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domingo, 12 de maio de 2024

Bologna ou sendo muito feliz na Itália

De repente bateu uma saudade louca desse dia, dessa viagem, dessas ruas, dos prédios iluminados pelo sol que atravessava sem dificuldades o céu de brigadeiro de um domingo do mês de novembro de 2022 e incidia sobre a cidade de Bologna.

Um dia antes, em Florença, eu havia dito para a minha mãe, melhor não esperar muito desse bate e volta até Bologna pois amanhã é domingo e talvez a cidade esteja um pouco morta. Contudo, logo ao chegarmos, percebemos que as minhas expectativas estavam completamente equivocadas, pois a cidade não poderia estar mais viva e vibrante, com as pessoas aproveitando as ruas, o domingo e a vida.
 
Obviamente, Bologna vale muito mais que um bate e volta. Eu diria até que vale a pena morar lá (Bologna é bem mais simpática que a média da região, como já havia me alertado uma amiga que morou um tempinho na cidade). Mas, como não dá para ter tudo, fomos e voltamos no mesmo dia, cumprindo os nossos planos de viagem. 

Para ir de Florença a Bologna é muito simples: basta pegar o trem na Estação Santa Maria Novella (isso se você não estiver de carro, evidentemente) até a Estação Bologna Centrale.
 
Da Estação Bologna Centrale até os principais pontos turísticos é uma caminhada mais do que agradável. Eu diria, aliás, agradabilíssima, já que há uma parada obrigatória no meio do trajeto que inclui, como não poderia deixar de ser, comida, mais especificamente doces que são um carinho, um aconchego, um toque de alegria e de acolhimento para o seu estômago.
 
O nome dessa parada obrigatória é Sebastiano e nós a descobrimos por acaso, no faro. Até hoje recordamos aquilo que eu costumo chamar de "um pedaço do céu" que comemos lá. Sem dúvida, esse momento de doçura foi um dos pontos mais altos do passeio.

Aqui, faço um parêntese para dizer o seguinte: os doces franceses são deliciosas e delicadas obras de arte e, na minha opinião, batem os italianos, só que por muito pouco. Os italianos também são algo de enlouquecer e no quesito croissant, que é algo que eu particularmente amo, a Itália é a responsável pelos melhores croissants recheados com creme que eu já comi na vida (especialmente os do Rivoli Boutique Hotel que, a propósito, é uma excelente opção de hospedagem em Florença).



Trecho da caminhada da Estação Bologna Centrale até a Piazza Maggiore


Vitrine do Sebastiano
 
 
O nosso escolhido...
 
 
cujas fotos foram feitas de vários ângulos.

 
Abrindo o passeio com chave de açúcar.

 
Não posso ver uma plaquinha anunciando uma feira de Natal que já me empolgo e tiro uma foto.
 
 
A meu ver, se há um lugar para o qual sempre vale a pena voltar esse lugar é a Itália. Não é à toa que os turistas a procuram tanto. Fontana del Nettuno.




 
Felizes e contentes
 
 
 


Não resisto a esse tipo de imagem
 
 
 
Já que não dá para experimentar e para comprar todos, o jeito é fotografar e comer com os olhos.
 

 
Piro nas vitrines de comida...
 
 
 
piro nas cores...
 
 
piro nas flores.
 
 


Depois de curtirmos o que havia pela Piazza Maggiori e pelos seus arredores, demos de cara, após passarmos pelas duas torres, com o Santuario di Santo Estefano, localizado na agradabilíssima Piazza Santo Estefano. Entramos, conhecemos o local e então, ao invés de buscarmos um dos restaurantes que estavam na nossa lista para almoçarmos, sentamos num restaurante aleatório nas imediações da igreja para um almoço de domingo ao ar livre com direito ao que alguns chamam de people watching, ou seja, a boa e velha observação de pessoas.

No quesito espaguete à bolognesa, bom, existe toda uma polêmica a respeito e eu não vou entrar nela. Caso você tenha curiosidade, achei este artigo aqui não só interessante como também divertido. O fato é que essa foi a nossa escolha, que não foi ruim (para o melhor espaguete à bolognesa da viagem, recomendo o do Buca Marío, em Florença), mas que foi ofuscada pela alcachofra alla romana (penso que seja esse o nome do prato) que também pedimos.




Santuario di Santo Estefano


Belíssima


Clássico e polêmico


A alcachofra delícia




Piazza Santo Estefano


A tarde caía quando, completamente saciadas mas ainda não satisfeitas, deixamos a praça e fomos em busca da nossa sobremesa, que seria adquirida na Cremeria Santo Stefano, uma daquelas sorveterias deliciosas e premiadas que a gente encontra pela Itália. Recomendo fortemente, assim como volto a recomendar Bologna como um passeio imperdível.


Cremeria Santo Stefano


Cardápio da Cremeria Santo Stefano


Cremeria Santo Stefano


Uhmmmmm

sexta-feira, 3 de março de 2017

Boston - parte 1

Boston

Duas frases surgem imediatamente na minha cabeça quando penso em Boston: "Adorei!" e "Dois dias foi pouco."

Boston foi uma bonus track num disco cujo tema era Nova York. Talvez seja algum desvio de personalidade ou coisa do gênero, mas acho estranho viajar e conhecer uma só cidade (mesmo que essa cidade seja Nova York). Assim, para satisfazer minha mania e pensando que essa seria uma boa faixa bônus para aquele disco, inseri dois dias em Boston no final da viagem.

Logo no começo do percurso do trem de Nova York para Boston percebi que havia feito a escolha certa. Coloquei os fones de ouvido e passei o tempo todo olhando pela janela ao invés de imergir em um dos livros que carregava comigo. Lá fora a paisagem era mais bonita do que eu esperava e dentro de mim, Smile, de Cole Porter, interpretada por John Pizzarelli e reproduzida nos fones que estavam nos meus ouvidos, soava mais extraordinária que o habitual. Naqueles dias em Nova York eu havia lido O sal da vida, de Françoise Héritier, e ainda dentro do trem não pude conter um sorriso ao perceber que aqueles momentos estavam carregados desse sal que dá tempero à vida e cujo sabor sinto até hoje.

Na chegada notei algo diferente e demorei alguns minutos para entender o que estava acontecendo. Eu respirava melhor e estava mais solta porque, claro, havia relaxado! Enquanto Nova York é aquela loucura de sons, carros, luzes, pessoas apressadas falando ao celular, lojas que funcionam como ímãs, comida aqui e acolá, mais pessoas apressadas olhando para os seus celulares, muitas atrações para pouco tempo, turistas por todos os lados, Boston é menor e mais tranquila (mas nada provinciana), o que foi apreendido rapidamente pelo meu corpo.

Ainda estava claro quando desembarquei na South Station, que fica a uma pequena caminhada do HI Boston, onde me hospedei e cuja estrutura e localização são formidáveis. Após os trâmites da chegada e de um bom banho fui dar um rolê pelos arredores e procurar um lugar para comer.

Eu tinha em mente o Legal Sea Foods cuja forte recomendação recebi de um californiano habitué da costa leste enquanto dividíamos um pedaço do disputado balcão do Lobster Place, no Chelsea Market, em Nova York, e compartilhávamos impressões sobre as patas de king crab que tínhamos diante de nós.

No começo da caminhada passei por um restaurante tailandês para o qual fingi não dar muita bola. Segui em frente e não demorou muito para eu topar com uma unidade do Legal Sea Foods, que continha implícita a promessa certeira de uma noite agradável com sabor de maresia. Para minha própria surpresa, não entrei.

Meio titubeante, dei meia-volta e parei na porta do Montien Thai Restaurant, o restaurante tailandês para o qual eu havia fingido não estar nem aí, mas que havia despertado em mim uma espécie de pensamento obsessivo: pato. Crispy duck, com aquela carne tenra por dentro e crocante por fora. Havia uma crítica de jornal afixada na entrada e uma onda de excitação cruzou meu corpo quando vi que o texto mencionava justamente o duck de maneira muito positiva. Simultaneamente, uma das partes de um casal que estava chegando no local e que provavelmente percebeu meu misto de interesse e hesitação me disse, como quem não quer nada, que a comida era ótima. A partir daí não pude mais ignorar os sinais que prometiam uma noitada feliz em companhia do pato e, resoluta, entrei.

Minha segurança durou pouco. Ao correr os olhos pelo cardápio deparei não com um, mas com dois patos interessantes: Crispy Duck ou Chili-Chili Duck? Ambos pareciam tão bons, cada um com suas potencialidades... Incapaz de decidir, deixei a escolha aos cuidados da garçonete que estava me atendendo e de Crispy Duck eu fui.

O resultado é que bastou provar a primeira garfada do pato para que eu esquecesse de vez durante aquela noite as maravilhas gastronômicas que o mar pode proporcionar. Quando levantei da mesa para deixar o restaurante o casal da entrada discretamente acenou e perguntou se eu havia gostado. Boston estava só começando, mas já tinha me ganhado.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Brooklyn Ice Cream Factory

Foto: Camila Guido

Eu poderia escrever "eu amo NY" quatrocentas e cinquenta e uma vezes e, mesmo assim, não seria o suficiente para expressar o quanto eu amo Nova York; da mesma forma, dizer o quanto eu adoro sorvete não basta para realmente dizer o quanto eu adoro sorvete!

Agora, imagine a minha alegria ao encontrar o sorvete perfeito na cidade perfeita. Há alguns meses, antes de me jogar em Nova York, vi na internet, numa matéria que continha dicas sobre a cidade (infelizmente não tenho mais a fonte da informação), a indicação de uma sorveteria no Brooklyn, pertinho da Ponte do Brooklyn. Mais do que depressa, meu cérebro registrou a informação e, uma vez em Nova York, estabeleci como uma das minhas prioridades uma visita à Brooklyn Ice Cream Factory, localizada no Fulton Ferry Landing pier, praticamente à margem e sob a ponte (okay, ficou um pouco estranha essa indicação, mas não sei como fazer melhor). Para otimizar o tempo, associei a travessia da Ponte do Brooklyn com a ida à sorveteria, já que o único problema de uma viagem a Nova York é controlar a angústia gerada pelo fato quase enlouquecedor de que você não vai conseguir ver e fazer tudo o que quer de uma só vez.

Após cumprir a primeira meta do dia dedicado ao Brooklyn, que era atravessar a ponte, cheguei na Brooklyn Ice Cream Factory, que, atenção, só aceita pagamento em espécie e tem outro endereço no Brooklyn, mais distante da ponte. A sorveteria é simples e oferece poucos sabores de sorvete: vanilla, chocolate, strawberry, vanilla chocolate chunk, peaches & cream, butter pecan, coffee e chocolate chocolate chunk. Optei por chocolate chocolate chunk e butter pecan, que saboreei no píer, curtindo a paisagem.

Veja, sou apenas uma pessoa gulosa e não tenho conhecimentos mais sofisticados sobre alimentação, mas, talvez pela cremosidade extraordinária, talvez pelo ótimo estado de espírito no qual eu me encontrava, aquele sorvete definitivamente deixou para trás muitos gelatos italianos que eu já havia provado. Aliás, é muito provável que eu seja execrada pelo que vem a seguir, mas nem o gelato da Gelateria Dondoli, em San Gimignano, na Toscana, tido como o melhor gelato do mundo, teve sobre o mim o mesmo efeito do sorvete da Brooklyn Ice Cream Factory, pelo qual até hoje eu derreto de amores.

Sobre os sabores que provei, chocolate chocolate chunk, com pedaços de chocolate de sabor intenso e textura impecável, estava divino. Porém, apesar da minha "chocolatria" (aonde que que eu vá, sempre peço uma bola de chocolate para acompanhar algum outro sabor de sorvete), confesso que eu voltaria à Brooklyn Ice Cream Factory só para poder provar novamente o de butter pecan, que, como diriam os personagens da minha série de televisão preferida, was awesome!!!

(Sim, a série é How I Met Your Mother, cujo cenário, talvez não por acaso, é Nova York...)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

No Pé e No Pedal na Pedra das Flores

Foto: Camila Guido

O final de semana está chegando e, pra quem mora em São Paulo e está precisando respirar um pouco de ar puro, entrar em contato com a natureza e ver uma paisagem linda de morrer, a dica é dar um pulinho em Extrema, MG, pra fazer uma caminhada na Serra do Lopo pela trilha que leva até a Pedra das Flores e a Pedra do Cume. É imperdível!!

Depois da caminhada, a pedida é uma parada no Armazém Bertolotti para saborear as deliciosas iguarias servidas pela família Bertolotti em seu armazém centenário. É bom demais!!

Mais fotos e informações sobre a trilha na Serra do Lopo e sobre Extrema, aqui.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Santiago de Compostela de bike - dicas práticas parte III

Trecho do Caminho Francês

Como eu prometi aqui, as dicas deste post tratam exclusivamente de duas questões básicas de sobrevivência: comer e dormir.

O Caminho de Santiago (Francês) conta com uma excelente estrutura para os peregrinos. Há hospedagem e alimentação para todos os gostos e bolsos. Albergues, pensões, pousadas, hotéis, campings e menus peregrinos em abundância contribuem imensamente para a tranquilidade da bicigrinação/peregrinação.

Eu e o Paulo não experimentamos muitos dos famosos albergues do Caminho mas podemos afirmar que eles são uma ótima alternativa de hospedagem, especialmente para quem está sozinho e não tem com quem dividir gastos; os albergues, sem dúvida, viabilizam a peregrinação (afinal, para fazer o percurso a pé desde Saint-Jean-Pied-de-Port, são necessários mais de trinta dias) e é maravilhoso que eles existam.

Nos albergues municipais (alguns incrivelmente estruturados, como o de Santo Domingo de la Calzada), a princípio, não se cobra pela hospedagem. Neles, o peregrino pode fazer uma contribuição voluntária no valor que escolher.

Já os albergues particulares cobram tarifas bastante acessíveis - mais baixas, inclusive, que as tarifas de hostels em geral - e podem ser mais confortáveis que os municipais.

Apesar de extremamente providenciais, os albergues apresentam algumas desvantagens que, no nosso caso, por interferirem diretamente na rotina da viagem, nos levaram a optar por outras formas de hospedagem.

Em primeiro lugar, fecham, em geral, às dez e meia da noite e, segundo relatos, após o fechamento, não há meios de entrar novamente. Para nós, que pedalávamos até oito, nove horas (era verão, demorava para escurecer e era maravilhoso pedalar enquanto a tarde caía), era muito complexo estarmos prontos para dormir às dez e meia!!!!!! Depois de "bicigrinar" o dia todo, precisávamos muito de um bom banho, um menu peregrino "harmonizado" por um vinho nacional e, para finalizar, uma caminhadinha pelos arredores para relaxar um pouco e explorar o local (essas caminhadas eram ótimas e, não raro, nos surpreendíamos com algo que estava rolando na cidade, como uma festa típica com touros de mentira em chamas correndo por uma praça).

Outro grande problema era a quantidade de pessoas alojadas num mesmo quarto; descobri que vinte pessoas dormindo equivalem a uma orquestra, cuja sinfonia me acordava por volta das duas horas da madrugada e não me deixava mais dormir.

Para quem está em busca de maior liberdade e privacidade, acampar pode ser a solução; poucos dias antes de viajar, desistimos de levar a barraca pois as informações que encontramos sobre a viabilidade de fazer o Caminho acampando não nos convenceram. Posteriormente, viemos a saber que a Eliana Garcia e o Rodrigo Telles, fundadores do sensacional Clube de Cicloturismo do Brasil e fabricantes dos alforges e equipamentos para cicloturismo Arara Una, haviam, poucos meses antes de nós, percorrido o Caminho de Santiago acampando. A seguir, duas fotos gentilmente cedidas por eles:

Foto: Rodrigo Telles

Foto: Eliana Garcia

Com relação a nós, experimentamos praticamente todos os tipos de hospedagem: albergues (poucos), pensões, pousadas e hotéis e, no cômputo geral, todos, a seu modo, corresponderam e, não raro, superaram nossas expectativas. Eu indicaria todos os lugares em que ficamos, com destaque para os seguintes:

Duques de Nájera, em Nájera: no passado, o prédio foi um palácio. Excelente recepção, conforto total e linda decoração (tivemos um surto de alegria fashion quando abrimos a porta do quarto). Vale mais do que custa.

La Puerta del Perdón, em Villafranca del Bierzo: acolhida simpática, um restaurante que não tivemos a sorte de experimentar devido ao horário em que chegamos, o melhor bolo de café da manhã de toda a viagem, quartos temáticos confortáveis e decorados com capricho. A cidade é um show à parte.

La Puerta del Perdón

Hotel Jakue, em Puente la Reina: hotel e albergue, que fica junto do hotel. Optamos pelo albergue que, para nossa surpresa, tinha quarto duplo com banheiro por um valor pra lá de camarada. O menu peregrino servido pelo hotel era, na realidade, um buffet peregrino, com pratos e sobremesas deliciosos.

Hotel La Puebla, em Burgos: excelente localização e funcionários gentis, educados e descolados. Apesar da edificação não ter muito espaço sobrando, as bicicletas foram excepcionalmente bem recebidas.

Em nenhum momento, tanto ao longo do Caminho Francês quanto do Caminho Português, tivemos problemas com as bikes; mesmo em cidades maiores, como Burgos, León, Santiago, Porto, onde há menos espaço disponível nos hotéis, as bicicletas foram bem acolhidas (foram acomodadas em escadarias, saguões, depósitos etc., numa boa). Perguntávamos se elas eram aceitas e, imediatamente, ouvíamos um "sim".

Burgos

León

Santiago de Compostela

Porto

No quesito alimentação, o Caminho Francês é uma maravilha gastronômica. Os menus peregrinos, compostos por cesta de pães, uma garrafa de água, outra de vinho, entrada, prato principal e sobremesa, são uma boa demonstração da culinária local, consistente em pratos formulados com frutos do mar, pescados como truta e bacalhau, legumes e verduras frescos e saborosos, carne de carneiro, entre outros. Os pratos variam à medida que se muda de região e que se aproxima de Santiago. O preço também é variável: entre nove e treze euros por pessoa (o mais comum eram dez euros), valor que, inclusive, é bastante inferior ao dos menus turísticos existentes em algumas cidades da Europa, os quais, a propósito, não costumam incluir bebida.

Em León, não deixe de visitar o delicioso Café Gotico, cujo menu peregrino vegetariano contém pratos mais elaborados e muito bem preparados, além de vinho de qualidade um pouco superior.

Para comemorar a chegada em Santiago, corra para A Taberna do Bispo. Ambiente alto astral e tapas INESQUECÍVEIS. E, em se tratando de menu peregrino, o da Casa Camilo tem opções com frutos do mar que são de comer rezando. As mesas do pequeno terraço são excelentes para curtir o movimento da agitada Santiago.

P.S. Fotos Camila Guido e Pepê Esteves (com exceção, claro, das fotografias cedidas por Eliana Garcia e Rodrigo Telles).

sábado, 20 de junho de 2009

Santiago do Chile: onde comer

Estou devendo para a Ana, amiga que logo mais embarca para Santiago do Chile, algumas dicas sobre comidinhas.

Aproveitando que ando inspirada para escrever sobre guloseimas (basta dar uma olhada nos dois últimos posts), cumpro o que prometi a Ana e compartilho também com vocês as minhas dicas.

Para começar, a sobremesa. Li sobre o Emporio la Rosa no Santiago do Chile para brasileiros, guia de Márcia Jancikic, e resolvi conferir a indicação. Resultado: acabei virando cliente da sorveteria durante minha estada em Santiago. Além dos sorvetes deliciosos, o Emporio fica na região da cidade que mais me agradou, o Barrio Lastarria. Tornou-se simplesmente irresistível dar uma passadinha por lá durante a tarde para curtir a vizinhança na companhia de um sorvete de chocolate com pimenta.

O Emporio la Rosa fica na Merced 291. Para ver o mapa, clique aqui.

Emporio la Rosa

Para beber e comer, recomendo o Liguria, um bar/restaurante moderninho e aconchegante, com decoração muito legal e boa música. Como sou louca por frutos do mar, pedi os ostiones frescos en concha recomendados pelo garçom simpático e agilizado que me atendeu. Segundo ele, os ostiones são uma espécie de marisco típicos do Oceano Pacífico. Quando o prato chegou, tive vontade de dar um abraço no garçom, que não poderia ter sugerido um prato mais adequado para mim. Bastou a visão das conchas coloridas com todos aqueles "mariscos" suculentos para me deixar feliz. Comi todo o prato (suficiente para duas pessoas, acho), acompanhado por algumas tacinhas de pisco sour.

O Liguria tem três endereços, todos em Providencia; para consultá-los, clique aqui.

Por fim, também é digno de nota o famoso Mercado Central, que, de fato, não pode deixar de ser visitado. Há muitos restaurantes lá e, ao entrar, você será assediado pelos funcionários de praticamente todos eles, que tentarão convencê-lo a gastar seus pesos em seus respectivos locais de trabalho. O mais famoso, turístico e creio que também mais caro dos restaurantes do Mercado é o Donde Augusto. Por ser rabugenta e estar num movimento econômico (como sempre), decidi fugir do esquema turístico, que costuma me deixar um pouco irritada, e dos preços altos e me sentei no Pailas Blancas, um restaurante discreto em uma das extremidades (esquinas) do Mercado. Além de mim e de um casal de turistas americanos com uma bebê para os quais servi de tradutora, notei que quase não havia estrangeiros no local. Devo ter comido dois ou três pratos, entre eles um ceviche, e saí do Pailas desejando voltar no dia seguinte. Infelizmente, não deu tempo.

Para ir ao Mercado Central, desça na estação de metrô Puente Cal y Canto. Para ver o mapa dos arredores do Mercado, clique aqui.

Mercado Central

P.S. As fotos deste post são minhas.

Coxinhas em Berlim

"Coxinha. Coxinha, coxinha, coxinha. Meu Deus, Camilinha, que vontade de comer coxinha."

A frase que você acabou de ler foi uma das mais faladas durante a viagem, no final de 2008, por Viena, Praga e Budapeste com a Smith, amiga "very fofinha" que há quase um ano deixou o Brasil para viver um tempo em Dublin, na Irlanda. O fato é que a Smith, assim como outros brasileiros (entre eles o Carlos) que vivem na Europa, tem surtos frequentes de saudade dessa maravilha gastronômica típica da cozinha brasileira.

Se você é um deles e está começando a definhar de tanta vontade de comer coxinha, calma; uma solução é procurar, no lugar em que você vive, um restaurante/bar de brasileiros que prepare a iguaria. Caso não encontre, a dica é a seguinte: vá até Berlim (a cidade mais legal do planeta) e procure o Botequim Carioca, bar brasileiro localizado na capital alemã que, além da porção de coxinhas, tem como ponto alto o excelente atendimento.

Quem me levou até lá para beber e, claro comer coxinhas, foi o Carlos.

Mais informações sobre o bar, em alemão e em carioquês, aqui. Para ver fotos, clique aqui.

O Botequim Carioca fica na Linienstraße 160, esquina com a Kleine Hamburger Straße. Para visualizar o mapa, clique aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O melhor tiramisù de Roma

Você conhece alguém que não gosta de tiramisù? Eu, até hoje, não conheci ninguém, mas, se no seu caso as coisas são diferentes, tenho uma sugestão.

Se, por exemplo, você estiver passeando por Roma com esse ser que diz não gostar do docinho, leve-o até o Bar Pompi e peça dois tiramisùs, um pra ele e outro pra você. A princípio eles parecerão enormes e é bem provável que você pense que não vai conseguir comer tudo. Tsch, tsch, confie em mim: tanto você quanto aquele seu amigo que dizia não gostar da guloseima não só vão raspar o pratinho como ainda serão capazes de repetir.

Passamos dias felizes em Roma e, além da cúpula do Panteão e da visão do Coliseu todo iluminado numa noite linda de luar, confesso que, no meu caso, o tiramisù do Pompi foi um dos pontos altos da estada na cidade.

Quem nos deu a dica foram nossos amigos e anfitriões em Roma, Dé e Davide, que nos disseram que o tiramisù do Pompi era considerado o melhor da cidade e, sendo assim, não podíamos ir embora sem prová-lo. Obviamente, eles tinham toda razão (nunca deixe de seguir as dicas de seus anfitriões e amigos).

Hoje, ao acessar o site do Pompi para escrever este post, me peguei com água na boca e uma vontade louca de comer de novo aquela delícia, o que me fez pensar que, apesar de não fazer parte dos planos de viagem imediatos, mais dia menos dia, vou ter que voltar a Roma para matar a vontade.

P.S.1 O melhor tiramisù de Roma é servido na Via Albalonga, 7b/9/11.

P.S.2 Para visualizar a fachada do Bar Pompi, clique aqui.

domingo, 17 de maio de 2009

Violinos em Malá Strana ou Praga: onde comer

Foto: Camila Guido/Praga, Malá Strana

Sempre que penso em Praga sou tomada por uma felicidade visceral e por uma saudade que não tem explicação. É quase como se ela fosse uma velha conhecida, um lugar onde eu sempre estive.

Perambulando por Malá Strana - o bairro onde está o Castelo de Praga - numa tarde cinzenta e fria de novembro, eu e a Smith entramos ao acaso no restaurante que fica sob os violinos da Rua Nerudova, o U Trí Houslicek (para ser exata, no original, há um acento circunflexo ao contrário no r de Tri e no c de Houslicek), onde fomos bem felizes.

Em primeiro lugar, para explicar os violinos que você vê na foto deste post, utilizo texto da publicação Praga - A Cidade Mãe, de Marie Vitochová, Jindrich Kejr e Miloslav Husek (acentos circunflexos ao contrário no r de Jindrich e no s de Husek), em Português, comprada em uma livraria da praça da Cidade Velha:

"Durante os passeios pelas ruas de Malá Strana com frequência vemos quadros, plásticos ou relevos, símbolos nos edifícios, estreitamente ligados às casas, à sua história, vida ou profissão de seus proprietários originais. Outrora estes adornos das fachadas serviam para identificar cada casa e o seu proprietário, tinham também a função votiva ou protectora ou indicavam a que se dedicava o seu proprietário." (p. 43)

Especificamente sobre os três violinos, o site do U Trí Houslicek traz a seguinte explicação:

"Esta casa famosa 'Três pequenos violinos' pertenceu já no século XVI ao pintor da corte do Emperador Rudolf II. Mais tarde, tornou-se o lugar da mais significativa loja de violinos tcheca." (Tradução livre; o texto original em inglês você confere aqui.)

Além de todo o contexto histórico, o U Trí Houslicek merece a visita também pela ótima comida e pelo ambiente agradável e aconchegante. Há pratos típicos tchecos, como a ótima sopa que tomei como entrada, e pratos da cozinha internacional, tudo de boa qualidade. Isso sem falar no atendimento, excelente, e no preço, que é perfeitamente razoável (se estiver num esquema muito rígido, economize uns poucos euros - ou coroas tchecas - um dia antes; lembre-se: o leste europeu é mais barato que a Europa em geral).

Por fim, seria uma pena, mas, caso você não suporte música clássica, não entre no U Trí Houslicek.