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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

De Bier Tempel


Okay, prometo que, por enquanto, este será o último post sobre cervejas em Bruxelas; é que, agora, trata-se de uma dica sobre onde comprá-las e não sobre onde bebê-las.

O nome da lojinha é De Bier Tempel e ela fica muito perto do Délirium Café (mais sobre o Délirium, aqui), na Rue du Marché aux Herbes 56b; lá é possível adquirir cervejas e mais cervejas belgas, além de acessórios mil relacionados ao assunto (camisetas, livros, souvenirs etc.). Acredite: vale a pena entrar e passar um tempinho perdido por lá.




Dica logística: se você está interessado em comprar muitas garrafas para trazer para casa (afinal, é impossível manter uma vida financeira saudável consumindo cervejas belgas com frequência no Brasil), deixe Bruxelas para o fim da trip. Do contrário, já sabe: terá que carregar suas aquisições pelo resto da viagem ou, claro, bebê-las antes de chegar em casa. :)

Onde beber em Bruxelas (terceira parte) ou tomando a saideira com o Manneken Pis


Para completar a trilogia alcóolica do último dia do Rock Werchter (os outros dois momentos etílicos da mesma data você confere aqui e aqui), eu e o Carlos, depois de darmos um rolê por ruas menos turísticas de Bruxelas, nos jogamos no Poechenellekelder, bar que fica em frente ao Manneken Pis, e tomamos nossas saideiras.

Por ficar perto do super mimado e badalado garotinho (mais sobre ele, aqui), o Poechenellekelder é um alvo óbvio para os visitantes cervejeiros.

Dentro do bar, além dos típicos bonecos pendurados e de outros em tamanho natural que ocupam uma mesa próxima à escada que leva ao piso inferior, uma babação de ovo básica ao Manneken num quadrinho com fotos que registram a estátua usando algumas das roupinhas de seu amplo guarda-roupas.




Hoje, pensando naquele fim de tarde, o Poechenellekelder, espaçoso e iluminado pela claridade que ainda vinha da rua, foi, certamente, a melhor escolha para as últimas cervejas do dia. Seasick Steve e Nine Inch Nails que me perdoem, mas não me arrependi da troca. :)

P.S. Mais sobre o Poechenellekelder, aqui.


domingo, 23 de agosto de 2009

Onde beber em Bruxelas (segunda parte) ou elefantes cor-de-rosa no Délirium Café


A segunda parada cervejeira (a primeira você lê
aqui) do último dia do Rock Werchter foi o super pop Délirium Café, localizado em um bequinho/ruazinha sem saída não muito longe da Grand Place.

O bar é bem grande, com pelo menos dois ambientes: um no nível da rua, no qual a cerveja escolhida é tirada do barril, e outro no subsolo, onde o líquido divino é servido na garrafa. Neste ponto, preciso dizer que não estou certa quanto à existência ou não de barris no subsolo, pois o Délirium Café foi, num curto espaço de tempo, o momento da terceira ou quarta cerveja do dia. Obviamente, isso não seria um problema caso estivéssemos falando sobre cervejas como as nossas, cujo teor alcóolico não é tão alto. Porém, quando se trata das belgas (como era o caso), com uma média de oito por cento de álcool por garrafa, a coisa muda de figura, e a mim só resta advertir que qualquer imprecisão nas informações contidas neste post são consequência do seu próprio objeto. Afinal, você não queria que eu escrevesse sobre bares e cervejas belgas sem experimentá-las, não é mesmo?




Foi no Délirium Café que experimentei, pela primeira vez, a Delirium Tremens, a cerveja belga do elefante cor-de-rosa; acabei gostando tanto que, ao longo da viagem, repeti a dose. Informação importante: o elefantinho é mesmo poderoso e mágico, bastando um copo para que se multiplique. Jogue-se na Delirium, mas fique esperto, pois, oito e meio por cento de teor alcóolico por garrafa e, duas ou três rodadas depois, você estará vendo elefantes de todas as cores.


Caso o seu paladar não seja muito afeito às beldades belgas (é difícil imaginar uma coisa dessas, mas, como tudo é possível, não vou descartar a hipótese), você não deixará de se divertir no Délirium Café, que inclui, entre as mais de duas mil cervejas do cardápio, exemplares do mundo inteiro (consulte o menu no site do bar).

O Délirium Café fica na Impasse da la Fidélité 4A - 1000. Se passar por lá, tome uma cerveja por mim. :)


P.S. As fotos deste post são minhas.

domingo, 16 de agosto de 2009

Onde beber em Bruxelas (primeira parte) ou Toone, o meu escolhido


Quem leu o último post sobre o Rock Werchter (Rock Werchter 2009 ou quatro dias de shows, sol, calor e muita poeira) talvez tenha estranhado a quantidade de dias mencionada no título (quatro) e aquela citada no texto (cinco).

A explicação é simples: o festival de fato tem cinco dias e nós havíamos comprado o "combo" que dava direito a todos eles. Porém, embora a vontade de ver os shows do Seasick Steve e do Nine Inch Nails fosse grande, o cansaço e a tentação de ir a Bruxelas (que fica pertinho de Leuven) no domingão para dar um rolezinho pela cidade e rever o meu bar preferido, o Toone (sobre o qual eu já havia falado aqui), foram maiores.

Além disso, eu e o Carlos tínhamos feito tanta propaganda e prometido ao Mac (amigo que, com a Lili, nos encontrou em Leuven) que iríamos levá-lo ao Toone, que o melhor mesmo foi abandonar o último dia do Werchter e passar um domingo feliz com os amigos em Bruxelas, passeando e tomando cerveja belga.




Depois de almoçarmos em um dos vários restaurantes da rua onde fica o Toone, entramos no bar, que, naquele horário, ainda estava vazio, e demos início a nossa peregrinação dominical (para mim e para o Carlos, o Toone seria o primeiro de três bares naquela tarde).


Com um certo peso na consciência, deixei de lado minha fidelidade à Duvel e, dessa vez, pedi uma Kwak, a cerveja que você vê na segunda foto abaixo.



Para ser franca, eu andava cobiçando a Kwak há tempos e não me arrependi da traição, pois, além de ser muito boa, achei divertido o charminho do copo ampulheta com o suporte de madeira e entendi o porquê da preferência dos belgas pela cerveja (em noites de bar lotado, eu havia observado que praticamente todas as mesas pediam Kwak).

Uma ou duas rodadas no Toone e rumamos para o segundo bar do dia, o pop Délirium Café, em cuja rua, além do bar em si, encontrei algo que procurava há um tempinho. Mas, isso é outra história, e, se você se ligou no título deste post, deve ter percebido que o relato das aventuras em Bruxelas está só começando.

Para terminar, segue um trechinho de outro post (Cervejas, chocolates e marionetes), com mais detalhes sobre o Toone - incluindo o endereço - e, na sequência, fotos do bar que, ai, ai, me deixaram morrendo de saudade.

"E para degustar a Duvel e outras preciosidades, o bar eleito foi o Toone (que ganhou meu coração e minha preferência absoluta em termos de bar em Bruxelas, embora, segundo o Carlos, existam outros com mais opções de cervejas), localizado na 6 Impasse Schuddevelde, numa entradinha que, exceto por uma faixa suspensa indicando o teatro de marionetes, é de difícil visualização. Sim, há um teatro de marionetes no local e, dentro do bar, na sala intermediária, há bonecos numa espécie de palco e arquibancadas de madeira recolhidas, dando a impressão de que o bar pode se transformar num teatro a qualquer momento. Os espetáculos de marionetes (a peça em cartaz era Drácula) podem ser vistos por volta das oito horas da noite, creio que numa sala separada do bar. Infelizmente, não conseguimos vê-los em nenhuma das ocasiões em que estivemos lá, pois não chegamos a tempo. O Toone conta ainda com um simpático morador felino que costuma fazer suas aparições no final da noite, quando o bar já está ficando vazio, e que é uma graça."







P.S.1 O Toone fica em uma das ruazinhas que desembocam na Grand Place.

P.S.2 As fotos deste post são minhas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Rock Werchter 2009 ou quatro dias de shows, sol, calor e muita poeira


Além de alguns dos melhores shows da trip de junho/julho passados, o Rock Werchter foi responsável por outros momentos interessantes, como o da apresentação de Emilíana Torrini e da dos americanos ensandecidos do Yeah Yeah Yeahs (para os quais, infelizmente, eu não tinha mais forças; vi o show do lado de fora do cirquinho e acredito que isso acabou contribuindo para que os caras não entrassem na lista dos melhores shows da viagem).

Yeah Yeah Yeahs

Também vimos Regina Spektor e Elbow, que decepcionaram um pouco, e Placebo, The Killers e Franz Ferdinand, cujos shows surpreenderam.

Regina Spektor

Placebo

Franz Ferdinand

Se, por um lado, o Werchter contribuiu para a lista dos melhores shows da viagem (aqui e aqui), por outro, proporcionou todo o material para a dos piores. No caso, os vencedores da categoria de shows mais chatos da trip foram Coldplay e Oasis, nessa ordem. Tudo bem, não gosto de nenhuma das duas bandas, mas juro que estava com boa vontade. O Oasis começou bem e a primeira meia hora teve um quê de Rolling Stones que me deixou esperançosa (chegamos a comentar, eu e o Carlos, que os caras estavam mandando bem e tal), mas, depois, algo misterioso aconteceu e o repertório foi ficando chato, chato, chato, até se tornar tedioso. Já para o Coldplay não houve esperança: a primeira meia hora foi um martírio e, depois disso, entreguei os pontos e peguei o caminho da roça para a cidade, sonhando com minha caminha de hotel e tentando abstrair a música enquanto andava até os ônibus.

Entretanto, feliz ou infelizmente, um festival não é feito só de bandas e, para um estrangeiro, participar da festa significa observar como a população local se comporta e como funcionam as coisas (organização etc.). Tem também o fato de que, em razão do festival desejado, você acaba indo parar em cidades que talvez não viesse a conhecer de outra forma, pois nem sempre são tão turísticos os locais onde os shows acontecem.

Apesar de ter apenas dois palcos, o Werchter é um festival grandão, de cinco dias, que rola na cidade de mesmo nome, numa espécie de zona rural. Há áreas para camping, mas muita gente, como aconteceu comigo e com o Carlos (que foi ao Werchter pela segunda vez), fica em Leuven, uma cidadezinha universitária belga super charmosa (que vale a visita), localizada a uns vinte minutos do local do festival.

Leuven

Como a organização do Werchter é animal, é muito fácil ir de Leuven até ele: basta pegar um dos muitos ônibus gratuitos que saem da estação de trem da cidade, com a finalidade exclusiva de transportar o público do festival. Para voltar, a mesma coisa. Ah, e sem muvuca: assim que os assentos dos ônibus lotam, os motoristas dão a partida. Às vezes, mesmo com bancos vazios, os veículos partem. A foto que você vê imediatamente abaixo foi tirada no primeiro dia do festival, em que a galera estava chegando e embarcando para os campings, o que significa que ela não reflete a realidade diária de quem está em Leuven, pois, no geral, não há filas e, quando há, andam muito rápido.



Ficou empolgado e tá pensando em ir ao Werchter no próximo ano? Okay, eu recomendo, porém, prepare seu espírito guerreiro e tenha em mente o seguinte: cansa. Tudo é muito organizado e o clima, como diz o Carlos, é de paz e amor (uma multidão e nem uma briga sequer), mas você terá que enfrentar, diariamente (caso fique em Leuven, como nós), um trecho a pé de aproximadamente vinte minutos para ir do local onde param os ônibus até a entrada do festival e o mesmo percurso cruel na volta (sendo que a ida normalmente será sob o sol escaldante e, a volta, sob o peso do cansaço e do sono). No primeiro dia até que é tranquilo, mas, a partir do segundo, o bicho começa a pegar. A cada novo trajeto o Carlos dizia que tinha certeza que alguém havia aumentado o caminho, pois é exatamente essa a impressão que se tem.

Falando em sol, o festival acontece durante o verão europeu e, como eu disse aqui, o primeiro dia do Werchter foi um dos mais quentes da minha vida. A galera fica toda espalhada pela grama/terra tomando cerveja, sorvete, raspadinha etc. e grande parte das meninas do local usa tops de biquíni; ou seja, o festival vira uma espécie de praia, só que sem água. E, Deus, como eu desejei um pedaço de mar, uma piscina, uma poça, qualquer coisa onde eu pudesse mergulhar e aliviar o desespero causado pelo calor!


Como em toda praia muvucada, é claro que rola farofa. As muitas barracas de comida ficam o tempo todo lotadas e o público se espalha pelo chão/poeira com suas guloseimas, cujas embalagens acabam ficando por ali mesmo. Daí os meus pedidos contínuos (que foram atendidos) para que as divindades mantivessem a chuva bem longe da Bélgica, pois, embora eu estivesse podre de calor e querendo água, a idéia da lama com o lixo não estava me agradando.


Por último, os banheiros. São muitos e a fila anda rápido (muitas vezes nem há fila), mas, ao mesmo tempo, são químicos e servem milhares de pessoas. Resultado: ficam nojentinhos. Devo ser justa e admitir que já vi banheiros químicos bem mais bizarros que aqueles (rola uma limpeza, uma espécie de sucção dos dejetos não sei quantas vezes ao dia), mas, de qualquer forma, o uso contínuo e diário das casinhas nessas condições acaba embrulhando o estômago. Um dia passa, dois também, mas, a partir do terceiro, enjoa.

Veja, não quero dizer com tudo isso que o Werchter seja uma roubada, porque não é. Ao contrário: é um festival grande e muito bem organizado, com uma produção no mínimo curiosa (onde Nick Cave e Coldplay tocam no mesmo palco), em que o público é feliz e divertido (o telão mostra com frequência as reinações da galera) e a cerveja disponível é belga (infelizmente não é Duvel e companhia, como aconteceu no Gent Jazz Festival, e nem é das mais geladas, mas quebra o galho).

No meu caso, alguns shows inesquecíveis e muita poeira depois, não posso dizer que não volto.

Fotos: Camila Guido e Carlos Soares

terça-feira, 19 de maio de 2009

Barcelona, Bruxelas, Londres, Paris e Praga: onde ficar

É muito provável que, ao ler o post Um teto pra chamar de seu ou a vida depois dos trinta, você tenha notado que, na hora de planejar uma viagem, onde ficar é uma das minhas grandes preocupações e, claro, uma das prioridades na hora do planejamento. Assim, por mais que a internet tenha tornado tudo bastante simples e prático, sempre fico feliz quando recebo uma boa dica de hospedagem (que costumo seguir).

Pensando nisso, a partir de critérios como limpeza, segurança, localização, aconchego e preço, seguem algumas sugestões para o seu mais que merecido descanso após um dia exaustivo de férias:

BARCELONA

Hotel Principal: Ótimo hotel, com excelente localização.

Barcelona, Park Güell

BRUXELAS

ApartmentsApart Brussels: para saber mais sobre as minhas impressões a respeito dos apartamentos da rede ApartmentsApart de Bruxelas, clique aqui.

Bruxelas, Grand Place

LONDRES

Europa House Hotel: Aconchegante é a palavra que melhor define o Europa House. Além disso, está localizado a uma quadra do metrô (e praticamente atrás do Hyde Park), tem ótimas acomodações (só não espere elevador), o pessoal da recepção é atencioso e prestativo e há vários restaurantes nos arredores.

Jurys Inn Chelsea: perde em localização e aconchego para o Europa House, mas não deixa de ser uma boa opção.

Londres, Rio Tâmisa, Parlamento

PARIS

Hotel Beausejour Montemartre: ótima localização, o quarto triplo era grande e o café da manhã (que não está incluído no diária) vale o quanto custa. Considerando que em Paris a hospedagem costuma ser cara, o preço do Beausejour é bem razoável. O atendimento decepciona um pouco, mas nada que seja irremediável.

Etap Hotel Paris La Villette: antigo conhecido do Carlos, eu diria que, sem abrir mão de algum conforto (como banheiro no quarto), o Etap La Villette é uma ótima opção para uma estada econômica em Paris. Não está localizado propriamente no meio da badalação, mas fica a poucos passos do metrô.

Interior da Notre Dame de Paris

PRAGA

Hotel Angelis: perto do metrô, acomodações excelentes (a ponto de superar as expectativas), pessoal do hotel simpático e ótimo preço.

Praga, Praça da Cidade Velha

P.S.1 Com exceção do Europa House Hotel, a reserva de todos os outros hotéis pode ser feita pelo Booking.com, que, normalmente, tem tarifas melhores.

P.S.2 Todas as fotos deste post são minhas.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Cactus Festival 2009


Não consigo evitar: mais um post sobre a Bélgica! Culpa do Carlos, que me falou sobre o Cactus Festival 2009, que acontece nos dias 10, 11 e 12 de julho, em Bruges. Na programação estão Tracy Chapman, Paul Weller, Calexico, Lamb e The Notwist.

Se você ainda não colocou os seus pezinhos em Bruges e pretende fazer uma visita à Europa em julho, que tal aproveitar para passar um final de semana em uma das cidades mais lindinhas do velho mundo e, de quebra, ver uns showzinhos?

Lembre-se: será verão na Europa e o festival rola ao ar livre, no Minnewaterpark, que, dizem, é estupidamente bonito.

Numa boa, é difícil resistir!

P.S.1 Leonard Cohen tocou no Cactus no ano passado. Felizes os que viram...

P.S.2 Para fotos de Bruges, clique aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Cervejas, chocolates e marionetes

Foto: Camila Guido/Bruges

Chegamos à Bélgica sem maiores expectativas para uma estada de menos de vinte e quatro horas. Vínhamos de Paris e estávamos encarando nossa passagem por Bruxelas, sua "vizinha", como uma espécie de bônus. Já havia anoitecido e chovia um pouco quando saímos da estação de metrô Ste-Catherine/St-Katelijne e começamos a caminhar em busca do escritório onde deveríamos apanhar as chaves dos apartamentos reservados pela internet. Embora tivéssemos algumas coordenadas, estávamos um pouco perdidas quando recebemos a ajuda de dois cavalheiros, que, apesar de não serem da cidade, empreenderam todos os esforços para nos colocar na rota certa. E conseguiram.

Chegando ao escritório, recebemos instruções acerca dos nossos apartamentos e, de posse das chaves e de um precioso mapa, reiniciamos a caminhada. Na rua, uma senhora pergunta se precisamos de ajuda, verifica o endereço e o nosso “plano de rota” e, certa de que estamos na direção correta, segue seu caminho.

Encontramos facilmente o nosso novo endereço e, ao abrir as portas dos apartamentos, não conseguimos conter os gritinhos de contentamento: l i n d o s!

Após a chegada do último membro da aventura, saímos, ainda sem grandes expectativas - mas, sem dúvida, já satisfeitas por termos optado pelo bônus -, para dar uma volta pela cidade, comer alguma coisa e, claro, beber algumas cervejas.

Apesar da chuva e do frio, há bastante gente nas ruas e a nossa primeira parada é a fonte do Manneken Pis, estátua de um garotinho fazendo xixi que, acredite, é um símbolo nacional. Além de ser uma sensação para as câmeras dos inúmeros turistas que se reúnem para vê-lo, o Manneken Pis possui um guarda-roupas com mais de cem roupinhas que são trocadas de acordo com a festividade ou a data. Mas o Manneken não é o único a fazer pose; embora menos famosa e bem mais escondida (tanto que, enquanto estávamos lá, não conseguimos encontrá-la), há a Jeanneke Pis
, estátua de uma garotinha que, como a versão masculina na qual foi inspirada, também passa os dias a fazer xixi em público.

É curta a distância que separa a fonte do Manneken Pis da Grand Place, tida por alguns como a praça mais bonita da Europa. Mais uma vez, recorro à minha edição do Europe on a Shoestring Guide e descubro que o Hôtel de Ville, edifício em estilo gótico - que, como diz o próprio guia, é esplêndido – localizado na praça, foi o único prédio a escapar do bombardeio francês em 1695 (o que, conforme assinala o guia, é irônico, já que ele era o alvo).

Foto: Camila Guido/Bruxelas, Grand Place, Hôtel de Ville

Além de linda, a Grand Place tem atrativos importantíssimos, como as lojas da Godiva (não deixe de tomar o chocolate quente) e da Neuhaus, cujos chocolates são estonteantes. Agora, você não precisa gastar seus euros em nenhuma delas (que são mais caras do que as demais) para saborear um ótimo chocolate belga, que, na realidade, pode ser encontrado em qualquer esquina da Bélgica. E eu aposto que, andando pelas ruas “alucinógenas” de Bruxelas, com o perfume do chocolate insistindo em acompanhá-lo durante a caminhada, você entrará não em uma, mas em várias lojinhas de chocolates.

Ainda na seara das melhores invenções da humanidade (entre as quais, a meu ver, figuram o chocolate e a cerveja), os belgas - povo lindo, simpático e multilíngue – criaram as melhores cervejas do planeta, cuja estrela absoluta (na minha modesta e obcecada opinião) em sabor, cor, cheiro, gosto, efeito, formato do copo e da garrafa, é a Duvel (em Português, diabo). Há outras, claro, que merecem toda a nossa atenção, mas a Duvel é imperdível.

E para degustar a Duvel e outras preciosidades, o bar eleito foi o Toone (que ganhou meu coração e minha preferência absoluta em termos de bar em Bruxelas, embora, segundo o Carlos, existam outros com mais opções de cervejas), localizado na 6 Impasse Schuddevelde, numa entradinha que, exceto por uma faixa suspensa indicando o teatro de marionetes, é de difícil visualização. Sim, há um teatro de marionetes no local e, dentro do bar, na sala intermediária, há bonecos numa espécie de palco e arquibancadas de madeira recolhidas, dando a impressão de que o bar pode se transformar num teatro a qualquer momento. Os espetáculos de marionetes (a peça em cartaz era Drácula) podem ser vistos por volta das oito horas da noite, creio que numa sala separada do bar. Infelizmente, não conseguimos vê-los em nenhuma das ocasiões em que estivemos lá, pois não chegamos a tempo. O Toone conta ainda com um simpático morador felino que costuma fazer suas aparições no final da noite, quando o bar já está ficando vazio, e que é uma graça.

Certamente Bruxelas tem muitas outras surpresas agradáveis e o que era para ser apenas um bônus se transformou em um dos pontos altos da trip; apesar de não ser estonteante e de não ter tantas atrações como Paris ou Londres, Bruxelas é uma cidade alegre e luminosa, que continua a brilhar dentro de mim. Voltarei.

P.S.1 Com relação à hospedagem, recomendo a reserva, pelo Booking.com ou pelo Brussels ApartmentsApart.com, de um apartamento da rede ApartmentsApart. São excelentes e, se reservados com bastante antecedência, têm preços ótimos.

P.S.2 Sobre cervejas na Europa, aconselho uma passada pelo blog do Mac
; em categorias, clicar em bebidinhas.

P.S.3 Para trem entre Bélgica, França, Alemanha e Holanda, consultar o site da Thalys.

P.S.4 Para trens na Bélgica, clique aqui.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Em Bruges

Foto: Camila Guido/ Bruges, Belfort

Faz muito calor em São Paulo e, embora noite e com as janelas escancaradas, eu e a Gigi, duas almas idosas e rabugentas, estamos, como sempre, nos sentindo um pouco desconfortáveis com a temperatura. Olho para a Gigi deitada sobre o sofá com os olhos fechados, a barriga para cima e as patas dobradas junto ao corpo num estado de profunda abstração e tenho certeza que, em poucos segundos, ela vai começar a levitar. Ótimo truque para focar em outra coisa que não seja o calor. Eu, por outro lado, estava entre ler e ver um filme, quando senti que talvez escrever fosse uma opção melhor, pois a tarefa exigiria de mim uma espécie de abstração e concentração semelhantes às da Gigi no momento. Aí, quem sabe, o calor ficaria em segundo ou em terceiro plano e eu o esqueceria por algum tempo.

Além disso, em um dos primeiros posts deste blog, eu prometi que divulgaria, além de dicas de sites e informações que foram úteis para mim antes e durante meu rolê pela Europa, alguns relatos baseados nas minhas impressões e experiências e acho que já é hora de começar a falar um pouco sobre isso. Senão pela promessa, também pelo fato incontestável e cada vez mais evidente de que talvez a melhor parte do meu coração tenha ficado perdida por lá.

Dentre as cidades que me arrebataram, algumas me deixaram sem fôlego, sem fala e com taquicardia. Não foi o caso de Bruges (Brugge), na Bélgica, que, embora tenha entrado na lista das cinco cidades mais lindas e legais que eu já conheci, ao contrário de algumas outras, me conquistou também pela sua beleza, mas, principalmente, pelo seu jeito discreto, calmo e acolhedor.

Bruges fica a mais ou menos uma hora de Bruxelas de trem e, dizem, é a cidade medieval mais bem conservada da Bélgica. Consultando a quinta edição do Europe on a Shoestring, da Lonely Planet, acabo de descobrir que “a sua reputação como uma cidade perfeitamente preservada é parcialmente fabricada – boa parte da cidade foi reconstruída nos séculos XIX e XX para refletir o período medieval” (tradução livre). Fabricada ou não, Bruges é linda.

Para se ter uma idéia da cidade, uma boa pedida é assistir ao filme Na Mira do Chefe (In Bruges, 2008), todo rodado em Bruges e com muitas tomadas externas. Vi o filme após ter ido e, como já disse a alguns amigos, caso não tivesse estado lá, teria achado que tudo aquilo era cenário. Não é!

Foto: Camila Guido/Bruges

Em Bruges, chegamos na estação de trem e fomos caminhando em direção às torres (de lá se veem três). Mais ou menos dez minutos de caminhada por ruas lindinhas e encantadoras e já estávamos na catedral; mais um pouco e deparamos com um dos canais (Bruges tem diversos canais). Depois, chegamos à praça, onde está a Torre Belfort, cujos 366 degraus levam a uma vista incrível da cidade (em Na Mira do Chefe é possível ver o interior da Belfort e também ter uma idéia do que se vê quando se está lá em cima).

Trezentos e sessenta e seis degraus para subir mais trezentos e sessenta e seis para descer... Bom, setecentos e trinta e dois degraus após ter tomado apenas um chocolate quente em Bruxelas, sentamos, com fome e com sede, em um dos cafés da praça e acompanhamos nosso desjejum com Duvel, a melhor cerveja do mundo (na minha opinião, sempre exagerada, mas é). Não fosse suficiente, fomos atendidos por um garçon extraordinariamente simpático. (Sobre os belgas, sua cerveja e seu chocolate, aguardem os próximos posts. Por enquanto, basta dizer que eles são o povo mais bacana, que faz a melhor cerveja e o chocolate mais incrível. Do planeta.)

Felizes após uma ótima refeição e três ou quatro garrafinhas de Duvel, andamos a esmo pelas ruas de Bruges, encantados pelas construções medievais e seus reflexos nos belos canais, pela vista da Belfort, pela ótima música que vinha de caixinhas de som discretamente colocadas nas paredes de algumas ruas, pelas lojas de chocolates. Hora de ir embora ou não chegaremos a tempo de pegar nosso trem em Bruxelas. Foi aí que lamentamos, e muito, não poder passar aquela noite lá. Havia anoitecido e, quase chegando à estação de trem, nos viramos em direção à cidade e avistamos as três torres iluminadas. Senti uma pontada no peito, como se estivesse me despedindo de alguém muito querido. Bruges é assim, querida.

P.S.1 Para fotos de Bruges, clique aqui.

P.S.2 Para trens na Bélgica, clique aqui.