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domingo, 17 de maio de 2009

Concertos Matinais na Sala São Paulo

Uma ótima pedida para as manhãs de domingo são os Concertos Matinais na Sala São Paulo.

Segundo a Lu, amiga querida que me deu a dica e comprou nossos ingressos para este domingo, a Sala oferece visitas monitoradas após os concertos. Para mais informações sobre as visitas, clique aqui.

P.S.1 Os ingressos para os concertos custam dois reais e podem ser comprados a partir da segunda-feira anterior a eles. Para conferir a programação, clique aqui.

P.S.2 Não consigo evitar os meus pensamentos inadequados (ou politicamente incorretos, como queira): a Sala permite a presença de crianças nos Concertos Matinais, o que, considerando a movimentação contínua e os resmungos de algumas delas, bem como a conversa posterior entre amigos sobre a conveniência ou não da presença de seres que obviamente não estavam se sentindo bem no local, lembrei (como frequentemente acontece) da abertura do Discurso do Método de Descartes, que, a meu ver, soluciona todos os problemas que são deixados à mercê do tal bom senso:

"O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; e, destarte, que a diversidade de nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais racionais do que outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas."

P.S.3 Pessoas, por favor, durante os concertos, deixem as crianças em casa!!!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

7 Encontros, 7 Autores, 7 Diretores, 7 Leituras

Também no Sesc Consolação, tem início na próxima segunda-feira, dia 18, o terceiro ano do ciclo de leituras 7 Encontros, 7 Autores, 7 Diretores, 7 Leituras, tendo como tema a intolerância.

O primeiro encontro da série traz o O Santo Inquérito, de Dias Gomes, sob a direção de Eugênia Thereza de Andrade. A programação dos encontros subsequentes, todos gratuitos, você vê a seguir:

8 de junho
- Zoo Story - Edward Albee

13 de julho
- O Interrogatório - Peter Weiss

17 de agosto
- As Feiticeiras de Salem - Arthur Miller

21 de setembro
- Calabar - O Elogio da Traição - Chico Buarque/Rui Guerra

26 de outubro
- Oração para uma Negra - William Faulkner/Adap. Albert Camus

23 de novembro
- Marat Sade - Peter Weiss

Para mais informações, consulte a programação do Sesc Consolação,
aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sartre e Simone de Beauvoir no Sesc Consolação


Viver sem tempos mortos

Felizmente, uma amiga, a Ana, me deu a dica a tempo, pois os ingressos para o monólogo Viver sem tempos mortos, "
que utiliza como mote a troca de correspondências entre os filósofos franceses Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre", dirigido por Felipe Hirsch e encenado por Fernanda Montenegro (a direção de arte é de Daniela Thomas), estão quase no fim.

O espetáculo fica em cartaz de 23 de maio a 28 de junho. Para maio, não há mais ingressos.

Mais informações,
aqui.


Simone de Beauvoir, uma mulher atual

Outra dica preciosa da Ana foi a exibição do documentário inédito Simone de Beauvoir, uma mulher atual (Simone de Beauvoir, une femme actuelle, 2008, Dominique Gros), todas as quartas-feiras à noite (às oito horas), de 20 de maio a 24 de junho. Após a exibição, haverá palestra com o professor Jorge Coli, da Unicamp, e debate com Fernanda Montenegro. Gratuito.

Mais informações,
aqui.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

São Paulo my love?

Interiorana vivendo em São Paulo há 12 anos e por ela fascinada há muito mais que isso, encontrei o resumo dos meus sentimentos pela cidade na introdução da versão de “Desafinado”, do disco “João Gilberto ao vivo – eu sei que vou te amar”, onde João inesperadamente declara – e se declara – “São Paulo my love”.

Foi pensando nessa frase que retornei a São Paulo após quase todas as viagens que fiz nos últimos anos. À visão da cidade, a voz suave de João dizendo “São Paulo my love” vinha instantaneamente à minha mente – e algumas vezes também à minha boca – e eu sentia uma espécie de alívio e de felicidade legítima por estar voltando para casa. Aliás, eu me sentia em casa. Nada, nem o cheiro moribundo dos rios em absurda putrefação que atinge os nossos narizes quando estamos em certos trechos das marginais, nem os montes de outdoors que nos obrigavam a pensar, mesmo que por segundos, nessa ou naquela marca de calça jeans, me fazia pensar em deixar de gostar de São Paulo, onde a vida, apesar de tudo, era repleta de bares, cinemas, sebos e livrarias.

Mas, às vésperas de entrar no décimo terceiro ano de vida em Sampa, admito, após meses de resistência, que o que antes era uma vida cheia de nuances coloridas agora assumiu – não vou dizer que definitivamente, pois sou peremptoriamente contra a idéia de que as coisas não têm solução – o preto e o branco, com algumas variações de cinza entre um e outro.

Atualmente, evito dirigir e toda vez que ouço uma buzina acionada desnecessariamente – e agressivamente, claro – sinto uma mistura de raiva, tristeza e tensão; penso um milhão de vezes antes de ir a algum lugar muito longe (moro no centro e “muito longe”, na atual circunstância, é algo que eu meço pelo trânsito que vou enfrentar para chegar ao local e não pela distância em si mesma) e fico transtornada com a falta de educação dos motoristas e com a imprudência dos pedestres. Também me mortificam minha tentativa frustrada de me locomover pela cidade de bicicleta (temi pela minha vida após algumas experiências e acabei deixando a bike de lado), a sujeira e os buracos nas calçadas, os semáforos de pedestres que levam séculos para abrir (quando abrem), o descaso dos motoristas de ônibus com a integridade física das pessoas, o empurra-empurra no metrô em determinados horários e linhas, a escassez de parques e de praças.

Entretanto, do ponto de vista do meu antigo amor pela cidade, todos os seus problemas não seriam suficientes para causar o desalento que venho sentindo se não fosse a última volta para casa, quando, ao ver São Paulo pelo vidro do carro, não senti rigorosamente nada.

Mais de duas semanas se passaram e o nada se transformou em estranhamento. E só agora me dei conta de que, nessa volta para “casa”, não ouvi a voz do João.

Concreta '56

Concreta
Reta
Forma
Curva
O corpo oco
Cheio de espaços urbanos
Imensos vazios