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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cidades de brinquedo

Óbidos

Não sou a única a dizer isso e também é bastante provável que o meu atual deslumbre por lugares tranquilos tenha algo a ver com a minha crescente aversão aos grandes aglomerados urbanos, mas o fato é que não precisei de muito para me convencer de que o grande charme da Europa são as pequenas cidades.

Aliás, para mim, de maneira geral, anda valendo a regra do "quanto menor melhor" e, no caso de Monschau e de Óbidos (que você vê nas fotos deste post), elas são mais que pequeninas: são praticamente cidades de brinquedo.
Monschau
Monschau
Estive em Monschau (Alemanha) em junho/julho deste ano e em Óbidos no último mês, quando dei um rolê só por cidades de Portugal, e posso dizer que ambas estiveram entre os destinos mais bacanas e mais fofos das respectivas trips.
Monschau
Óbidos
As duas cidades devem seu charme tanto à arquitetura (Monschau, que não foi destruída durante a segunda guerra, conserva as mesmas construções há séculos, e Óbidos, com suas casinhas brancas com detalhes amarelos e azuis, localiza-se dentro das muralhas de um castelo) quanto à natureza, que explode em cores dentro e fora dos limites de cada uma delas.

Monschau
Monschau
Óbidos

Óbidos

Uma manhã ou uma tarde são mais que suficientes para visitá-las; porém, se você não estiver com pressa e, por outro lado, estiver curtindo um passeio a dois ou quiser um pouco de sossego, vale a pena dormir por lá para, no dia seguinte, continuar a viagem.

Monschau
Óbidos
Não dormi em Monschau mas, em Óbidos, o fim da tarde e o começo da noite foram permeados por uma névoa que, inicialmente fraca, adensou-se até encobrir toda a cidade, criando um clima mágico e misterioso. No dia seguinte, um morador me explicou que, como Óbidos está muito perto do mar (há anos, dizem, o mar batia na encosta do castelo), é comum que à noite a névoa vinda dele tome conta da cidade.
Óbidos
Óbidos
Para completar a alegria do visitante e para que você, como eu, acabe exclamando "Uau, parece de brinquedo!", é possível ter vistas panorâmicas das pequenas e lindinhas Monschau e Óbidos, sendo que, nesta, o visual fica por conta de um rolê inusitado pelo alto das muralhas que a cercam.
Monschau
Óbidos
Óbidos

Óbidos

P.S.1 Óbidos fica perto de Lisboa e a viagem de ônibus leva mais ou menos uma hora, o que significa que um bate-e-volta é totalmente possível. A empresa de ônibus responsável pelo trajeto é a Rodoviária do Tejo (Rodotejo). Ao efetuar a consulta de horários, no menu Serviço, escolha a opção Rápidas. O ônibus parte da estação de metrô Campo Grande, onde a coisa toda é um pouco confusa. Em caso de dúvida, pergunte!
P.S.2 Para se hospedar em Óbidos, recomendo fortemente a Casa do Relógio.
P.S.3 Mais informações sobre Monschau, aqui; sobre Óbidos, aqui e aqui.
P.S.4 Não se assuste se, mais dia menos dia, a autora deste blog passar a escrevê-lo de alguma cidade de brinquedo.
P.S.5 As fotos deste post são minhas.

sábado, 18 de julho de 2009

Leonard Cohen, Colônia e o amor


De volta ao Brasil, já posso divulgar, como prometido no último post, a lista dos melhores shows da viagem.


Mais uma vez (o mesmo aconteceu no ano passado),
Leonard Cohen e os excelentes músicos que o acompanham ficaram em primeiro lugar e o show de quase três horas em Colônia, na Alemanha, foi ainda mais emocionante que o de 2008, em Londres.


Durante o show, os alemães se mostraram pelo menos cinco vezes mais empolgados que os ingleses; cantavam, aplaudiam e demonstravam tanta adoração pelo escritor, compositor, cantor e monge budista que o resultado da apresentação foi Leonard encerrando o show (depois de três retornos ao palco) abraçado aos músicos, num discurso emocionado de agradecimento. A essa altura, quem estava na pista já havia abandonado sua cadeira há muitas músicas para compartilhar, o mais próximo possível do palco, a alegria e o prazer que vinham de lá.



Aliás, é importante notar que o encanto do show não está apenas em Leonard Cohen; os músicos que o acompanham são uma história à parte e, como disse a Sophie, amiga que esteve conosco no show de Colônia, tudo é muito delicado, elegante e chic. É difícil não se encantar, por exemplo, com o sorriso, a voz clara e poderosa e o gestual sutil e sem afetação de
Sharon Robinson, compositora, cantora e uma das backing vocals de Leonard que, entre outras coisas, produziu e escreveu com ele as músicas de Ten New Songs, disco de 2001 em que ela aparece ao seu lado na capa.




Para mim, o show de Colônia teve um fator extra: se no de Londres eu estava ansiosíssima para saber o repertório e para ver e ouvir Leonard Cohen, no de Colônia, menos tensa, acabei prestando mais atenção aos detalhes. Além disso, estávamos muito perto do palco, de forma que foi possível observar os músicos, seus movimentos e expressões sem a ajuda do telão (o que, no caso de um show como esse, faz toda a diferença).





No mais, para chegar ao lugar do show (que, de uma certa forma, é uma celebração do amor), havíamos cruzado o Reno pela Ponte Hohenzollern, onde o número de
cadeados do amor (que você vê nas fotos abaixo) não para de crescer. Num determinado momento, Leonard contou que naquele dia havia atravessado a ponte, colocado seu cadeado nela e jogado a chave no rio para, depois, do outro lado do Reno, onde fica a Catedral de Colônia, acender uma vela. Com humildade, simplicidade e simpatia, continuou, lembrando o quão privilegiados éramos, banda e público, por, num mundo como o nosso, podermos estar ali naquela noite, nos divertindo tranquilamente.




Por essas e por outras, eu, que, há algum tempo, de fã virei devota, continuo insistindo: se puder, reúna esforços e compre um ingresso e uma passagem, mas não passe pela vida sem ir a um show de Leonard Cohen.

Fotos: Camila Guido e Carlos Soares

sábado, 20 de junho de 2009

Coxinhas em Berlim

"Coxinha. Coxinha, coxinha, coxinha. Meu Deus, Camilinha, que vontade de comer coxinha."

A frase que você acabou de ler foi uma das mais faladas durante a viagem, no final de 2008, por Viena, Praga e Budapeste com a Smith, amiga "very fofinha" que há quase um ano deixou o Brasil para viver um tempo em Dublin, na Irlanda. O fato é que a Smith, assim como outros brasileiros (entre eles o Carlos) que vivem na Europa, tem surtos frequentes de saudade dessa maravilha gastronômica típica da cozinha brasileira.

Se você é um deles e está começando a definhar de tanta vontade de comer coxinha, calma; uma solução é procurar, no lugar em que você vive, um restaurante/bar de brasileiros que prepare a iguaria. Caso não encontre, a dica é a seguinte: vá até Berlim (a cidade mais legal do planeta) e procure o Botequim Carioca, bar brasileiro localizado na capital alemã que, além da porção de coxinhas, tem como ponto alto o excelente atendimento.

Quem me levou até lá para beber e, claro comer coxinhas, foi o Carlos.

Mais informações sobre o bar, em alemão e em carioquês, aqui. Para ver fotos, clique aqui.

O Botequim Carioca fica na Linienstraße 160, esquina com a Kleine Hamburger Straße. Para visualizar o mapa, clique aqui.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Uma Garota Dividida em Dois"

Foto: Camila Guido

Ao escrever sobre Bruges no post Em Bruges, de 12 de janeiro de 2009, eu cometi algumas impropriedades quando disse que a melhor parte do meu coração havia ficado perdida pela Europa.

A primeira delas diz respeito ao local da suposta "perda", indicado de forma genérica como sendo o continente europeu; já a segunda consiste na palavra perda, pois o melhor pedaço do meu pequeno coração não ficou perdido. Pelo contrário, ele não poderia estar em melhores mãos, guardado com mais amor do que eu jamais ousei imaginar, na (fofa) cidade de Aachen, na Alemanha.

Confesso, portanto, desde já, que há um inegável toque sentimental na minha opinião a respeito da cidade, mas, francamente, eu não diria para você inseri-la no seu roteiro se, a despeito de qualquer coisa, Aachen não fosse uma graça.

Aken ou Aix La Chappelle, em Holandês e Francês, respectivamente, é muito próxima da Holanda e da Bélgica (aproximadamente três horas de trem de Amsterdã e uma hora de Bruxelas, o que significa que, com mais uma hora, você pode desembarcar em solo francês e pisar em Paris) e, embora seja uma cidade relativamente pequena (259.344 habitantes, segundo a Wikipédia), é bastante movimentada.

De acordo com a quinta edição do Europe on a Shoestring, da Lonely Planet, Carlos Magno fez dela, em 794, a capital de seu império e, de 936 a 1531, trinta imperadores do Sacro Império Romano-Germânico foram coroados na catedral construída por ele e que é (talvez por não ser enorme) uma das mais lindas catedrais em estilo gótico que eu já vi.

Assim, em razão dos aspectos históricos e também devido a suas termas, à universidade, a algumas indústrias e à grande proximidade com outros países, Aachen é bastante agitada e diversificada. Bares, restaurantes (tailandês, japonês, colombiano, indiano, paquistanês, alemão - ops, quase esqueci -, etc.), monumentos e fontes tendo como ponto principal o pequeno centro antigo medieval fazem dela uma cidade sui generis e meio mágica.

Uma caminhada noturna pelo centro, ao som dos nossos passos, com a catedral a nos observar com a calma e a impassibilidade de um ser de centenas de anos (e a nos recordar, a cada vez que desviamos o olhar em sua direção, da sua beleza digna e estonteante), é uma experiência carregada de um certo encantamento, que vem acompanhado por aquela sensação de relatividade que temos diante de símbolos de espaço e de tempo infinitos, como, por exemplo, um céu estrelado.

Durante o dia, não deixe de entrar em um dos cafés ou casas de chá para se deliciar com as Printens - umas bolachinhas típicas que se parecem um pouco com um pão de mel - e com as tortas e bolos alemães. Digo isso porque, andando feliz e a esmo pelo centro, vi uma casa de chá repleta de velhinhos e velhinhas fofíssimos e irresistíveis (há centenas deles passeando pela turística Aachen) e de doces apetitosos na vitrine e não suportei: entrei. Após escolher um pedaço de uma torta de cereja sobre a qual, a princípio, eu não estava muito certa, fui informada de que, para também tomar um café, teria que me sentar no andar superior; subi e sentei em meio ao que me pareceu o mais alegre encontro de senhores e senhoras do planeta e, café e torta à mesa, fui tomada, imediatamente após o primeiro bocado de torta, pela mesma sensação que, acredito, o Scooby Doo tem ao comer os Biscoitos Scooby! Ou seja, após um processo de degustação acompanhado de levitação, saí do salão de chá me sentindo a mais feliz das mortais.

Agora, se você visitar a cidade durante a realização de alguma feira, considere-se uma pessoa de sorte. Enquanto estive zanzando de país em país, fui a algumas feiras de Natal, onde são vendidas comidinhas, bebidinhas e badulaques em geral, mas nenhuma chegava aos pés da de Aachen. Passei duas tardes e uma noite como boba, perambulando pela feira, onde até um ser rabugento e impaciente como eu com assuntos relacionados a compras (especialmente de pequenos objetos) conseguiu olhar todas as barriquinhas e ter vontade de adquirir praticamente tudo o que viu. Não bastasse o capricho das barraquinhas e dos artigos à venda, a feira é realizada no pequeno centro antigo, em meio a construções medievais, música, aromas de comidinhas e vinho quente. O que mais um ser humano pode desejar numa tarde fria de dezembro?

P.S.1 Há uma fábrica da Lindt em Aachen, onde você, caro consumidor e turista chocólatra, pode comprar quantos chocolates quiser por preços incrivelmente baixos. Tentador, não? Para ver a localização, clique aqui.

P.S.2 Para fotos de Aachen, clique aqui.