do gato não consistia em achar algo ou alguém para colocar no buraco da falta, nem jogar o que quer que fosse nele. O grande lance era simplesmente segurar a onda, respirar fundo e aceitar a angústia de viver. E desde então é assim que eu vivo e é assim que continuo buscando (porque, entenda, a busca faz parte da falta, que por sua vez será sua best friend para sempre e mesmo que você e o seu buraquinho se deem super bem, ele nunca vai deixar você quietinho e, de tempos em tempos, vai chamar você para algum rolê) não a melhor forma de eliminar a falta mas sim a melhor forma de viver com ela.

Muita coisa para um domingão? Sorry, mas quando o assunto é viver é isso aí mesmo, tem coisa que não acaba mais. O importante aqui é saber que, quando se trata da falta, a única saída (que na verdade não é uma saída) é olhar firme para ela e dizer: segura a sua onda aí, que eu seguro a minha aqui. E vamos que vamos. Afinal, a vida é tudo, menos filme com final feliz.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Elena Ferrante ou Uma história universal do feminino

Se eu pudesse escolher ser alguém além de mim mesma eu escolheria ser a Elena Ferrante.


Maravilhada é o adjetivo que melhor define a maneira como me senti lá pelas tantas páginas de A amiga genial, primeiro volume da chamada Série Napolitana (A amiga genial, História do novo sobrenome, História de quem foge e de quem fica e História da menina perdida) e meu primeiro contato com a escritora italiana de identidade misteriosa.

Enquanto lia A amiga genial eu me deslumbrava a todo momento com a qualidade da escrita e tentava lembrar quando tinha sido a última vez que um escritor havia me arrebatado de forma tão contundente.

Pensei em Lygia Fagundes Telles, Érico Veríssimo, Rosa Montero, João Guimarães Rosa, autores cujos tons pareciam pulular daquele texto que, não obstante a evocação inexplicável de vozes familiares, revelava a cada frase algo de inaudito, num encontro paradoxal entre o conforto gerado por aquilo que nos é conhecido e o frisson causado pelo contato com o desconhecido.

A amiga genial trazia à tona, com consistência e fluidez, personagens e contextos que de alguma forma já estavam em mim, entranhados talvez nas dobras do inconsciente.

Nos volumes seguintes da Série Napolitana a marca da escrita extraordinária de Elena Ferrante (seja ela quem for) foi ficando ainda mais profunda e a trajetória das duas amigas protagonistas dos romances, Lila e Lenu, acabou se entrelaçando à história política, social e econômica do mundo ocidental de forma tão natural que não pude deixar de notar o talento da autora para entremear acontecimentos ordinários da vida cotidiana com outros de alcance mais amplo e mais complexo.

Mas o que havia de mais fascinante na Série Napolitana era o sentido do feminino. Ao longo da trajetória de Lila e de Lenu pude enxergar a mim mesma, minha mãe, minhas avós, tias, primas, amigas e conhecidas, como se as vidas das duas personagens fossem espelhos que refletissem apenas as imagens essenciais daquilo que é existir como mulher. Embutida na história particular de Lila e de Lenu estava a história universal do feminino. 

História que aliás parece não poder ser inteiramente pensada sem que esteja associada a outra, tão antiga quanto infame: a do machismo.

Ainda que subjacente aos acontecimentos gerais e particulares que articulavam a trajetória das duas protagonistas da trama, o machismo saltava das páginas da Série Napolitana assim como no mundo real salta aos olhos de qualquer observador atento à dinâmica da vida em sociedade.

Se Elena Ferrante é de fato uma mulher eu não sei, mas não consigo imaginar como um homem poderia compreender em toda a sua inteireza o que significa existir sob a condição feminina num mundo como o nosso. A Série Napolitana dá boas pistas a esse respeito.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Canadá de trem

Estação de trem de Québec

Sabe aquele roteiro clássico de viagem pela costa leste do Canadá que inclui Toronto, Ottawa, Montréal e Québec? Pois bem, nos últimos meses de maio e junho fiz a experiência de percorrê-lo e posso garantir que, assim como quase todo clássico, este é uma ótima pedida.

Como de hábito coloquei em prática o bom e velho esquema mochilão e planejei toda a viagem de forma a não gastar os tufos. Eu estava muito a fim de viajar de trem entre as cidades mas, após algumas pesquisas, me conformei em fazê-lo de ônibus pois a princípio os preços das passagens rodoviárias eram menores.

Porém mais ou menos um mês antes de viajar percebi que havia uma categoria de bilhetes no site da VIA Rail Canada, a companhia responsável pela maior parte do transporte ferroviário interurbano de passageiros no país, que apresentava tarifas muito atrativas. Eram as tarifas escape, ainda mais baratas do que as economy e com preços similares aos cobrados pelas empresas rodoviárias.

Fiquei feliz da vida e resolvi comprar as passagens imediatamente mas, ao preencher o formulário de compra, logo empaquei no campo relacionado ao meu endereço de residência e ao do meu cartão de crédito. O fato é que somente pessoas e cartões de crédito residentes no Canadá ou nos Estados Unidos conseguem realizar a compra de bilhetes pelo site da VIA Rail. Minha empolgação havia durado pouco mas não estava de todo acabada.

Conversei com os amigos que iam me receber em Toronto e eles gentilmente providenciaram a compra das passagens pois o site da VIA Rail permite que o comprador indique terceiros como passageiros, ou seja, o titular da compra não precisa necessariamente ser o titular da passagem e a compra compreende a emissão de um bilhete eletrônico com o nome do passageiro e uma fatura com o nome do comprador.

Caso você não tenha parentes ou amigos morando no Canadá ou nos Estados Unidos parece ser possível adquirir os bilhetes de trem por meio de uma empresa que opera a VIA Rail aqui no Brasil. Encontrei o site por meio de pesquisas na internet mas nunca entrei em contato com eles.

Seja qual for a forma de aquisição das passagens fique atento pois cada categoria possui regras específicas, ou seja, escape, economy, economy plus, business e business plus têm critérios diferentes para reembolso, remarcação etc. Evidentemente as tarifas escape possuem as regras menos flexíveis.

Ao todo fiz cinco trechos utilizando trens e todas as viagens foram muito tranquilas: Toronto - Ottawa; Ottawa - Montréal; Montréal - Québec; Québec - Montréal e Montréal - Toronto. Os percursos mais bonitos foram os dois últimos, com muita água pelo caminho e um visual deslumbrante nas proximidades de Toronto onde, de tempos em tempos, o lago Ontário surgia na janela como um espelho d´água num horizonte infinito.

Tanto as estações quanto os trens possuem WiFi (oscila um pouco mas quebra bem o galho) e a estação mais distante do centro é a de Ottawa, mas nada que um ônibus que para praticamente na frente das portas que lhe dão acesso não resolva.

Em resumo, viajar de trem pela costa leste do Canadá foi tudo de bom; recomendo e pretendo repetir, quem sabe com um roteiro como este aqui. Até lá, vou curtindo as lembranças da viagem recente que ainda estão se sedimentando na memória. E você, pronto para comprar os seus bilhetes?

sábado, 29 de julho de 2017

Guido, ops, Gilmore Girls

Sempre que acessava a Netflix eu acabava notando com alguma curiosidade o título Gilmore Girls entre os tantos outros que haviam por ali mas foi somente quando li uma matéria que continha a lista de livros que Rory havia lido ao longo das várias temporadas da série que resolvi assisti-la. Afinal, que roteiro era aquele que incluía uma personagem que lia compulsivamente?

Logo após assistir aos primeiros episódios comentei com a minha mãe que estava gostando muito da série e poucos dias depois ela me contou que também havia começado a assistir Gilmore Girls. A partir daí deixamos os filmes temporariamente de lado e nos fins de semana em que estávamos juntas passamos a nos dedicar de forma quase compulsiva ao que agora chamávamos de "o nosso programinha".

Certa noite estávamos confortavelmente acomodadas em frente à televisão quando em razão de alguma cena muito característica simultaneamente exclamamos "Somos nós!". A semelhança entre mãe (Lorelai Gilmore) e filha (Rory Gilmore) fictícias e mãe e filha reais era tão grande que não pudemos deixar de comentar e, claro, de dar boas risadas.

O fato é que sou mesmo muito parecida com a Rory mas a Mirian é a Lorelai quase escrita e retratada.

Querida pelos meus amigos desde a infância e hoje festejada pelas minhas amigas ela sempre foi a mãe da qual ninguém, especialmente eu, precisava esconder nada; ela sempre tomou minhas dores nos episódios que envolveram corações partidos e crises de desânimo; ela sempre me motivou, apontando em mim qualidades e habilidades das quais muitas vezes duvidei e ainda duvido; ela sempre me deu todas as oportunidades para que eu pudesse fazer o melhor de mim; ela sempre me considerou um ser humano capaz de entender tudo e me ensinou bem cedo o que eu mais precisava para sair pelo mundo; ela nunca exitou em me dizer não; ela sempre me mostrou meus piores erros mas sempre os respeitou e tolerou; ela sempre esteve lá para me ajudar a sacudir a poeira quando os meus erros, aqueles que ela havia apontado, me fizeram cair; ela sempre me disse com alegria que "a vida é boa" e me provou que é sempre possível recomeçar até acertar. É com ela que até hoje eu falo quando tenho que tomar uma decisão importante e é nela que eu penso quando acordo com medo da vida. Eu não tenho a mesma coragem mas o exemplo que ela me dá sempre me movimenta.

Até os livros, meus grandes amigos desde a infância, têm o dedo dela. Foram incontáveis as histórias que ela leu para mim e os livros que estiveram ao meu alcance, sem censura, desde sempre; igualmente inumeráveis as vezes nas quais olhei para a minha mãe e a vi absorta num romance, o que me instigava a querer ler também. Sem perceber ela me deu o exemplo e talvez para mim o afeto pelos livros tenha até hoje alguma relação com o amor e a admiração que eu sinto por ela.

Amor esse que ficou entranhado nas conversas que nós tivemos sentadas à mesa da cozinha com alguma guloseima entre nós, no meu quarto apoiadas cada uma em um canto da cama ou à mesa de algum café ou restaurante, de maneira muito semelhante à que se vê em determinadas cenas de Gilmore Girls e que não por acaso me dão a imediata sensação de conforto e bem-estar.

Assim como a série que teve um revival recente produzido pela Netflix e que se eu não estiver tão mal informada talvez tenha mais uma continuação, os episódios das nossas vidas, a minha e a da minha mãe, não só ainda estão sendo escritos como terão que ser adaptados ao formato da maturidade. Por enquanto posso adiantar apenas que estamos bem em nossos papéis. Mais que isso, como dizem por aí, é spoiler.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Stardust

"Duas coisas enchem o coração de admiração e veneração, sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se dirige e se consagra a elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim. (...) O primeiro espetáculo, de uma inumerável multidão de mundos, aniquila, por assim dizer, a minha importância, por ser eu uma criatura animal que deve voltar à matéria de que é formado o planeta (um simples ponto no Universo), depois de (não se sabe como) ter sido dotada de força vital durante curto espaço de tempo. O segundo espetáculo, ao contrário, eleva infinitamente o meu valor, como o de uma inteligência, por minha personalidade, na qual a lei moral me manifesta uma vida independente da animalidade e até mesmo de todo o mundo sensível."

Kant, Crítica da razão prática.


Faz duas décadas que deparei pela primeira vez com esse trecho da Crítica da razão prática emoldurado no topo de uma página do livro de François Châtelet, Uma história da razão: entrevistas com Émile Noël, e imediatamente fui arrebatada pela força imagética das palavras e pela expressão precisa e quase poética de um dos paradoxos da existência humana, qual seja, o fato de sermos a um só tempo insignificantes perante o Universo cuja matéria nos constitui e absolutamente dotados de valor no âmbito dos nossos universos singulares.

Mais ou menos na mesma época eu estava encantada com o filme de Richard Linklater, Antes do Amanhecer (Before Sunrise), no qual os personagens Céline (Julie Delpy) e Jesse (Ethan Hawke) se conhecem num trem na Europa e decidem desembarcar no meio do caminho, em Viena, para passarem o único dia do qual dispõem juntos.

A certa altura das perambulações do casal por Viena uma cigana os aborda e, depois de ler suas mãos, sai de cena dizendo: "Vocês são estrelas, não esqueçam. Quando as estrelas explodiram há bilhões de anos, formaram tudo o que há neste mundo. Tudo o que nós conhecemos é poeira estelar. Então não esqueçam, vocês são poeira estelar." (Tradução livre.)

A conexão entre a fala da cigana e o texto de Kant foi imediata e desde então penso com maior ou menor intensidade em ambos.

Saber que sou poeira de estrela me deixa simultaneamente maravilhada e assustada pois não consigo dissociar essa condição da minha própria insignificância e, em última análise, da minha mortalidade. Quando penso que um dia vou voltar a ser pó as estrelas do meu universo interior se agitam e mudam de pulsação, resistindo à ideia de deixar de brilhar.

A resistência e o temor são tão grandes que há alguns anos muitas das minhas madrugadas são permeadas pelo sobressalto da consciência visceral do fim irremediável da minha constelação interior.

Com o passar dos anos a sensação de pequenez e a angústia gerada pela certeza consciente do fim da minha inteligência e de tudo o que acho que sou vêm se acentuando e mudando a minha percepção das coisas. Hoje sei que assim como eu todos os momentos que formam o fio da minha existência possuem sua carga própria de importância e de fugacidade, razão pela qual merecem toda a minha atenção mas jamais o meu apego.

Durante uma viagem recente, andando pela cidade de Québec num dia que me pareceu, em certos aspectos, similar àquele protagonizado por Céline e Jesse no primeiro filme da trilogia de Richard Linklater (Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-noite) eu pensava justamente na transitoriedade daqueles instantes quando deparei com a inscrição "cet éphémère moment présent" ("é efêmero o momento presente") pintada num pilar. Pensei, sorrindo com a coincidência: hoje eu sei.

Sei também que a despeito de qualquer fugacidade dias como o do parágrafo anterior são como combustíveis que ajudam a manter aceso o brilho da minha galáxia interior. A questão é se permanecerão de alguma forma inteligíveis quando as minhas estrelas virarem pó ou desaparecerão em algum buraco negro da existência. Seja qual for a resposta o importante é sempre lembrar que somos todos pó de estrela. O resto é surpresa.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Enjoy the Silence

Claramente inspirado na música de mesmo nome da banda inglesa Depeche Mode o título deste post andou explodindo na minha cabeça em duas ocasiões recentes onde, apesar do pretenso perrengue e do aparente sofrimento, o que de fato predominava em mim era uma enorme curtição do silêncio.

Quando digo que até gosto de um perrengue e que me sentir exausta depois de um treino tem um quê de prazeroso é possível que tais revelações remetam o interlocutor diretamente às ideias de desafio e de superação pessoal. Mas ambos são apenas coadjuvantes numa história cujo protagonista é algo ou alguém maior e mais fundamental.

O fato é que após um tempo de esforço contínuo ouvindo as batidas do meu coração e a minha respiração eu desencano de mim, ou melhor, daquele ser que fica o tempo todo falando dentro da minha cabeça, ao qual muitos dão o nome de ego. É em momentos como esse que, pedalando numa subida hardcore no meio de uma trilha na mata, por alguns segundos ou por uma fração deles, o tempo para, o espaço perde a consistência habitual e a mente fica quieta.

Quando o pensamento volta e, como de hábito, começa a analisar a experiência, percebo não só que tudo o que eu queria era estar exatamente ali naquele momento e naquela subida, aproveitando o silêncio de dentro e o de fora, como também que nada, ao fim e ao cabo, é mais importante que isso.

Costumo dizer que adoro as palavras, principalmente as escritas, mas ao mesmo tempo acredito que nenhuma delas, em tempo algum, será capaz de expressar as coisas mais fundamentais. Estas só o silêncio (com a ajuda de uma boa piramba) pode revelar.

domingo, 9 de julho de 2017

I´m Old Fashioned

O incômodo que as redes sociais e que a conexão virtual permanente me causam não é de agora e mesmo sendo algo que me acompanha há tempos ainda não aprendi a lidar com ele.

Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp e afins são todas ferramentas que me deixam confusa e ansiosa, e isso só para dizer o mínimo.

Confusa provavelmente pelo excesso de estímulos fugazes e quase que inteiramente desprovidos de significado e de honestidade (afinal quem nunca ficou um pouco atarantado diante da discrepância entre as vidas virtual e real de algumas pessoas) e ansiosa pela própria confusão em si, pelo excesso de eventos que pipocam na tela do meu celular e dos quais sei que não vou ou, pior, talvez não queira dar conta, pelas mensagens em potencial que posso vir a receber ou a enviar em praticamente qualquer lugar e a qualquer tempo e principalmente pela sensação de tédio e de vazio que fatalmente surge quando acabo de acessar uma rede social.

Resumindo, o mundo contemporâneo "tá puxado" pra mim; tão difícil que ainda fico perplexa com declarações como a de Mark Zuckerberg de que o Facebook poderia preencher o vazio deixado nas vidas das pessoas pelo declínio das igrejas e de outras instituições (Mark Zuckerberg, the Churck of Facebook can never be. Here´s why) ou com a exposição de momentos que do meu ponto de vista e apesar de todas as mudanças que a tecnologia tem provocado na nossa forma de pensar e de agir permanecem sendo íntimos, a exemplo de um jantar a dois.   

E não para por aí. O que pensar e como agir diante da frustração e da decepção quando a ampla possibilidade de comunicação virtual permite que a despeito das muitas e muitas palavras "tecladas" no WhatsApp pessoas que de fato não querem revelar e aprofundar coisa alguma adotem um comportamento quase esquizoide com relação a outros seres humanos mais propensos à interação à moda antiga?

A pior das situações contudo talvez seja aquela na qual você se surpreende com o seu próprio comportamento. Durante uma viagem recente me vi conectada de forma quase obsessiva. Trens, restaurantes, bares, cafés, museus, shoppings, lojas e até algumas ruas, havia conexão WiFi gratuita por toda parte e alimentei sem restrições o monstro da internet que mora em mim. Mesmo percebendo que o monstro engordava e ficava cada vez mais pesado eu não conseguia parar de dar os petiscos que ele pedia, nem mesmo quando conscientemente tirei uma foto com o objetivo exclusivo de postá-la no Instagram e simultaneamente me perguntei em que tipo de idiota eu estava me transformando. Ignorei a questão, postei a foto e alguns dias depois de voltar de viagem e de amargar um certo mal-estar com relação a esse assunto admiti que não tenho a menor condição de carregar o monstrengo da conexão ostensiva, quem dirá de alimentá-lo.

Comparando minha última viagem com todas as outras que fiz tive que admitir que curti muito menos tudo e todos por não estar totalmente em mim. Principalmente quem já viajou sozinho nos anos em que smartphones e conexões WiFi não estavam sequer nos nossos sonhos provavelmente sabe do que estou falando. Viajar significava focar na sua relação com a viagem e com tudo o que ela implicava (novos lugares, cheiros, paisagens, pessoas, gostos, sons etc. etc.) e nada mais. Eventualmente você ia até um telefone público ou, a uma certa altura da história, usava o computador do hotel ou de uma lan house para dizer aos seus familiares que estava vivo. Fora isso era você e o mundo novo a sua volta, sem dispersões.

Veja, mesmo que o Mark Zuckerberg suba a escadaria da Penha gritando aos quatro ventos que o Facebook será capaz de preencher o vazio que existe hoje na vida das pessoas isso é algo que nunca acontecerá pois ninguém é capaz de se sentir inteiro se não estiver focado e conectado consigo mesmo, o que é exatamente o oposto da proposta do Facebook e de todas as redes sociais das quais tenho notícia atualmente. Foco nada mais é do que liberdade e integralidade, coisas que não estão disponíveis na internet.

Certa vez me disseram que apesar de parecer moderna sou conservadora. Fiquei chocada num primeiro momento e depois passei a pensar no assunto sem concluir muita coisa. Hoje eu até gostaria que fosse apenas saudosismo ou nostalgia mas arrisco dizer que em certos aspectos o mundo como o conheci há alguns anos era melhor e mais interessante e, se isso era o que faltava para reconhecer o fato, admito, sob o som de John Coltrane, que sim, I´m old fashioned.

P.S.: O título deste post foi inspirado na música de mesmo nome composta por Jerome Kern com letras de Johnny Mercer e gravada, dentre outros, por John Coltrane no álbum Blue Train.

sábado, 1 de abril de 2017

Moustiers Sainte-Marie ou a cidade com colar de estrela

Estrela dourada sobre o vilarejo de Moustiers Sainte-Marie

Quem leu meu post Cidades de brinquedo, sobre Monschau e Óbidos, sabe que sou fã de cidades que de tão pequenas, charmosas e perfeitinhas mais parecem brinquedos do que cidades de verdade.

Pois Moustiers Sainte-Marie, na Provence, é uma dessas cidades que possui todos os requisitos para ser considerada uma cidade de brinquedo: linda, pequeníssima, charmosa e ainda por cima enfeitada por uma estrela dourada. Tida como um dos vilarejos mais bonitos da França, ela esteve no roteiro de uma cicloviagem que fiz em 2012 e que começou em Orbetello, no litoral da Toscana, e terminou em Manosque, na Provence.

Antes de chegar em Moustiers Sainte-Marie eu havia lido algumas coisas a seu respeito, como a história sobre a estrela dourada e a classificação como uma das cidadezinhas mais lindas da França, mas o impacto da chegada foi maior que a expectativa gerada pelas informações que a precederam.

Eu e meu companheiro de viagem havíamos passado boa parte do dia nos esbaldando com um caiaque nas Gorges du Verdon e acabamos chegando mais tarde do que o planejado em Moustiers Sainte-Marie. Como dizem por aí, sei que não dá para ter tudo, mas confesso que ao deparar com a cidade fiquei ao mesmo tempo satisfeita por ter passado um tempo disputando um lugar na água com os outros muitos caiaques, remos, pedalinhos e barquinhos de europeus ensandecidos pelo verão e triste por ter sobrado menos tempo para curti-la.

Aqui cabe destacar que, como se sua própria beleza e seus outros atrativos não bastassem, Moustiers Sainte-Marie fica nos arredores das estonteantes Gorges du Verdon, do Lago de Sainte Croix e dos campos de lavanda do Platô de Valensole. Tudo a pouca distância, tanto de bike quanto de carro, e um verdadeiro desbunde de paisagens lindíssimas, diversão ao ar livre e aromas encantadores.

Resolvidos os trâmites da chegada e assimilado o choque da surpresa causada pelo vilarejo, o primeiro ponto a ser explorado foi a Notre Dame de Beauvoir cujo acesso se dá por meio de 262 degraus de pedra esculpidos no flanco da montanha, de onde se tem uma vista belíssima da cidade e dos arredores. 

Cumprida a missão vista panorâmica antes do pôr do sol, felizmente houve tempo para uma caminhada pelas ruas da cidade, para bebericar uma cerveja regional antes do jantar e para admirar a inusitada estrela dourada cuja origem é incerta.

De acordo com o escritor Frédéric Mistral um cavaleiro de nome Blacas teria decidido pendurar a estrela entre duas grandes rochas, posicionando-a sobre a cidade, em agradecimento à Virgem Maria por ter retornado das Cruzadas. Outras versões falam, por exemplo, sobre histórias de amor, mas até hoje nenhuma delas foi confirmada. A atual estrela, que em 1995 foi revestida com uma camada de ouro antes de voltar ao seu posto, é a décima primeira a ficar sobre a cidade.

Seduzida pelo charme do vilarejo cuja ocupação remonta ao século V d.C., tive que conter na manhã seguinte um ataque da síndrome da permanência para poder me colocar a postos para partir e, ao pedalar rumo a um novo destino, virei para trás não sei quantas vezes "só para tirar mais uma foto". Uma boa desculpa para olhar, quem sabe se pela última vez, para a cidade com colar de estrela.

Estrela dourada sobre o vilarejo de Moustiers Sainte-Marie

 Moustiers Sainte-Marie

  Moustiers Sainte-Marie

  Moustiers Sainte-Marie
  
  Moustiers Sainte-Marie vista da subida para a Notre Dame de Beauvoir

Église Notre-Dame-de-l´Assomption de Moustiers Sainte-Marie

 Moustiers Sainte-Marie vista da subida para a Notre Dame de Beauvoir

Subida para a Notre Dame de Beauvoir

 Moustiers Sainte-Marie e a subida para a Notre Dame de Beauvoir 

Moustiers Sainte-Marie

Gorges du Verdon

Caiaques, canoas, pedalinhos e barcos nas Gorges du Verdon

Campos de Lavanda/Platô de Valensole

quinta-feira, 30 de março de 2017

Boston - parte 3

Sabe quando você faz uma coisa e depois fica sentindo um incômodo por não tê-la feito exatamente da maneira como gostaria? Pois foi desse modo que me senti após publicar Boston - parte 2.

Ao contrário do que aconteceu com Boston - parte 1, que curti não só escrever como reler, Boston - parte 2 me pareceu insípido, amorfo e forçado.

O fato é que me propus a escrever um texto que listasse atrações turísticas e tratasse delas de forma objetiva (o que não é a minha praia) quando no íntimo eu gostaria de ter abordado o meu segundo dia em Boston de outra maneira. Porque posso até escrever sobre um local específico que eu tenha visitado e do qual tenha gostado muito, como fiz aqui, mas normalmente a motivação para tanto surge espontaneamente, mais como uma necessidade do que como uma obrigação e muito mais como uma forma de expressar o que eu senti e organizar meus pensamentos e emoções do que como uma mera indicação do que outrem deveria ver ou fazer.

Justamente para não repetir neste post o fiasco ocorrido em Boston - parte 2 vou tratar do meu terceiro dia na cidade a partir de uma perspectiva mais subjetiva e ensolarada, compatível com o dia que começou com sol e muito céu azul, perfeito para a programação ao ar livre que eu, a Ana e a Ju, minhas companheiras brasileiras de hostel, havíamos planejado na véspera.


Começamos pelo Boston Public Garden, um parque onde seria bem agradável passar umas boas horas lendo e curtindo o visual. Lá iniciamos nosso passeio pela Freedom Trail, um caminho de quatro quilômetros todo sinalizado por uma linha vermelha no chão que dá um bom rolê pela cidade passando por dezesseis pontos turísticos de relevância histórica. Lembre-se: além de ser um centro universitário que abriga instituições como a Universidade de Harvard e o MIT (Massachusetts Institute of Technology), Boston é uma das cidades mais antigas do leste dos Estados Unidos e teve um papel importante na Revolução Americana.


Idealizada nos anos 1950, a Freedom Trail é uma super sacada para preservar e exibir aos moradores da cidade e aos turistas a história de Boston e dos Estados Unidos, dando um toque especial àquela caminhada exploratória que viajantes como eu adoram fazer em locais desconhecidos.


Para quem gosta de comidinhas um dos pontos altos da trilha é o Quincy Market, onde há uma grande variedade gastronômica. Aqui vale a dica: uma vez em Boston, a não ser que um desejo mais forte tome conta de você (como aconteceu comigo aqui), jogue-se nos frutos do mar. E não fique surpreso ao ouvir Português por toda parte pois Boston abriga uma das maiores comunidades brasileiras nos Estados Unidos.


Depois de uma boa refeição e de mais algum tempo caminhando e curtindo as ruas bostonianas, finalizamos a Freedom Trail no Bunker Hill Monument que nos ofereceu uma vista da cidade (não a mais espetacular) após escalarmos seus 294 degraus internos.


Era fim de tarde e o frio começava a pegar quando, apesar do cansaço, resolvemos tentar participar do último tour do dia na Samuel Adams, o que se revelou uma decisão acertadíssima. Sou um pouco suspeita quando o assunto é cerveja (basta ler um pouco do que está aqui) mas a visita à cervejaria foi um dos pontos altos da estada em Boston. O tour foi didático e divertido e terminou com uma degustação das cervejas produzidas pela Samuel Adams que fez jus à mania norte-americana de abundância. Para deixar os visitantes ainda mais alegres, todos puderam levar os copos onde degustaram as cervejas para casa.


Eram minhas últimas horas em Boston e, relativamente recuperadas do rolê daquele dia pelo tour cervejeiro, felizmente ainda tivemos forças para curtir o resto da noite. A viagem terminaria no dia seguinte e embora eu estivesse louca de saudade da Gigi (minha filha canina e o maior motivo para eu querer voltar de alguma viagem), sentia que ainda não era a hora de abandonar a festa.


Na manhã seguinte me despedi de Boston, da Ju e da Ana com zero entusiasmo. Sem que eu tivesse grandes expectativas, a festa bostoniana acabou sendo tão alto astral que será difícil não pensar nela com carinho e prazer pela vida toda.


P.S.1 Fiquei na vontade: Skywalk ObservatoryFenway ParkMuseum of Fine ArtsThe Institute of Contemporary Art, mais comidinhas vindas do mar, mais caminhadas pelas ruas de Boston e pelo menos uma ida ao cinema.


P.S.2 Para sacar melhor a cidade antes de visitá-la recomendo os artigos que você encontra aqui.

Boston Public Garden

Boston Public Garden

 Freedom Trail

 Freedom Trail/Massachusetts State House

Freedom Trail/Park Street Church

Freedom Trail/Granary Burying Ground

Freedom Trail/Boston Latin School

Freedom Trail/Quincy Market (Faneuil Hall Marketplace)

Freedom Trail/Bunker Hill Monument