segunda-feira, 29 de junho de 2009

Em tour

Meia-noite e tanto em Aachen, na Alemanha.

Faz poucos dias que desembarquei na Europa (precisamente na última sexta-feira) e, bom, agora não vai dar pra contar, pois, além de ser tarde e eu ter que pegar um trem amanhã cedo pra Antuérpia, o cansaço da maratona francesa dos últimos dias mais a tentação de desligar o computador e me dedicar inteiramente ao Carlos e ao copo de Rochefort que estão ao meu lado são bem maiores que a vontade/possibilidade de escrever.

Okay, Alemanha, França, cerveja belga, tudo parece meio confuso, né? Calma, assim que conseguir eu explico.

Só pra adiantar, nos próximos posts, fotos e vídeos da viagem, com cenas da farofa que é Paris no verão, do Solidays (festival que acabou de rolar na cidade), da Antuérpia, do Rock Werchter, de Veneza e muito mais.

Ops, a Rochefort tá esquentando. Fui!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mais de Cusco (e um pouco de Machu Picchu)

A Edna, leitora do blog que em breve estará desembarcando no Peru, escreveu perguntando a respeito de dicas sobre Lima, Cusco e Machu Picchu.

Edna, não estive em Lima, mas sobre Cusco e Machu Picchu posso compartilhar, com você e com os outros leitores, o seguinte:

Cusco

Como eu disse aqui, Cusco é uma cidade bastante movimentada e verdadeiramente encantadora. Além de andar por suas ruas e curtir as várias pracinhas, algo que não se pode deixar de fazer é passar algumas horas na Plaza de Armas observando o constante ir e vir de turistas e da população local. Aliás, mesmo que não houvesse qualquer ser vivo andando por ali, por si só a Plaza já valeria a contemplação. Alguns poderão achar um exagero, mas eu e o Carlos somos tão apaixonados por ela que chegamos a compará-la à Praça da Cidade Velha de Praga, que é, na nossa opinião, uma das mais espetaculares do mundo. Obviamente são arquiteturas, cores e energias completamente distintas, mas ambas são, cada uma à sua maneira, de babar.

Também é quase um pecado ir ao Peru e não provar uma Cusqueña, a deliciosa cerveja produzida em Cusco. Chegamos a experimentar outras marcas enquanto estivemos lá, mas a Cusqueña é a nossa eleita. Para acompanhar a cerveja, nada melhor que um ceviche (o peruano traz acompanhamentos como milho e batata doce e é bem diferente do chileno) bem apimentadinho. O que você vê na foto abaixo é do Makayla, um dos bares/restaurantes que circundam a Plaza de Armas e que acabou angariando o primeiro lugar nas nossas listas de melhor garçom/atendimento e conforto (banheiros devidamente limpos são uma exceção no Peru e os do Makayla surpreenderam no quesito limpeza).

Cusqueña no Makayla

Ceviche Peruano do Makayla

Outro lugar bacana para curtir a vista da Plaza de Armas ao sabor de um café, bebidinha ou infusão é o Trotamundos, em cujo interior há uma lareira que torna o ambiente ainda mais aconchegante e uma sala com computadores com acesso à internet (cinquenta centavos - de nuevos soles - a meia hora). Sempre que precisávamos de um cyber café, era para lá que corríamos.

Fachada do Trotamundos

Fora da Plaza de Armas mas ainda pelas redondezas, quando se trata de comer e beber a Procuradores, uma das ruas transversais à Plaza, é uma boa opção; nela estão as três unidades do Chez Maggy - com ótimas pizzas -, além de vários outros restaurantes.

Em Cusco, aliás, há uma profusão de lugares para comer. Distanciando-se da Plaza de Armas e indo em direção ao bairro de San Blas você encontrará uma série de restaurantes. Um deles, o Inka... fe (Choquechaca, 131A), conquistou nossa simpatia e, seduzidos pelo ambiente agradável, pelos ótimos preços e atendimento e pela maravilhosa/deliciosa/incrível torta de chocolate com sorvete, acabamos indo lá mais de uma vez. Assim como diversos outros restaurantes na cidade, o Inka...fe oferece um menu turístico com entrada, prato principal e bebida a doze nuevos soles.

Fachada do Inka...fe

Para encerrar o assunto comidinhas, se você estiver precisando apenas fazer um lanchinho rápido, recomendo a padaria El Buen Pastor, localizada na Cuesta San Blas 575.

Fachada da padaria El Buen Pastor

Obviamente, os atrativos da mais antiga cidade continuamente habitada das Américas não ficam só nas caminhadas pelas suas ruas, comidinhas e bebidinhas; há vários museus em Cusco e, na minha opinião e na do Carlos, o mais legal deles é o Museo Inka, que vale muito a visita. A entrada não está incluída no Boleto Turístico de que falarei mais adiante e custa dez nuevos soles.

Museo Inka

Museo Inka

Mas, imperdível mesmo é o Qorikancha, que, no passado, foi o templo mais rico do Império Inca. Aqui, vale uma anotação sobre guias turísticos: não costumo fazer visitas acompanhadas por eles, mas, em Cusco, a presença dos guias é onipresente; contudo, eles são bem interessantes e suas informações diferem razoalmente do padrão (história "oficial" e coisas do gênero). Tendo em vista a importância histórica do Qorikancha, fique atento às explicações do seu guia; o Edgar, o nosso, era praticamente um rebelde disfarçado e nós ficamos bem felizes com a visita guiada. A entrada para o Qorikancha também não faz parte do Boleto Turístico e custa dez nuevos soles (segundo o Edgar, os padres que administram o Convento de Santo Domingo del Cusco, cujas bases são formadas pelo antigo templo Inca, retiraram o ingresso do pacote composto pelo Boleto Turístico; ainda de acordo com o Edgar, há poucos meses, a entrada custava dois nuevos soles).

Interior do Qorikancha

Ops, mas Cusco não se encerra em Cusco! Os arredores são um dos pontos altos da viagem e a visita aos vários sítios arqueológicos das redondezas é obrigatória.

Para entrar neles, você terá que adquirir o Boleto Turistico del Cusco, que compreende também a entrada para outras atrações na cidade, como alguns dos seus museus. O Boleto é vendido na Oficina Ejecutiva del Comité, nos fundos da Municipalidad del Cusco (Av El Sol 103) e custa cento e trinta nuevos soles.

Fachada da Municipalidad del Cusco

Museo de Sitio del Qorikancha

Museo Municipal de Arte Contemporaneo


Contratamos dois passeios aos sítios arqueológicos em uma das inúmeras agências de turismo da cidade; o primeiro deles, de meio dia, nos levou a Saqsayhuaman (que fica perto de Cusco e é muito bacana), Tambomachay e Q'enqo; com o segundo passeio (o mais legal), que leva um dia inteiro, fomos a Pisac (aos domingos, terças e sextas-feiras há uma feira de artesanato no vilarejo) e a Ollantaytambo - ambos de tirar o fôlego - e, no fim do dia, a Chinchero (vilarejo onde assistimos a uma demonstração da elaboração das lãs com as quais são feitas as coloridas malhas andinas).

Feira de Artesanato de Pisac

Feira de Artesanato de Pisac

Pisac

Ollantaytambo

Ollantaytambo

Chinchero

Chinchero

Detalhe: ao contratar os passeios, deixe claro que é brasileira(o), pois o próprio funcionário da agência disse que, casos fôssemos europeus ou americanos, eles cobrariam quinze dólares e não quinze nuevos soles pelo passeio de meio dia. O outro passeio, que durou o dia todo e com o qual fomos a lugares mais distantes, custou vinte e cinco nuevos soles
.

Machu Picchu


Sobre Machu Picchu, Edna, creio que, por enquanto, o que eu tenho a dizer está aqui e aqui. O resto você verá com seus próprios olhos e, juro, não irá se arrepender.

A única ressalva é: caso você queira muito estar lá antes do local ficar cheio de turistas, terá que dormir em Aguas Calientes e pegar o ônibus cedinho para Machu Picchu. Do contrário, junto com você haverá muitas outras pessoas. No nosso caso, fomos de trem e estivemos lá no horário de maior movimento, o que, francamente, não chegou a ser ruim.

Desejo a você e a sua amiga uma excelente viagem!

P.S. As fotos deste post são minhas.

sábado, 20 de junho de 2009

Santiago do Chile: onde comer

Estou devendo para a Ana, amiga que logo mais embarca para Santiago do Chile, algumas dicas sobre comidinhas.

Aproveitando que ando inspirada para escrever sobre guloseimas (basta dar uma olhada nos dois últimos posts), cumpro o que prometi a Ana e compartilho também com vocês as minhas dicas.

Para começar, a sobremesa. Li sobre o Emporio la Rosa no Santiago do Chile para brasileiros, guia de Márcia Jancikic, e resolvi conferir a indicação. Resultado: acabei virando cliente da sorveteria durante minha estada em Santiago. Além dos sorvetes deliciosos, o Emporio fica na região da cidade que mais me agradou, o Barrio Lastarria. Tornou-se simplesmente irresistível dar uma passadinha por lá durante a tarde para curtir a vizinhança na companhia de um sorvete de chocolate com pimenta.

O Emporio la Rosa fica na Merced 291. Para ver o mapa, clique aqui.

Emporio la Rosa

Para beber e comer, recomendo o Liguria, um bar/restaurante moderninho e aconchegante, com decoração muito legal e boa música. Como sou louca por frutos do mar, pedi os ostiones frescos en concha recomendados pelo garçom simpático e agilizado que me atendeu. Segundo ele, os ostiones são uma espécie de marisco típicos do Oceano Pacífico. Quando o prato chegou, tive vontade de dar um abraço no garçom, que não poderia ter sugerido um prato mais adequado para mim. Bastou a visão das conchas coloridas com todos aqueles "mariscos" suculentos para me deixar feliz. Comi todo o prato (suficiente para duas pessoas, acho), acompanhado por algumas tacinhas de pisco sour.

O Liguria tem três endereços, todos em Providencia; para consultá-los, clique aqui.

Por fim, também é digno de nota o famoso Mercado Central, que, de fato, não pode deixar de ser visitado. Há muitos restaurantes lá e, ao entrar, você será assediado pelos funcionários de praticamente todos eles, que tentarão convencê-lo a gastar seus pesos em seus respectivos locais de trabalho. O mais famoso, turístico e creio que também mais caro dos restaurantes do Mercado é o Donde Augusto. Por ser rabugenta e estar num movimento econômico (como sempre), decidi fugir do esquema turístico, que costuma me deixar um pouco irritada, e dos preços altos e me sentei no Pailas Blancas, um restaurante discreto em uma das extremidades (esquinas) do Mercado. Além de mim e de um casal de turistas americanos com uma bebê para os quais servi de tradutora, notei que quase não havia estrangeiros no local. Devo ter comido dois ou três pratos, entre eles um ceviche, e saí do Pailas desejando voltar no dia seguinte. Infelizmente, não deu tempo.

Para ir ao Mercado Central, desça na estação de metrô Puente Cal y Canto. Para ver o mapa dos arredores do Mercado, clique aqui.

Mercado Central

P.S. As fotos deste post são minhas.

Coxinhas em Berlim

"Coxinha. Coxinha, coxinha, coxinha. Meu Deus, Camilinha, que vontade de comer coxinha."

A frase que você acabou de ler foi uma das mais faladas durante a viagem, no final de 2008, por Viena, Praga e Budapeste com a Smith, amiga "very fofinha" que há quase um ano deixou o Brasil para viver um tempo em Dublin, na Irlanda. O fato é que a Smith, assim como outros brasileiros (entre eles o Carlos) que vivem na Europa, tem surtos frequentes de saudade dessa maravilha gastronômica típica da cozinha brasileira.

Se você é um deles e está começando a definhar de tanta vontade de comer coxinha, calma; uma solução é procurar, no lugar em que você vive, um restaurante/bar de brasileiros que prepare a iguaria. Caso não encontre, a dica é a seguinte: vá até Berlim (a cidade mais legal do planeta) e procure o Botequim Carioca, bar brasileiro localizado na capital alemã que, além da porção de coxinhas, tem como ponto alto o excelente atendimento.

Quem me levou até lá para beber e, claro comer coxinhas, foi o Carlos.

Mais informações sobre o bar, em alemão e em carioquês, aqui. Para ver fotos, clique aqui.

O Botequim Carioca fica na Linienstraße 160, esquina com a Kleine Hamburger Straße. Para visualizar o mapa, clique aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O melhor tiramisù de Roma

Você conhece alguém que não gosta de tiramisù? Eu, até hoje, não conheci ninguém, mas, se no seu caso as coisas são diferentes, tenho uma sugestão.

Se, por exemplo, você estiver passeando por Roma com esse ser que diz não gostar do docinho, leve-o até o Bar Pompi e peça dois tiramisùs, um pra ele e outro pra você. A princípio eles parecerão enormes e é bem provável que você pense que não vai conseguir comer tudo. Tsch, tsch, confie em mim: tanto você quanto aquele seu amigo que dizia não gostar da guloseima não só vão raspar o pratinho como ainda serão capazes de repetir.

Passamos dias felizes em Roma e, além da cúpula do Panteão e da visão do Coliseu todo iluminado numa noite linda de luar, confesso que, no meu caso, o tiramisù do Pompi foi um dos pontos altos da estada na cidade.

Quem nos deu a dica foram nossos amigos e anfitriões em Roma, Dé e Davide, que nos disseram que o tiramisù do Pompi era considerado o melhor da cidade e, sendo assim, não podíamos ir embora sem prová-lo. Obviamente, eles tinham toda razão (nunca deixe de seguir as dicas de seus anfitriões e amigos).

Hoje, ao acessar o site do Pompi para escrever este post, me peguei com água na boca e uma vontade louca de comer de novo aquela delícia, o que me fez pensar que, apesar de não fazer parte dos planos de viagem imediatos, mais dia menos dia, vou ter que voltar a Roma para matar a vontade.

P.S.1 O melhor tiramisù de Roma é servido na Via Albalonga, 7b/9/11.

P.S.2 Para visualizar a fachada do Bar Pompi, clique aqui.

Morrissey - When I Last Spoke to Carol

Show do Morrisey no Palladium, ontem, em Colônia, na Alemanha.

Vídeo: Carlos Soares.

Morrissey - Ask

Show do Morrisey no Palladium, ontem, em Colônia, na Alemanha.

Vídeo: Carlos Soares.

Morrisey

Como eu disse aqui, o Carlos anda curtindo bastante a programação musical dos arredores de Aachen e, como não poderia deixar de ser, ele aproveitou o feriado para ir a mais um show feliz. Ontem à noite foi a vez de ver ninguém menos que, ai, ai (suspiro e meu coração acelera só de pensar), Morrisey, no palco do Palladium, em Colônia, na Alemanha.

Como Morrisey é, junto com Chico Buarque, um ser cuja aparição é capaz de me fazer ter um daqueles ataques histéricos típicos das fãs mais desvairadas, não resisti e resolvi dividir com vocês as fotos e os vídeos do show que, por sua vez, o Carlos havia compartilhado comigo.

A seguir, algumas fotos do show de ontem e, nos dois posts subsequentes, os vídeos feitos pelo Carlos.


Foto: Carlos Soares/ Morrisey, Palladium, Colônia

Foto: Carlos Soares/ Morrisey, Palladium, Colônia

Foto: Carlos Soares/ Morrisey, Palladium, Colônia

Foto: Carlos Soares/ Morrisey, Palladium, Colônia

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Na tela em maio de 2009

Classificação: imperdível; excelente; muito bom; bom; regular; ruim; péssimo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

La Biennale di Venezia

Vai a Veneza neste ano? Então programe-se, pois foi aberta ao público no último domingo, com o título Fazer Mundos (ou Making Worlds, Fare Mondi, Bantin Duniyan, Weltenmachen, Construire des Mondes), La Biennale di Venezia.

Além do conteúdo do site da bienal, você confere
aqui mais informações, fotos e notícias quentinhas sobre o evento, que termina em 22 de novembro.

Como Veneza faz parte da nossa próxima aventura pela Europa, o Carlos andou fazendo algumas pesquisas sobre a cidade e encontrou o Fatos & Fotos de viagens, que traz imagens e relatos bacanas (e, num certo sentido, engraçados e controvertidos) a respeito dela; outro blog onde há informações (como os preços estratosféricos dos passeios de gôndola) e fotos de Veneza é o A Janela Laranja, que você acessa aqui.

Kissogram - She´s an Apple Pie

The Maccabees - Love You Better

Show do The Maccabees na última sexta-feira, em Colônia, na Alemanha.

Cortesia do principal colaborador do Pensamentos Inadequados e especialista em shows e viagens na Europa, Carlos Soares.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"Working on a Dream"

Os amigos já devem ter percebido que minha preguiça de São Paulo está cada vez maior (agora dei pra assustar quando alguém esbarra em mim na rua) e eu cada vez mais reclusa; como consequência, saio de casa para cumprir as obrigações básicas (trabalhar, por exemplo) e não tenho feito grandes esforços para ir a shows por aqui. Assim, minha temporada musical, que começou com o show do Radiohead no fim de março (mais sobre o show, aqui), parou por aí, para ser retomada logo mais, no fim deste mês. A primeira parada será o Solidays 2009, em Paris, e a última, o Gent Jazz Festival, em Gent, na Bélgica.

Enquanto isso, do outro lado do oceano, além de desbravar novos horizontes (como os de Varsóvia, na Polônia, no último final de semana), o Carlos, que estará comigo nos shows e festivais que listei
aqui, está a todo o vapor com a programação musical feliz que rola nos arredores da linda cidade medieval onde ele vive (mais sobre ela, aqui).

Há poucos meses, depois de um show do Franz Ferdinand, ele voltou para casa dizendo que legal mesmo tinha sido o show da banda de Berlin que abriu para o Franz, a Kissogram (o show do Franz também foi legalzinho, segundo ele).

Além do Franz Ferdinand, o Carlos viu Seasick Steve e saiu feliz da vida do showzinho super animado, no qual o Seasick, além de conversar com a galera, deixou uma menina subir no palco para cantar (e ela mandava tão bem que todos, inclusive o Seasick, ficaram boquiabertos).

Teve também PJ Harvey e John Parish em Paris, talvez mais um ou outro show (algo me diz que estou esquecendo de algum(ns), mas, como o fuso horário não permite que eu ligue agora para o Carlos para confirmar, fica assim mesmo) e, depois, o Pink Pop 2009, festival holandês dos mais tradicionais da Europa que neste ano completou quatro décadas de existência.


Foto: Carlos Soares/ PJ Harvey e John Parish, Le Bataclan, Paris

Foto: Carlos Soares/ PJ Harvey e John Parish, Le Bataclan, Paris

Foto: Carlos Soares/ PJ Harvey e John Parish, Le Bataclan, Paris

Foto: Carlos Soares/ PJ Harvey e John Parish, Le Bataclan, Paris

Para mim, na qualidade de interlocutora, o Pink Pop foi assim: ao término de cada dia de festival, os comentários eram os melhores possíveis e até os shows do segundo dia, dos quais o Carlos não esperava muita coisa, acabaram surpreendendo.

Foto: Carlos Soares/ Pink Pop 2009

No final das contas, as três escalas (provisórias) do Carlos de melhores shows do Pink Pop 2009 ficaram assim:

1. Bruce Springsteen
2. Snow Patrol

3. Ting Tings
4. Keane
5. Madness

6. Placebo
7. Amy Macdonald
8. The Killers

Aliás, sobre o show do Bruce Springsteen, o último do primeiro dia do festival, o Carlos chegou a dizer que "foi melhor que o do Leonard Cohen" (!) e, sobre o do Snow Patrol, que foi algo de outro mundo, praticamente inexplicável.

Foto: Carlos Soares/ Pink Pop 2009

Foto: Carlos Soares/ Pink Pop 2009

Mas, como o verão europeu está só começando (e, com ele, os inúmeros shows e festivais por todo o continente), antes de zarpar para Varsóvia no último final de semana, o Carlos deu uma passada em Colônia para ver um show de The Maccabees.

Depois do show, recebo um e-mail onde ele diz que tudo tinha sido incrível e que, em muitos momentos, a banda lembrava Joy Division no palco. Joy Division? God, quase comprei um ingresso para o próximo show dos caras onde quer que ele seja (sim, sou daquelas pessoas que preferem Joy Division a New Order e adoram toda aquela suposta melancolia).

Quanto a mim, continuo contando os dias para desembarcar e, em julho/agosto, terei notícias sobre a minha breve temporada de shows ao lado do Carlos, que, ufa, está por começar.

Nos próximos posts, você vê alguns vídeos da trilha sonora que compõe este aqui.

domingo, 7 de junho de 2009

Budapeste: o livro, a cidade, o filme

Quando li Budapeste, o romance de Chico Buarque, fiquei tão extraordinariamente abalada e envolvida por ele que tomei uma decisão: assim que possível, iria a Budapeste.

Claro que antes da leitura a Hungria já figurava nos meus planos de viagem (praticamente todos os lugares do mundo fazem parte deles), mas, depois do livro do Chico, acabei elegendo a capital húngara como uma das minhas prioridades.

Poucos anos depois, parto para um rolê pela Europa e, mesmo com Paris, Praga, Berlin, Roma, Londres, Viena e algumas outras na programação, a chegada a Budapeste era o momento mais aguardado da viagem, aquele no qual eu havia depositado as maiores expectativas.

Num domingo à noite, eu e uma amiga, a Smith, embarcamos em Praga num trem com destino a Budapeste, onde chegaríamos na manhã do dia seguinte; infelizmente, tivemos um contratempo no caminho (relatado aqui), o qual, no fim das contas, fez com que pisássemos pela primeira vez na capital da Hungria com um certo mau-humor.

Saímos da estação de trem e pegamos um ônibus até a casa do nosso anfitrião (membro do Couchsurfing), em Peste (Budapeste é basicamente dividida pelo Rio Danúbio em duas partes, Buda e Peste), e, como chegamos à porta do nosso lar temporário antes do horário solicitado pela pessoa que iria nos hospedar, tentamos encontrar um café onde pudéssemos comer e nos abrigar do frio; como não havia nenhum aberto, ficamos fazendo hora numa pracinha que, apesar de não muito simpática, era próxima dali e tinha uma espécie de mercadinho, bastante providencial naquela circunstância.

Rua de Peste

Edifício em Peste

Na hora marcada, fomos recebidas pelo anfitrião e, algum tempo depois, saímos para flanar pela cidade. Não demorou muito para a neve começar a cair sem trégua e para nós percebermos que o melhor mesmo era entrar num café ou restaurante e passar um tempo ali. Mais tarde, com o céu escuro, acabamos encarando o tempo ruim e arriscamos uma travessia do Danúbio pela Ponte de Széchenyi. Do outro lado do rio, em Buda, bastaram alguns metros de caminhada para resolvermos voltar para casa.

Peste, em frente à Ópera

Ópera em Peste

Edifício em Peste

Praça em Peste

Ponte de Széchenyi sobre o Rio Danúbio

Não consegui dormir direito à noite e, na manhã da terça-feira, achei que seria bom para a minha saúde mental aguardar o momento do meu embarque para Barcelona - que aconteceria somente no dia seguinte - num lugar só meu, já que a Smith partiria naquela tarde. Assim, reservei um apartamento legalzinho pelo Booking.com e nos mudamos para lá na mesma hora, a Smith só até a hora de ir para o aeroporto.

Resolvida a minha questão pessoal, pegamos o metrô até Buda, onde a nossa sorte mudou. Não nevava mais e, no caminho para o castelo, vimos uma velhinha fofa subindo uma escadaria imensa com uma sacola pesadíssima e, claro, fomos até ela e oferecemos ajuda. Embora a velhinha só falasse húngaro, nos comunicamos relativamente bem (ela disse ter algo em torno de noventa anos). Ao chegarmos à porta do edifício onde ela morava, fez com que entrássemos nele e, lá, embarcou conosco num elevador cujas portas abriram num andar com saída para a rua acima da escadaria, providenciando, assim, para que não tivéssemos que subir mais e mais lances de escada. Tiramos uma foto, ela nos beijou e, emocionadas, nos despedimos, após ela nos indicar o caminho para o castelo.

Escadaria que leva ao castelo, em Buda

Mais felizes, passeamos por Buda, admiramos o Danúbio, tiramos fotos, enfim, fizemos um turismo básico pelo local, mas, no fundo, creio que ambas estávamos sentindo algo estranho com relação à cidade.

Rua de Buda

Castelo de Buda

Castelo de Buda

Fishermen's Bastion, em Buda

Vista do Parlamento Húngaro

Rua de Buda

A Smith se foi e, novamente em Peste, depois de andar mais um pouco pelas ruas, de comprar band-aids numa farmácia e entrar num ciber café, fui para o meu apartamento quentinho e, pela primeira vez em muitos dias (talvez meses), liguei a TV e fiquei ouvindo o zunzum da CNN até adormecer, com as luzes acesas.

Na quarta-feira, embora embarcasse no meio da tarde, não acordei cedo para fazer turismo e, depois de conversar um pouco com o administrador do apartamento - que passou todas as coordenadas possíveis para que eu chegasse sã e salva ao aeroporto, encarregando-se, inclusive, de verificar qual era o terminal do meu voo -, rumei para o aeroporto. No caminho, muitas viaturas de polícia e, no próprio aeroporto, policiais interditando uma parte do local. Foi só quando avistei Barcelona pela janela do avião que saí do estado de tensão e comecei a relaxar um pouco.

Posteriormente, pensando sobre a ida a Budapeste e sobre o que me dissera o administrador do apartamento onde me hospedei a respeito da origem de seu povo, percebi que os pequenos transtornos ocorridos por lá não haviam sido os responsáveis pelo meu estranhamento. Budapeste foi, sem dúvida, o único lugar do mundo (e da Europa, principalmente) onde, até hoje, senti medo sem que houvesse uma razão palpável (e creio que, de fato, não exista nenhuma). Não me arrependo nem por um segundo de ter ido e vou voltar, para tirar a teima. Mas, de qualquer forma, como me disse o rapaz do apartamento (cujo nome não me lembro), o povo húngaro é descendente dos mongóis e tanto a sua língua quanto a sua cultura são completamente diferentes das dos países que o cercam. Apesar da proximidade, na essência, húngaros não têm nada a ver com tchecos, poloneses ou romenos. No meu caso, enquanto em Praga me senti absolutamente em casa, penso que, para definir o meu estado de espírito em Budapeste, não há expressão mais apropriada que o nome do meu filme preferido, ou seja, me vi completamente "lost in translation" na cidade que empresta seu nome ao romance de Chico Buarque.

Recentemente, em São Paulo, fui assistir ao Budapeste, filme de Walter Carvalho, e, assim, como contei os minutos para ir embora de Budapeste, a certa altura da sessão comecei a desejar que cada uma das cenas fosse a última, para que eu pudesse sair logo dali.

Por favor, não me entenda mal. O filme é bom e vale pelas imagens de Budapeste, mas, assim como da minha estada na cidade, o que sobrou do filme foi uma mistura de angústia e de estranhamento, com uma dose de opressão.

No fim das contas, o livro continua na minha lista dos melhores do mundo e o filme eu provavelmente não vou ver de novo. Agora, a cidade, definitivamente, é uma história inacabada e, nesse ponto, me sinto um pouco como o protagonista de Budapeste. Em todo caso, quando voltar pra lá, prometo que conto como tudo terminou.

P.S.1 Mais sobre terminais de aeroportos na Europa, especificamente os de Budapeste, aqui.

P.S.2 Para saber mais sobre a Hungria, recomendo os romances do escritor húngaro Sándor Márai.

P.S.3 Se for a Budapeste, sugiro que se hospede em Buda (farei isso na próxima visita).

P.S.4 Todas as fotos deste post são minhas.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

No walkman em maio de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Nos horizontes do mundo"

Faz alguns anos que, na tentativa de diminuir a tristeza e o desespero que insistiam em permanecer instalados no meu peito, machucando e comprimindo a caixa toráxica, resolvi arrumar uma das estantes de livros cuja visão diária é um dos elementos responsáveis pelo meu conforto psicológico. Porém, antes de começar a escalada e a arrumação da minha montanha mágica, coloquei alguns CDs do Paulinho da Viola para tocar e, com o volume relativamente alto, iniciei a ordenação dos livros de acordo com a sua importância para mim.

Os volumes de Direito foram parar na prateleira mais alta, a mais distante do alcance das mãos e dos olhos; os de Filosofia foram reunidos em patamares acessíveis, com filósofos e seus respectivos comentadores lado a lado. (Posso tê-los abandonado, mas, quando menos espero, um deles salta na minha frente, surgido de alguma das sombras dos meus pensamentos, que, passei a notar, estão cheias deles.)

Biografias, livros de História e de poesia separados, sobraram os romances (o melhor ficou para o final), que acabaram tomando os espaços mais privilegiados da estante.

Enquanto mexia nos livros procurando a melhor maneira de organizá-los, eu ouvia o Paulinho cantar e cantar e, a certa altura, a conversa silenciosa que mantinha com meus filósofos e escritores preferidos foi interrompida pela alegria melancólica da poesia e da voz que vinham das caixas de som.

Não que eu não gostasse da melodia; é que, naquele momento, as palavras e a voz que as diziam começaram a surtir efeito curativo e apaziguador sobre mim.

Aquele vinha sendo um período em que tudo o que eu andava conseguindo escutar eram as palavras catastróficas de Macbeth, gritando nos meus ouvidos que a vida era uma história idiota, cheia de fúria e de muito barulho, que nada significava.

Mas aí, inadvertidamente, presto atenção e ouço um cara falando sobre o mundo e os seus horizontes, e ouço e ouço mais e mais vezes, e o barulho e a fúria vão amainando, até que, um dia, embora continuasssem lá, passei a não notá-los.


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Quem já perdeu uma pessoa muito próxima e querida em circunstâncias trágicas sabe que a revolta, o desespero e a dor são inevitáveis e que, no fim das contas, o transcurso do tempo é a única coisa capaz de fazer os dois primeiros esmorecerem e, a última, transformar-se. Desaparecer? Acredito que não. Mas, em todo caso, como me dizia o Paulinho naquela tarde da arrumação da prateleira,

"Nos movimentos do mundo
cada um tem seu momento
todos têm um pensamento
de vencer a solidão
e quem pensar um minuto
saberá tudo dos ventos
e se tiver sentimento
estenderá sua mão.
(...)
Nos movimentos do mundo
requerer perdas e danos
é abrigar desenganos
sem amor e sem perdão
nos horizontes do mundo
não haverá movimento
se o botão do sentimento
não abrir no coração."