sábado, 27 de dezembro de 2008

Um teto pra chamar de seu ou a vida depois dos trinta

Completei trinta anos recentemente e, embora nunca tenha negado o fato de que sou uma alma idosa e rabugenta, agora me sinto mais à vontade para dizer que acho ótimo ter um quarto pra chamar de meu depois de ter passado um dia inteiro andando loucamente por ruas, museus e tudo o mais.

Tudo a favor de albergues/hostels, hospedagem com os amigos, com os amigos dos amigos e com membros de sites criados para troca de hospedagem, dicas e experiências entre viajantes, mas fazer uma parada num lugar onde se possa ter um pouco de privacidade por algum tempo é, a meu ver, essencial.

Durante a trip pela Europa experimentei todas as alternativas acima, com exceção de albergues/hostels, simplesmente porque não houve necessidade. Caso contrário, teria passado feliz por eles. Embora não os tenha "provado" durante o “rolê Europa”, caso tivesse que fazê-lo, seguiria as dicas da Marina, amiga e uma das donas do Ô de Casa, hostel localizado em Sampa, lá na Alves Guimarães. Segundo ela, os melhores sites para reserva de albergues/hostels são o Hostelworld.com
e o Hostelbookers.com, sendo que o último não cobra taxa de reserva.

Outra opção pra lá de interessante são os sites de relacionamento entre viajantes, nos quais as pessoas trocam hospedagem (veja, ninguém é obrigado a hospedar para poder ser hospedado; as pessoas só hospedam outras se quiserem/puderem), dicas sobre lugares e organizam “baladinhas”. Já hospedei e fui hospedada e recomendo ambas as experiências (mas confesso que prefiro hospedar). Quando se trata de ser hospedado, o mais legal é que, dependendo do anfitrião, você vai conhecer lugares que, na condição de turista hospedado em hotel, provavelmente jamais conheceria. Isso sem falar nas pessoas bacanas que você vai conhecer mundo afora. (Só é ruim quando se hospeda ou se é hospedado por alguém muito legal que mora bem longe, porque aí dá uma saudade imensa depois!) Conheço e recomendo dois desses sites: o The Hospitality Club
e o Couch Surfing Project.

E há, claro, os hotéis. Aqui, vou direto ao ponto. Acesse o
Booking.com e faça uma viagem feliz! Sou super fã do Booking.com, que funciona maravilhosamente e tem ótimas ofertas. Todos os hotéis (com exceção de um dos dois ótimos hotéis em que nos hospedamos em Londres) nos quais me hospedei durante a trip foram reservados pelo Booking.com e todos atenderam às minhas expectativas ou as superaram. Dica: reserve hotéis com no mínimo nota sete e leia os comentários dos hóspedes antes de fazer a reserva (que na maioria dos casos pode ser cancelada sem penalidades com até um dia de antecedência). O mesmo, aliás, vale para os sites de reserva de albergues/hostels, onde também há notas e comentários de clientes.

Outro site interessante é o
TripAdvisor, onde é possível encontrar comentários e notas sobre hotéis (basta digitar o nome do lugar e ver o que as pessoas dizem sobre ele). Pode ser útil quando você tem a indicação de um hotel mas não está muito seguro a respeito da idéia.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

"Enjoy the ride"

Sabe aquela banda que você sempre quis ver de perto mas que, infelizmente, ainda não deu sinais de que um dia aparecerá por aqui? Ou então aquele show que você uma vez, há cinco anos, viu e queria muito ver de novo, só que também não há qualquer previsão de “repeteco”? Pois é, um “rolezinho” pela Europa é uma ótima oportunidade para viver e reviver momentos musicais especiais.

Um bom exemplo disso é a trip feita pelo Marcelo Costa, relatada no Calmantes com Champagne 2.0, em que o Mac passou 40 dias viajando pela Europa na companhia de Leonard Cohen, Radiohead, Lou Reed, Vampire Weekend, Sigur Rós, Morrissey e outros.

Ficou com vontade? Então comece a montar a programação! No
Pollstar (dica do Carlos, que além de saber tudo sobre viagens sabe tudo sobre shows) você pode fazer buscas utilizando o nome da banda/artista, local do concerto ou cidade. E aí dá para montar o roteiro em função dos shows ou aproveitar a sua estada em algum lugar para assistir a um determinado espetáculo que vai rolar por lá.

Independentemente do seu gosto musical, caso você depare com um show do Leonard Cohen pelo caminho, por favor, não deixe de ir! A propósito, mesmo que o show esteja completamente fora do seu roteiro, pegue um avião, um trem, um ônibus, uma bicicleta ou vá andando mesmo, mas não perca a oportunidade, afinal, não é sempre que os deuses falam conosco.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

"Fly me to the moon"

Foto: Camila Guido

Voar pela Europa pode ser bastante prático, seguro e barato. No entanto, lembre-se: aviões poluem, requerem check in, espera na esteira (caso você tenha tido que despachar a mala/mochila) e mais tempo para se chegar aos aeroportos (o acesso às estações de trem é muito mais rápido).

De qualquer forma, eles são uma benção quando não se dispõe de muito tempo (como era o meu caso, já que “saltei” de um país para outro praticamente a viagem inteira) e o melhor site para encontrar passagens baratas é o
Skyscanner, que, a partir da informação da origem e do destino, lista vôos baratos oferecidos por diversas companhias aéreas. Aí é só escolher uma opção e efetuar a compra, no próprio site da companhia escolhida.

Além do Skyscanner, recomendo também o
Euroflights.info, que lista as companhias low price que operam determinados destinos e dá outras informações, como distâncias de aeroportos.

Vale a pena também, caso você esteja na Bélgica ou queira ir para lá, acessar o site da Brussels Airlines
, onde eu cheguei a comprar uma passagem com mais ou menos uma semana de antecedência (o que é muito pouco) por um mísero euro (incluindo todas as taxas o vôo saiu por aproximadamente cinqüenta euros).

Já quando se trata de Alemanha, não custa nada fuçar n
o site da Germanwings (que também me salvou em cima da hora).

Antes de efetuar a compra da passagem, certifique-se de que os aeroportos de embarque e desembarque são as melhores opções para você e, antes de embarcar, verifique pela internet qual é o terminal de saída do seu vôo, pois em alguns aeroportos a distância entre os terminais é um pouco grande. Em Budapeste, por exemplo, é necessário um ônibus para cobrir a distância entre um terminal e outro. E tome cuidado com companhias como a Ryanair e a Easyjet, que, em alguns lugares, operam nos aeroportos e terminais mais distantes.

Guias e Mapas

Sou particularmente adepta dos guias de viagem e de mapas. Na verdade, fui privada de senso de direção ao nascer (é a única explicação que encontrei para a minha desorientação), de maneira que, sem mapas, acabo me perdendo ainda mais (com eles eu também me perco, mas aí, após uma parada, fica mais fácil retomar o caminho). Portanto, se você é super perdido, não aconselho que se aventure por cidades desconhecidas sem ter um mapinha em mãos (só para facilitar, porque, no fim das contas, sempre tem uma alma boa que, após uma abordagem, acaba nos ensinando o caminho).

O meu preferido? Bom, gosto das guias da Lonely Planet e já utilizei o que eles chamam de Country Guides (guias de países, por exemplo, France Travel Guide), City Guides (guias de cidades, por exemplo, Paris City Guide) e Shoestring Guides (guias de partes ou de um continente inteiro, por exemplo, Europe on a Shoestring Travel Guide). Desaconselho os Shoestring Guides para pessoas desorientadas como eu, pois os mapas das cidades não são tão detalhados e eles não trazem as linhas de metrô (afinal, não dá para fazer milagre). Da mesma forma, por englobarem muitos países, as informações se restringem ao mínimo necessário (o que normalmente me deixa um pouco frustrada) e eles são bem pesadinhos e desajeitados para se carregar na mochila o dia todo (no fim do dia dá vontade de largar o guia no primeiro banco de praça que aparecer).

De qualquer forma, creio que o ideal, mesmo, é ir até uma livraria, pesquisar as opções disponíveis e aí escolher de acordo com as suas necessidades e gostos, pois, embora as informações sobre os lugares super turísticos apareçam em todos eles, há outros aspectos que são variáveis. Isso sem falar no preço, pois há guias baratinhos e outros bem caros. E há também os que só estão disponíveis em inglês, como os da Lonely Planet (costumava haver algumas edições em espanhol, mas creio que a maioria delas é em inglês), o que dificulta um pouco as coisas.

Quanto aos mapas, caso aqueles trazidos pelo seu guia não lhe deixem feliz, é sempre possível adquiri-los no local onde se está, lembrando que os hotéis normalmente os disponibilizam gratuitamente. Já o mapa do metrô local normalmente está impresso no próprio mapa da cidade e, na hipótese de não estar, geralmente é possível pegar ou comprar um no metrô (em Budapeste acabei comprando um mapa do sistema de transportes da cidade no metrô e em Barcelona havia mapas disponíveis no próprio balcão de informações do metrô que fica dentro do aeroporto).

Agora, detalhe importante: caso você esteja planejando passar por muitas cidades de países diferentes, tenha em mente que será inviável levar um guia para cada uma das cidades ou para cada um dos países. Mas não desanime, pois essa pode ser uma grande oportunidade para praticar o desapego: você pode simplesmente comprar um guia no local onde estiver e, na hora de ir embora, deixá-lo por lá, ou pode também desencanar e andar a esmo, “criando”, por exemplo, a sua Paris ou a sua Praga (porque guia é legal, mas, depois de muitos dias, dá um bode).

Sites relacionados:

P.S. A dica do Guia Turismo 10+ foi do Mac. Comprei o de Barcelona, lá.

Deus salve a internet

Devo dizer, antes de qualquer coisa, que, para mim, o ato de existir só se justifica se pautado numa ação: viajar.

Admiro e sou adepta de todas as formas que o verbo possa assumir: ler, pensar, ouvir, sentir, ver... E, claro, literalmente viajar por aí, de preferência com pouca coisa nas costas.

Acabo de passar trinta e quatro dias flanando pelo Velho Mundo, sozinha em alguns trechos, acompanhada na maioria deles (felizmente alguns seres queridos resolveram me acompanhar durante minha estada em determinadas cidades ou durante o percurso por algumas regiões), com quinze quilos nas costas e praticamente toda a viagem programada pela internet, ao longo de alguns meses.

Pensando nas dificuldades que encontrei quando comecei a planejar a viagem - que acabaram assim que o Carlos (que sabe tudo sobre viajar) entrou na minha vida e, com ele, trouxe todas as informações que eu precisava (já disse algumas vezes, mas vou repetir: mil vezes obrigada) – e nas perguntas que alguns amigos vêm fazendo sobre como organizar por conta própria uma viagem para a Europa, decidi divulgar, ao longo dos próximos dias, dicas de sites e informações que foram úteis para mim, bem como relatos baseados nas minhas impressões e experiências.

Espero, com isso, poder prestar alguma ajuda, mesmo que mínima, aos viajantes.

Boas viagens!

P.S. O processo de organização fez com que eu começasse a viajar muito antes da trip de fato acontecer e foi graças a ele que conheci não só o Carlos, como também outras pessoas que, como ele, antes e durante a viagem, me ajudaram e fizeram da minha passagem pela Europa um momento especial. Meu super obrigada à Dé e Davide, Leisliane, Smith, Mariane e Mark, Mac, Manuela, Moritz e Oliver.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

São Paulo my love?

Interiorana vivendo em São Paulo há 12 anos e por ela fascinada há muito mais que isso, encontrei o resumo dos meus sentimentos pela cidade na introdução da versão de “Desafinado”, do disco “João Gilberto ao vivo – eu sei que vou te amar”, onde João inesperadamente declara – e se declara – “São Paulo my love”.

Foi pensando nessa frase que retornei a São Paulo após quase todas as viagens que fiz nos últimos anos. À visão da cidade, a voz suave de João dizendo “São Paulo my love” vinha instantaneamente à minha mente – e algumas vezes também à minha boca – e eu sentia uma espécie de alívio e de felicidade legítima por estar voltando para casa. Aliás, eu me sentia em casa. Nada, nem o cheiro moribundo dos rios em absurda putrefação que atinge os nossos narizes quando estamos em certos trechos das marginais, nem os montes de outdoors que nos obrigavam a pensar, mesmo que por segundos, nessa ou naquela marca de calça jeans, me fazia pensar em deixar de gostar de São Paulo, onde a vida, apesar de tudo, era repleta de bares, cinemas, sebos e livrarias.

Mas, às vésperas de entrar no décimo terceiro ano de vida em Sampa, admito, após meses de resistência, que o que antes era uma vida cheia de nuances coloridas agora assumiu – não vou dizer que definitivamente, pois sou peremptoriamente contra a idéia de que as coisas não têm solução – o preto e o branco, com algumas variações de cinza entre um e outro.

Atualmente, evito dirigir e toda vez que ouço uma buzina acionada desnecessariamente – e agressivamente, claro – sinto uma mistura de raiva, tristeza e tensão; penso um milhão de vezes antes de ir a algum lugar muito longe (moro no centro e “muito longe”, na atual circunstância, é algo que eu meço pelo trânsito que vou enfrentar para chegar ao local e não pela distância em si mesma) e fico transtornada com a falta de educação dos motoristas e com a imprudência dos pedestres. Também me mortificam minha tentativa frustrada de me locomover pela cidade de bicicleta (temi pela minha vida após algumas experiências e acabei deixando a bike de lado), a sujeira e os buracos nas calçadas, os semáforos de pedestres que levam séculos para abrir (quando abrem), o descaso dos motoristas de ônibus com a integridade física das pessoas, o empurra-empurra no metrô em determinados horários e linhas, a escassez de parques e de praças.

Entretanto, do ponto de vista do meu antigo amor pela cidade, todos os seus problemas não seriam suficientes para causar o desalento que venho sentindo se não fosse a última volta para casa, quando, ao ver São Paulo pelo vidro do carro, não senti rigorosamente nada.

Mais de duas semanas se passaram e o nada se transformou em estranhamento. E só agora me dei conta de que, nessa volta para “casa”, não ouvi a voz do João.

Concreta '56

Concreta
Reta
Forma
Curva
O corpo oco
Cheio de espaços urbanos
Imensos vazios