quinta-feira, 30 de abril de 2009

Machu Picchu: como chegar

Foto: Camila Guido/ Peru, Machu Picchu

Se você vai a Machu Picchu e decidiu usar o trem para chegar lá (deixando a Trilha Inca para uma próxima vez, como foi o nosso caso), saiba que é bem mais fácil do que você imagina. Aliás, é tão fácil e tão turístico que quase chega a ser frustrante.

Existe apenas uma companhia (privada) que faz a viagem de trem, a Perurail. O fato de ser um monopólio e de ser muito caro dá um certo bode, mas, vá lá, Machu Picchu compensa.


Foto: Camila Guido/ Peru, Poroy

Há quatro tipos de trens operados pela Perurail, sendo que três deles vão para Machu Picchu (para vê-los, clique aqui), e, embora o Backpacker seja o mais barato, acabamos comprando bilhetes para o Vistadome, que, além das janelas laterais, tem janelas no teto; como a paisagem andina é de tirar o fôlego, a vista panorâmica que elas proporcionam acaba sendo bem legal. Para economizar, uma dica é comprar a ida com um tipo e a volta com outro.

Há também mais de uma opção de percurso, ou melhor, de ponto de saída. Não é necessário estar em Cusco para pegar o trem, pois ele passa também por Ollantaytambo, no Vale Sagrado. Uma boa idéia é dormir em Ollantaytambo e partir para Machu Picchu de lá. Como é mais perto, acredito que o bilhete seja mais barato. Para consultar o itinerário dos quatro tipos de trens operados pela Perurail, clique aqui.

Para comprar, em Cusco, os bilhetes de trem para Machu Picchu, vá à estação de trem San Pedro (basta pegar um táxi, o meio de transporte mais eficaz e utilizado na cidade, e pedir para o taxista levá-lo até lá; a viagem custará no máximo três soles), que fica ao lado do Mercado Central, nos seguintes horários: de segunda a sexta, das cinco da manhã à uma da tarde; sábados, domingos e feriados, das cinco às nove da manhã. Comprando bilhetes de ida e volta com o Vistadome, você desembolsará mais ou menos cento e quarenta dólares.

É possível ir a Machu Picchu e voltar no mesmo dia para Cusco; ida e volta levam aproximadamente seis horas (no total) e os trens saem bem cedo. Claro que, desta forma, você estará em Machu Picchu junto com a maioria dos turistas locais, mas, se não quiser passar a noite em Aguas Calientes - a cidade mais próxima -, terá que se conformar com isso.


Foto: Carlos Soares/Peru, Aguas Calientes

A propósito, o trem de Cusco para Machu Picchu atualmente não sai de Cusco e sim de Poroy, um povoado vizinho. Um táxi de Cusco a Poroy custa em média vinte e cinco soles e o trajeto leva aproximadamente vinte minutos. Tampouco o trem chega em Machu Picchu; para ir até lá, você deve comprar bilhetes para os ônibus que ficam praticamente ao lado da estação de trem de Aguas Calientes, destino do trem que vai até Machu Picchu. Saindo da estação, atravesse a ponte e logo verá os ônibus, que partem a todo momento. Ida e volta custam catorze dólares.


Foto: Camila Guido/Peru, Estrada para Machu Picchu

Ao chegar em Aguas Calientes, você também precisará comprar o ingresso para entrar em Machu Picchu (a bilheteria fica muito perto da estação de trem e da parada dos ônibus), que custa cento e vinte e quatro soles.

P.S.1 As dicas acima são voltadas para viajantes que não recorrem a agências de viagem e turismo, já que a idéia é viajar com total independência, sem recorrer a serviços do gênero.

P.S.2 Procure comprar os bilhetes de trem com a maior antecedência possível.

P.S.3 A moeda oficial do Peru é o nuevo sol (plural = nuevos soles), que, neste post, chamei apenas de soles.

Andean Travel Web

Foto: Camila Guido/Peru, Lago Titicaca, Taquile

O Andean Travel Web foi eleito por mim e pelo Carlos o site mais "agilizado" da nossa trip para o Peru.

Informações atualizadas, com dicas e respostas para várias das nossas dúvidas. Se um dos seus próximos destinos é o Peru, já sabe: dê uma passada por ele!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A nona vida de Louis Drax


Com vontade de ler um daqueles livros que fazem com que você esqueça do mundo ao seu redor, converse com as pessoas por monossílabos (pois você não consegue desgrudar os olhos e a atenção das páginas) e não suporte a idéia de fechá-lo antes de saber o final? Se a resposta for sim, acredite: A nona vida de Louis Drax, de Liz Jensen, é exatamente o que você precisa.

Ele foi um dos escolhidos para a mochila (ver o post Ufa!, aqui) e quem acabou sofrendo as consequências foi o Carlos, já que fiquei um tanto quanto incomunicável durante a viagem de ônibus de Puno para Cusco e durante o voo de Cusco para São Paulo. Mas, não fique com pena: ele deve ter previsto o que ia acontecer quando me emprestou o livro, pois foi acometido pela mesma obsessão quando o leu.

E se você ainda não programou nada para o feriado, minha recomendação é óbvia: não importa onde você fique ou para aonde você vá, Louis Drax será uma ótima companhia!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Contrastes

Foto: Camila Guido/Peru, Raqchi

Acabaram as férias e o saldo, hoje, é um nó no peito, outro na garganta, alguma confusão e a impressão de ter sido soterrada por uma avalanche de sensações e imagens contrastantes.

Minha mente é uma mistura de tons de verde, azul, marrom e cinza, de muitos muito pobres e ricos de outros mundos e da vulgaridade plástica das garrafas de água e de refrigerante num país em que a existência de construções coloniais e de igrejas parece um despropósito maior que o habitual.

Volto e as notícias não são as melhores: um amigo que partiu para sempre e a pessoa mais querida do mundo em apuros; meio-dia de hoje, despedida: okay, a gente se vê em breve, mas dói assim mesmo.

Vejo algumas fotos que tirei no Peru com mais calma, olho pra Gigi que está dormindo e, com ou sem nó no peito, é bom. Não importa a quantidade ou a intensidade dos "contrastes" que a vida possa oferecer, estar aqui é estupidamente bom.

Olho de novo pra Gigi e tenho certeza que ela pensa a mesma coisa, afinal, em pouco mais de um ano, ela, que era uma cachorrinha num abrigo, agora tem todos os mimos e todo o amor do planeta. Mudança de vida radical!

Sou doida por ela e minhas manifestações corujas são todas corroboradas pelos parentes e amigos, meus e da Gigi: ela é o máximo!

Moro num apartamento bem pequeno e, embora tenha adoração por cães, sempre tive receio de ter um num espaço tão restrito, pois achava que seria um sofrimento para o anilmazinho. Tudo errado.

Uma amiga, a Cris, mãe do Fredo e do Chico - duas criaturas adoráveis que eu costumava sufocar com os meus apertões e a minha vontade de ter um cachorro -, me convenceu a adotar uma cachorrinha adulta, dizendo que, por não ser mais uma criança, ela seria mais calminha e ficaria no apartamento numa boa e sem sofrimentos, inclusive enquanto eu estivesse trabalhando.

Duvidei um pouco da eficácia do plano, mas fui em frente e acabei adotando a Gigi, que, na época, tinha entre quatro e cinco anos, de acordo com os veterinários.

Resultado da aventura: adaptação praticamente imediata, nenhum trabalho e o privilégio de conviver com um dos seres mais dóceis, amigáveis, educados, sábios e, claro, gratos, que eu já conheci ao longo dos meus trinta anos. Claro que estou tentando estragá-la um pouco com os meus mimos, mas, mesmo mais confiante e segura, a Gigi, com a sua sabedoria quase mística, continua exemplar.

Para adotar um cão, é fácil: você pode pegar um cachorrinho sem dono na rua e fazer dele o ser mais feliz do universo (e vice-versa) ou ir a um abrigo como a UIPA (União Internacional Protetora dos Animais) ou o Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de São Paulo. Caso não tenha coragem de ver pessoalmente tantos animalzinhos precisando de um lar, basta fazer buscas na internet: há centenas, talvez milhares de pessoas doando animais pelas mais diversas razões. Você vai ver histórias de partir o coração em trilhões de pedaços, mas uma coisa eu garanto: o que vem depois é sublime.

P.S.1 Gatinhos também podem ser adotados nas ruas, nos abrigos, pela internet.

P.S.2 Nos sites da UIPA e do Centro de Zoonoses também há fotos de cães e gatos para adoção.

P.S.3 Jamais pense em adotar e depois "descartar" um animalzinho na hipótese de "não dar certo" e esteja preparado para ter paciência caso seja necessário. Parece loucura dizer, mas, lembre-se: cães e gatos não são brinquedos ou coisas. Seja responsável e, acima de tudo, comporte-se como um ser humano que mereça ser chamado assim.

P.S.4 A dica foi da Ju, amiga do trabalho: encontrei a Gigi aqui.

P.S.5 Muitas dicas sobre o Peru estão por vir; por enquanto, você pode ver algumas fotos (outras serão disponibilizadas nos próximos dias) aqui.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ufa!

Jantar no forno, Cazuza no som, a casa sem a Gigi e as mochilas, no chão do quarto, quase prontas para serem fechadas. A partir de amanhã, oito dias em Cuzco, com uma ida certa a Machu Picchu e outra muito provável ao Lago Titicaca. Na volta, dicas, relatos e, claro, fotos.

Na mochila, estão confirmados: Lonely Planet Peru Travel Guide, Lost City of the Incas (de Hiram Bingham) e The White Rock - An Exploration of the Inca Heartland (de Hugh Thomson). Além deles, ainda não consegui decidir entre After Dark (último livro do Murakami), Norwegian Wood, Caçando carneiros (ambos também do Murakami), Bem-vindo ao clube (Jonhathan Coe), A nona vida de Louis Drax (Liz Jensen) ou Book of Longing (de Leonard Cohen)! Sei que pode parecer exagero, mas o fato é que as horas passadas em aeroportos, aviões, trens e ônibus podem ser ótimas oportunidades para colocar a pilha de livros a serem lidos em dia.

Quanto ao Book of Longing, sim, sim, Leonard Cohen também é escritor e já publicou muitos livros; esse é de poemas e levou vinte anos para ser escrito. Além dos poemas, as ilustrações também são de LC. Ao comprá-lo numa livraria de Amsterdã, o Carlos foi advertido pela vendedora: "Você está levando o livro mais bonito da loja." Li alguns dos poemas e algo me diz que ela tem toda razão. Depois eu conto.

E por falar no Carlos, ele descobriu um site e um blog com ótimas dicas sobre o Peru. O site: Andean Travel Web; o blog: Viaggiando.

Voltando aos livros, talvez você se pergunte: por que não levar Bartleby y compañía (Enrique Vila-Matas) e Conversas com Woody Allen (Eric Lax), que estão há tanto tempo "parados" na cabeceira? Com relação ao livro de Vila-Matas, confesso que faltam poucas páginas para o final e que, apesar de não ser ruim, fiquei um pouco decepcionada com ele (talvez a expectativa fosse grande demais); já Conversas com Woody Allen é deliciosamente divertido e interessante, mas, além de ser uma edição de capa dura um pouco desajeitada para a mochila, é da Carol (amiga e comediante!) e, assim, merece ser tratado com cuidado redobrado (seria uma pena estragar a capa ou amassar alguma página). Ou seja, ambos ficarão em casa.

E para completar a sequência de posts "musicais" dos últimos tempos, "No walkan em março de 2009" vai ficar para maio, ou melhor, em maio teremos "No walkman em março/abril de 2009".

Com relação aos festivais, o Werchter fechou o line-up e divulgou os horários dos shows. Para ver como ficou a programação final, clique aqui.

Outro festival que anunciou a programação e cujos ingressos já começaram a ser vendidos é o Solidays 2009, que rola no final de junho, em Paris. O line-up é bem legal, mas um motivo forte pelo qual nós já compramos nossos ingressos é a presença de Emir Kusturica & The Non Smoking Orchestra no palco.

Agora, se você está a fim de ver uns showzinhos de jazz, dá uma olhadinha na programação do Gent Jazz Festival, que acontece em Gent, na Bélgica, em julho. Juro que é tentador!

Ainda sobre música, fã ou não do Sonic Youth, recomendo a excelente matéria publicada na edição eletrônica do Guardian (que, como você já deve ter notado, é meu jornal preferido) da última terça-feira. É sobre o novo disco da banda, mas está recheada com informações interessantes sobre o mundinho pop. Para lê-la, clique aqui.

E assim como os livros "bartlebyanos", que nunca foram escritos, são muitos os posts que estão prontinhos no plano da minha imaginação, mas que ainda não foram transcritos para cá. Entre eles, mais sobre tudo, especialmente algumas dicas de viagens, coisas que eu gostei muito ou que foram muito úteis, pedaços de felicidade e até de agonia que eu gostaria de compartilhar. Mas, antes, férias e, claro, mais uma viagem! Até a volta!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Síndrome de Bartleby?

Ufa, parece que foi só um susto: a edição eletrônica do Guardian de hoje diz que, de acordo com o próprio, Gabriel García Márquez não vai entrar para a galeria dos Bartlebys (ou "escritores del No") de Enrique Vila-Matas.

Houve, nos últimos dias, notícias de que García Márquez não iria mais escrever, as quais, como informa o Guardian, foram desmentidas pelo escritor em entrevista ao jornal colombiano
El Tiempo.

Para ler a entrevista publicada no El Tiempo, clique
aqui; para a matéria do Guardian, clique aqui.

Glastonbury/Rock Werchter

Se neste ano você está no pique dos festivais e dos shows (ou se você vive assim) e já garantiu seu ingresso para o Glastonbury 2009, sugiro uma olhadela na matéria publicada na edição eletrônica do Guardian de hoje, que traz notícias sobre o festival. Para lê-la, clique aqui.

Já o
Werchter anunciou mais um nome para o sábado: embora não esteja no line-up, Grace Jones foi anunciada no site do festival. Para conferir o line-up completo, clique aqui; para a notícia sobre Grace Jones, clique aqui.

"There is no hope in modern life"


Falando em Trainsppoting, acho saudável manter o foco (ou permanecer fora dele). Um oferecimento do Carlos pra mim, que eu divido com vocês.

Na tela em março de 2009

Classificação: imperdível; excelente; muito bom; bom; regular; ruim; péssimo.