sexta-feira, 31 de julho de 2009

Os melhores shows da viagem (Europa junho/julho 2009)

Embora em alguns momentos eu tenha mencionado (como no último post) a lista de melhores shows da última viagem, divulguei apenas o primeiro lugar dela, que, como você confere aqui, ficou com Leonard Cohen.

Segue, então, o resto da lista, que fechou assim:

Segundo lugar:
Tindersticks, na Antuérpia (Bélgica)

O show foi num teatro ao ar livre de um parque super legal, na Antuérpia (que vale a visita e também um post, que ainda vai rolar). Ao vivo tive a mesma sensação (mais intensa, porém) que aparece quando ouço as músicas em casa, no walkman ou no carro: seres meio etéreos fazendo música, cujas letras são expressas pela voz de um alienígena, no caso, o Stuart Staples, vocalista da banda. Não sei o porquê, mas quando o ouço cantar mal consigo acreditar que ele seja deste planeta. Como um ser humano pode ter aquela voz? Fiquei com vontade de subir no palco e encostar um dedinho nele, pra ver se o cara é real. Vi, mas não me convenci. O show, lindo e musicalmente perfeito, me deixou nas nuvens, mas confesso que preciso de outro(s) pra assimilar melhor a coisa.








Terceiro lugar:
Nick Cave & The Bad Seeds (Rock Werchter, terceiro dia)

Antes de continuar, preciso dizer que, com relação aos segundo e terceiro lugares, fiquei em dúvida entre Tindersticks e Nick Cave & the Bad Seeds e acabei, depois de dias pensando (ou talvez sentindo), deixando a segunda banda em terceiro lugar. Mas, no fundo, ficaram meio empatadas. O show de Nick Cave com os Bad Seeds foi arrasador, destruidor, catártico. Passei o show em alfa e permaneci assim após a apresentação. Tudo, desde o repertório até a performance de Nick e dos Bad Seeds foi puro Rock and Roll. Com maiúsculas.








Quarto lugar: Amy MacDonald (Rock Werchter, segundo dia)

Foi muito difícil deixar a Amy em quarto lugar, pois ela é simplesmente incrível. A voz da moça, ao vivo, é de embasbacar (não tem comparação com o que se ouve no disco). Grave e potente na medida certa, eu me arriscaria a dizer que Amy tem uma das vozes mais legais de todos os tempos. E não é só: ela ainda por cima é linda, simpática, inteligente e super carismática. Outro show que vale a pena ser visto muitas vezes.




Comentários e fotos do show, aqui.

Sexto lugar: Fleet Foxes (Rock Werchter, primeiro dia)

O show foi no palco menor (o Werchter tem dois palcos), no "cirquinho" (foto abaixo), e o bacana é que a própria banda testou o equipamento. (Enquanto esperava pelo início da apresentação, com os músicos ali, na frente de todos, a platéia gritou e se empolgou como se o show estivesse rolando.) Apesar do calor do primeiro dia (a quinta-feira do Rock Werchter foi um dos dias mais quentes da minha vida), o cirquinho lotou e ninguém debandou antes da banda terminar de tocar. Os americanos do Fleet Foxes, nitidamente surpreendidos com tamanha animação, fizeram um show impecável, em todos os aspectos. Não dava pra ficar fora da lista dos melhores, que termina aqui.









Fotos: Camila Guido e Carlos Soares

sábado, 18 de julho de 2009

Leonard Cohen, Colônia e o amor


De volta ao Brasil, já posso divulgar, como prometido no último post, a lista dos melhores shows da viagem.


Mais uma vez (o mesmo aconteceu no ano passado),
Leonard Cohen e os excelentes músicos que o acompanham ficaram em primeiro lugar e o show de quase três horas em Colônia, na Alemanha, foi ainda mais emocionante que o de 2008, em Londres.


Durante o show, os alemães se mostraram pelo menos cinco vezes mais empolgados que os ingleses; cantavam, aplaudiam e demonstravam tanta adoração pelo escritor, compositor, cantor e monge budista que o resultado da apresentação foi Leonard encerrando o show (depois de três retornos ao palco) abraçado aos músicos, num discurso emocionado de agradecimento. A essa altura, quem estava na pista já havia abandonado sua cadeira há muitas músicas para compartilhar, o mais próximo possível do palco, a alegria e o prazer que vinham de lá.



Aliás, é importante notar que o encanto do show não está apenas em Leonard Cohen; os músicos que o acompanham são uma história à parte e, como disse a Sophie, amiga que esteve conosco no show de Colônia, tudo é muito delicado, elegante e chic. É difícil não se encantar, por exemplo, com o sorriso, a voz clara e poderosa e o gestual sutil e sem afetação de
Sharon Robinson, compositora, cantora e uma das backing vocals de Leonard que, entre outras coisas, produziu e escreveu com ele as músicas de Ten New Songs, disco de 2001 em que ela aparece ao seu lado na capa.




Para mim, o show de Colônia teve um fator extra: se no de Londres eu estava ansiosíssima para saber o repertório e para ver e ouvir Leonard Cohen, no de Colônia, menos tensa, acabei prestando mais atenção aos detalhes. Além disso, estávamos muito perto do palco, de forma que foi possível observar os músicos, seus movimentos e expressões sem a ajuda do telão (o que, no caso de um show como esse, faz toda a diferença).





No mais, para chegar ao lugar do show (que, de uma certa forma, é uma celebração do amor), havíamos cruzado o Reno pela Ponte Hohenzollern, onde o número de
cadeados do amor (que você vê nas fotos abaixo) não para de crescer. Num determinado momento, Leonard contou que naquele dia havia atravessado a ponte, colocado seu cadeado nela e jogado a chave no rio para, depois, do outro lado do Reno, onde fica a Catedral de Colônia, acender uma vela. Com humildade, simplicidade e simpatia, continuou, lembrando o quão privilegiados éramos, banda e público, por, num mundo como o nosso, podermos estar ali naquela noite, nos divertindo tranquilamente.




Por essas e por outras, eu, que, há algum tempo, de fã virei devota, continuo insistindo: se puder, reúna esforços e compre um ingresso e uma passagem, mas não passe pela vida sem ir a um show de Leonard Cohen.

Fotos: Camila Guido e Carlos Soares

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Solidays 2009


Além de curtir a bagunça pelas ruas de Paris, eu e o Carlos aproveitamos o final de semana para dar uma passada no
Solidays 2009, festival com bandas e cantores franceses (a maioria) e convidados de outros países.



Com cinco palcos e algumas atrações típicas de parques de diversões (que, sinceramente, não fazem a minha cabeça), o festival foi bem mais organizado do que esperávamos. O único "porém" foi o número reduzido de banheiros femininos: no mínimo vinte minutos de espera para nós, meninas, fazermos xixi. Ou seja, tomei menos cervejas do que o necessário, pois não suportava mais encarar a fila.


Embora o festival tenha começado na sexta-feira, desencanamos do primeiro dia e resolvemos aparecer por lá no fim da tarde do sábado, dia em que nossas expectativas estavam voltadas para o show do The Ting Tings. Como o horário dos shows não havia sido divulgado no site do Solidays, só lá descobrimos que, se ficássemos para ver a banda, poderíamos perder o último metrô. Resultado: não arriscamos e, decepcionados, ficamos sem assistir ao The Ting Tings. De qualquer forma, além do clima do festival, da cerveja e da festa, o show do Yodelice, no qual esbarramos sem querer, acabou fazendo a nossa noite mais feliz.


Mas, o melhor mesmo ainda estava por vir. No domingo, último dia do Solidays, chegamos com bastante antecedência para o show da banda do diretor de cinema e músico sérvio, Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, que fez o público surtar de alegria.



A banda é energia pura e, a certa altura do show, com o refrão "Are you agree? Fuck you MTV.", o público não se conteve e invadiu o palco. Você confere um pedacinho do momento mais alucinado do show na foto abaixo.

Depois da apresentação inesquecível, o show de Emir Kusturica e sua banda entrou para a lista dos melhores showzinhos da viagem (que já teve Leonard Cohen, Tindersticks, Nick Cave & The Bad Seeds e outros). A lista completa? Calma, pois a programação musical ainda não está encerrada. Quando acabar eu conto.



Fotos: Camila Guido e Carlos Soares.