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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mais de Cusco (e um pouco de Machu Picchu)

A Edna, leitora do blog que em breve estará desembarcando no Peru, escreveu perguntando a respeito de dicas sobre Lima, Cusco e Machu Picchu.

Edna, não estive em Lima, mas sobre Cusco e Machu Picchu posso compartilhar, com você e com os outros leitores, o seguinte:

Cusco

Como eu disse aqui, Cusco é uma cidade bastante movimentada e verdadeiramente encantadora. Além de andar por suas ruas e curtir as várias pracinhas, algo que não se pode deixar de fazer é passar algumas horas na Plaza de Armas observando o constante ir e vir de turistas e da população local. Aliás, mesmo que não houvesse qualquer ser vivo andando por ali, por si só a Plaza já valeria a contemplação. Alguns poderão achar um exagero, mas eu e o Carlos somos tão apaixonados por ela que chegamos a compará-la à Praça da Cidade Velha de Praga, que é, na nossa opinião, uma das mais espetaculares do mundo. Obviamente são arquiteturas, cores e energias completamente distintas, mas ambas são, cada uma à sua maneira, de babar.

Também é quase um pecado ir ao Peru e não provar uma Cusqueña, a deliciosa cerveja produzida em Cusco. Chegamos a experimentar outras marcas enquanto estivemos lá, mas a Cusqueña é a nossa eleita. Para acompanhar a cerveja, nada melhor que um ceviche (o peruano traz acompanhamentos como milho e batata doce e é bem diferente do chileno) bem apimentadinho. O que você vê na foto abaixo é do Makayla, um dos bares/restaurantes que circundam a Plaza de Armas e que acabou angariando o primeiro lugar nas nossas listas de melhor garçom/atendimento e conforto (banheiros devidamente limpos são uma exceção no Peru e os do Makayla surpreenderam no quesito limpeza).

Cusqueña no Makayla

Ceviche Peruano do Makayla

Outro lugar bacana para curtir a vista da Plaza de Armas ao sabor de um café, bebidinha ou infusão é o Trotamundos, em cujo interior há uma lareira que torna o ambiente ainda mais aconchegante e uma sala com computadores com acesso à internet (cinquenta centavos - de nuevos soles - a meia hora). Sempre que precisávamos de um cyber café, era para lá que corríamos.

Fachada do Trotamundos

Fora da Plaza de Armas mas ainda pelas redondezas, quando se trata de comer e beber a Procuradores, uma das ruas transversais à Plaza, é uma boa opção; nela estão as três unidades do Chez Maggy - com ótimas pizzas -, além de vários outros restaurantes.

Em Cusco, aliás, há uma profusão de lugares para comer. Distanciando-se da Plaza de Armas e indo em direção ao bairro de San Blas você encontrará uma série de restaurantes. Um deles, o Inka... fe (Choquechaca, 131A), conquistou nossa simpatia e, seduzidos pelo ambiente agradável, pelos ótimos preços e atendimento e pela maravilhosa/deliciosa/incrível torta de chocolate com sorvete, acabamos indo lá mais de uma vez. Assim como diversos outros restaurantes na cidade, o Inka...fe oferece um menu turístico com entrada, prato principal e bebida a doze nuevos soles.

Fachada do Inka...fe

Para encerrar o assunto comidinhas, se você estiver precisando apenas fazer um lanchinho rápido, recomendo a padaria El Buen Pastor, localizada na Cuesta San Blas 575.

Fachada da padaria El Buen Pastor

Obviamente, os atrativos da mais antiga cidade continuamente habitada das Américas não ficam só nas caminhadas pelas suas ruas, comidinhas e bebidinhas; há vários museus em Cusco e, na minha opinião e na do Carlos, o mais legal deles é o Museo Inka, que vale muito a visita. A entrada não está incluída no Boleto Turístico de que falarei mais adiante e custa dez nuevos soles.

Museo Inka

Museo Inka

Mas, imperdível mesmo é o Qorikancha, que, no passado, foi o templo mais rico do Império Inca. Aqui, vale uma anotação sobre guias turísticos: não costumo fazer visitas acompanhadas por eles, mas, em Cusco, a presença dos guias é onipresente; contudo, eles são bem interessantes e suas informações diferem razoalmente do padrão (história "oficial" e coisas do gênero). Tendo em vista a importância histórica do Qorikancha, fique atento às explicações do seu guia; o Edgar, o nosso, era praticamente um rebelde disfarçado e nós ficamos bem felizes com a visita guiada. A entrada para o Qorikancha também não faz parte do Boleto Turístico e custa dez nuevos soles (segundo o Edgar, os padres que administram o Convento de Santo Domingo del Cusco, cujas bases são formadas pelo antigo templo Inca, retiraram o ingresso do pacote composto pelo Boleto Turístico; ainda de acordo com o Edgar, há poucos meses, a entrada custava dois nuevos soles).

Interior do Qorikancha

Ops, mas Cusco não se encerra em Cusco! Os arredores são um dos pontos altos da viagem e a visita aos vários sítios arqueológicos das redondezas é obrigatória.

Para entrar neles, você terá que adquirir o Boleto Turistico del Cusco, que compreende também a entrada para outras atrações na cidade, como alguns dos seus museus. O Boleto é vendido na Oficina Ejecutiva del Comité, nos fundos da Municipalidad del Cusco (Av El Sol 103) e custa cento e trinta nuevos soles.

Fachada da Municipalidad del Cusco

Museo de Sitio del Qorikancha

Museo Municipal de Arte Contemporaneo


Contratamos dois passeios aos sítios arqueológicos em uma das inúmeras agências de turismo da cidade; o primeiro deles, de meio dia, nos levou a Saqsayhuaman (que fica perto de Cusco e é muito bacana), Tambomachay e Q'enqo; com o segundo passeio (o mais legal), que leva um dia inteiro, fomos a Pisac (aos domingos, terças e sextas-feiras há uma feira de artesanato no vilarejo) e a Ollantaytambo - ambos de tirar o fôlego - e, no fim do dia, a Chinchero (vilarejo onde assistimos a uma demonstração da elaboração das lãs com as quais são feitas as coloridas malhas andinas).

Feira de Artesanato de Pisac

Feira de Artesanato de Pisac

Pisac

Ollantaytambo

Ollantaytambo

Chinchero

Chinchero

Detalhe: ao contratar os passeios, deixe claro que é brasileira(o), pois o próprio funcionário da agência disse que, casos fôssemos europeus ou americanos, eles cobrariam quinze dólares e não quinze nuevos soles pelo passeio de meio dia. O outro passeio, que durou o dia todo e com o qual fomos a lugares mais distantes, custou vinte e cinco nuevos soles
.

Machu Picchu


Sobre Machu Picchu, Edna, creio que, por enquanto, o que eu tenho a dizer está aqui e aqui. O resto você verá com seus próprios olhos e, juro, não irá se arrepender.

A única ressalva é: caso você queira muito estar lá antes do local ficar cheio de turistas, terá que dormir em Aguas Calientes e pegar o ônibus cedinho para Machu Picchu. Do contrário, junto com você haverá muitas outras pessoas. No nosso caso, fomos de trem e estivemos lá no horário de maior movimento, o que, francamente, não chegou a ser ruim.

Desejo a você e a sua amiga uma excelente viagem!

P.S. As fotos deste post são minhas.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas


Talvez você tenha notado que Lost City of the Incas, livro escrito por Hiram Bingham - o americano que, em 1911, "descobriu" Machu Picchu -, anda pela minha cabeceira há um bom tempo. De fato, antes mesmo da viagem ao Peru, ele já estava lá, e, se você pensou que ele está "empacado" porque é chato ou coisa do gênero, fico feliz em dizer o contrário: Lost City of the Incas é bem legal e eu ainda não cheguei à sua última página porque a vida está, digamos, pra lá de agitada e eu, sem tempo para os meus livrinhos.

Mas, se não é possível dormir e ler simultaneamente, quando se trata de comer a história é diferente e a companhia de um livro não só é viável como também é muito bem-vinda. Hoje, enquanto percorria algumas páginas do livro de Bingham durante o almoço num restaurante do movimentado e barulhento centro de São Paulo, uma parte de mim, graças àquela mágica que as palavras têm o poder de fazer, estava num lugar bem mais agradável. O que eu estava comendo? Bom, teria que me esforçar pra lembrar, mas, se você me perguntar onde exatamente eu estava, posso mostrar:


















P.S. As fotos deste post são de Machu Picchu e foram tiradas por mim.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Machu Picchu: como chegar

Foto: Camila Guido/ Peru, Machu Picchu

Se você vai a Machu Picchu e decidiu usar o trem para chegar lá (deixando a Trilha Inca para uma próxima vez, como foi o nosso caso), saiba que é bem mais fácil do que você imagina. Aliás, é tão fácil e tão turístico que quase chega a ser frustrante.

Existe apenas uma companhia (privada) que faz a viagem de trem, a Perurail. O fato de ser um monopólio e de ser muito caro dá um certo bode, mas, vá lá, Machu Picchu compensa.


Foto: Camila Guido/ Peru, Poroy

Há quatro tipos de trens operados pela Perurail, sendo que três deles vão para Machu Picchu (para vê-los, clique aqui), e, embora o Backpacker seja o mais barato, acabamos comprando bilhetes para o Vistadome, que, além das janelas laterais, tem janelas no teto; como a paisagem andina é de tirar o fôlego, a vista panorâmica que elas proporcionam acaba sendo bem legal. Para economizar, uma dica é comprar a ida com um tipo e a volta com outro.

Há também mais de uma opção de percurso, ou melhor, de ponto de saída. Não é necessário estar em Cusco para pegar o trem, pois ele passa também por Ollantaytambo, no Vale Sagrado. Uma boa idéia é dormir em Ollantaytambo e partir para Machu Picchu de lá. Como é mais perto, acredito que o bilhete seja mais barato. Para consultar o itinerário dos quatro tipos de trens operados pela Perurail, clique aqui.

Para comprar, em Cusco, os bilhetes de trem para Machu Picchu, vá à estação de trem San Pedro (basta pegar um táxi, o meio de transporte mais eficaz e utilizado na cidade, e pedir para o taxista levá-lo até lá; a viagem custará no máximo três soles), que fica ao lado do Mercado Central, nos seguintes horários: de segunda a sexta, das cinco da manhã à uma da tarde; sábados, domingos e feriados, das cinco às nove da manhã. Comprando bilhetes de ida e volta com o Vistadome, você desembolsará mais ou menos cento e quarenta dólares.

É possível ir a Machu Picchu e voltar no mesmo dia para Cusco; ida e volta levam aproximadamente seis horas (no total) e os trens saem bem cedo. Claro que, desta forma, você estará em Machu Picchu junto com a maioria dos turistas locais, mas, se não quiser passar a noite em Aguas Calientes - a cidade mais próxima -, terá que se conformar com isso.


Foto: Carlos Soares/Peru, Aguas Calientes

A propósito, o trem de Cusco para Machu Picchu atualmente não sai de Cusco e sim de Poroy, um povoado vizinho. Um táxi de Cusco a Poroy custa em média vinte e cinco soles e o trajeto leva aproximadamente vinte minutos. Tampouco o trem chega em Machu Picchu; para ir até lá, você deve comprar bilhetes para os ônibus que ficam praticamente ao lado da estação de trem de Aguas Calientes, destino do trem que vai até Machu Picchu. Saindo da estação, atravesse a ponte e logo verá os ônibus, que partem a todo momento. Ida e volta custam catorze dólares.


Foto: Camila Guido/Peru, Estrada para Machu Picchu

Ao chegar em Aguas Calientes, você também precisará comprar o ingresso para entrar em Machu Picchu (a bilheteria fica muito perto da estação de trem e da parada dos ônibus), que custa cento e vinte e quatro soles.

P.S.1 As dicas acima são voltadas para viajantes que não recorrem a agências de viagem e turismo, já que a idéia é viajar com total independência, sem recorrer a serviços do gênero.

P.S.2 Procure comprar os bilhetes de trem com a maior antecedência possível.

P.S.3 A moeda oficial do Peru é o nuevo sol (plural = nuevos soles), que, neste post, chamei apenas de soles.