Mostrando postagens com marcador Espanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espanha. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Valença do Minho, Viana do Castelo e Tui: as três "joinhas"

Quando estive em Portugal pela primeira vez, em 2009, num roteiro que foi de Lisboa a Braga, ainda em Lisboa, enquanto eu planejava a segunda etapa da viagem, um dos donos do Travellers House me disse que Portugal tinha duas "joinhas": Valença do Minho e Viana do Castelo, ambas localizadas no Minho, no norte do país.

Considerei, então, a quantidade de dias dos quais ainda dispunha para viajar, as cidades que já estavam na minha lista de desejos, as distâncias e, no fim das contas, deixei ambas as joias para uma próxima oportunidade, que não demorou muito a chegar.

Em 2011, ao fazer o Caminho (Francês) de Santiago de Compostela e emendá-lo com um trecho ao contrário de um dos Caminhos Portugueses, tive o prazer de passar tanto por Valença do Minho quanto por Viana do Castelo, ocasião na qual pude verificar, por mim mesma, que a indicação recebida em 2009 estava corretíssima, especialmente com relação a Valença do Minho, pela qual fiquei encantada.

Valença fica na belíssima fronteira entre Portugal e Espanha, outrora países inimigos, razão pela qual, na segunda metade do século XVII, foi construída a Fortaleza de Valença, preservada até hoje e que é a grande estrela da cidade. Andar pelo seu interior, observando a agitação turística diurna, o comércio vibrante, a arquitetura e a paisagem é uma delícia.

Da fortaleza, que fica no alto de uma colina, tem-se um panorama de tirar o fôlego: o caudaloso Rio Minho (que divide os dois países), o verde espalhado por toda parte, a Ponte Rodo-Ferroviária Internacional e, do lado espanhol, a cidade de Tui, que nada mais é do que outra "joinha".

Detalhe: dá para atravessar a ponte que divide Portugal e Espanha a pé e passear em Tui, que é uma cidade medieval toda feita de pedra e com a força característica desse tipo de edificação. De lá, mais uma vista de cair o queixo: o rio, o vale verde, a ponte e a Fortaleza de Valença do Minho, sob outra perspectiva. Além de curtir o visual do entorno a partir do ponto de vista espanhol e de vagar pelas ruas da bela cidadezinha de pedra, uma vez em Tui, não deixe de entrar na Catedral de Santa Maria de Tui. Vale muito a visita.

Já Viana do Castelo, à beira-mar, é uma joia azul. Uma de suas atrações mais famosas é o Santuário do Sagrado Coração de Jesus de Santa Luzia, no Monte de Santa Luzia, cuja vista panorâmica já foi considerada pela National Geographic como a terceira mais bonita do mundo.

Além do super visual que o Monte de Santa Luzia oferece, o mar, as belas ruas de Viana do Castelo e a comida deliciosa que provei por lá (ainda lembro de um arroz de polvo que fumegava ao chegar à mesa e que estava simplesmente divino) também me cativaram. No quesito programa inusitado, uma visita ao Navio Hospital Gil Eannes, um navio museu em exposição na antiga doca comercial da cidade, tornou-se uma surpresa agradável, que eu recomendo.

Felizmente essas são joias que, apesar de já estarem na minha coleção, podem ser compartilhadas; espero que você também goste de usá-las...

Vista a partir da Fortaleza de Valença do Minho

Vista a partir da Fortaleza de Valença do Minho. Na foto, a Ponte Rodo-Ferroviária Internacional.

Comércio agitado no interior da Fortaleza de Valença

Jardim no interior da Catedral de Santa Maria de Tui

Vista da Fortaleza de Valença a partir de Tui

 Vista a partir de Tui

Vista a partir das dependências externas da Catedral de Santa Maria de Tui

Funicular que leva ao Santuário do Sagrado Coração de Jesus de Santa Luzia

Santuário do Sagrado Coração de Jesus de Santa Luzia

Santuário do Sagrado Coração de Jesus de Santa Luzia

Fim de uma cerimônia de casamento que estava sendo realizada no santuário

Fim de cerimônia e, ao fundo, um pedacinho da famosa vista panorâmica do Monte de Santa Luzia

 Navio museu Gil Eannes

Navio museu Gil Eannes

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Santiago de Compostela de bike - dicas práticas parte III

Trecho do Caminho Francês

Como eu prometi aqui, as dicas deste post tratam exclusivamente de duas questões básicas de sobrevivência: comer e dormir.

O Caminho de Santiago (Francês) conta com uma excelente estrutura para os peregrinos. Há hospedagem e alimentação para todos os gostos e bolsos. Albergues, pensões, pousadas, hotéis, campings e menus peregrinos em abundância contribuem imensamente para a tranquilidade da bicigrinação/peregrinação.

Eu e o Paulo não experimentamos muitos dos famosos albergues do Caminho mas podemos afirmar que eles são uma ótima alternativa de hospedagem, especialmente para quem está sozinho e não tem com quem dividir gastos; os albergues, sem dúvida, viabilizam a peregrinação (afinal, para fazer o percurso a pé desde Saint-Jean-Pied-de-Port, são necessários mais de trinta dias) e é maravilhoso que eles existam.

Nos albergues municipais (alguns incrivelmente estruturados, como o de Santo Domingo de la Calzada), a princípio, não se cobra pela hospedagem. Neles, o peregrino pode fazer uma contribuição voluntária no valor que escolher.

Já os albergues particulares cobram tarifas bastante acessíveis - mais baixas, inclusive, que as tarifas de hostels em geral - e podem ser mais confortáveis que os municipais.

Apesar de extremamente providenciais, os albergues apresentam algumas desvantagens que, no nosso caso, por interferirem diretamente na rotina da viagem, nos levaram a optar por outras formas de hospedagem.

Em primeiro lugar, fecham, em geral, às dez e meia da noite e, segundo relatos, após o fechamento, não há meios de entrar novamente. Para nós, que pedalávamos até oito, nove horas (era verão, demorava para escurecer e era maravilhoso pedalar enquanto a tarde caía), era muito complexo estarmos prontos para dormir às dez e meia!!!!!! Depois de "bicigrinar" o dia todo, precisávamos muito de um bom banho, um menu peregrino "harmonizado" por um vinho nacional e, para finalizar, uma caminhadinha pelos arredores para relaxar um pouco e explorar o local (essas caminhadas eram ótimas e, não raro, nos surpreendíamos com algo que estava rolando na cidade, como uma festa típica com touros de mentira em chamas correndo por uma praça).

Outro grande problema era a quantidade de pessoas alojadas num mesmo quarto; descobri que vinte pessoas dormindo equivalem a uma orquestra, cuja sinfonia me acordava por volta das duas horas da madrugada e não me deixava mais dormir.

Para quem está em busca de maior liberdade e privacidade, acampar pode ser a solução; poucos dias antes de viajar, desistimos de levar a barraca pois as informações que encontramos sobre a viabilidade de fazer o Caminho acampando não nos convenceram. Posteriormente, viemos a saber que a Eliana Garcia e o Rodrigo Telles, fundadores do sensacional Clube de Cicloturismo do Brasil e fabricantes dos alforges e equipamentos para cicloturismo Arara Una, haviam, poucos meses antes de nós, percorrido o Caminho de Santiago acampando. A seguir, duas fotos gentilmente cedidas por eles:

Foto: Rodrigo Telles

Foto: Eliana Garcia

Com relação a nós, experimentamos praticamente todos os tipos de hospedagem: albergues (poucos), pensões, pousadas e hotéis e, no cômputo geral, todos, a seu modo, corresponderam e, não raro, superaram nossas expectativas. Eu indicaria todos os lugares em que ficamos, com destaque para os seguintes:

Duques de Nájera, em Nájera: no passado, o prédio foi um palácio. Excelente recepção, conforto total e linda decoração (tivemos um surto de alegria fashion quando abrimos a porta do quarto). Vale mais do que custa.

La Puerta del Perdón, em Villafranca del Bierzo: acolhida simpática, um restaurante que não tivemos a sorte de experimentar devido ao horário em que chegamos, o melhor bolo de café da manhã de toda a viagem, quartos temáticos confortáveis e decorados com capricho. A cidade é um show à parte.

La Puerta del Perdón

Hotel Jakue, em Puente la Reina: hotel e albergue, que fica junto do hotel. Optamos pelo albergue que, para nossa surpresa, tinha quarto duplo com banheiro por um valor pra lá de camarada. O menu peregrino servido pelo hotel era, na realidade, um buffet peregrino, com pratos e sobremesas deliciosos.

Hotel La Puebla, em Burgos: excelente localização e funcionários gentis, educados e descolados. Apesar da edificação não ter muito espaço sobrando, as bicicletas foram excepcionalmente bem recebidas.

Em nenhum momento, tanto ao longo do Caminho Francês quanto do Caminho Português, tivemos problemas com as bikes; mesmo em cidades maiores, como Burgos, León, Santiago, Porto, onde há menos espaço disponível nos hotéis, as bicicletas foram bem acolhidas (foram acomodadas em escadarias, saguões, depósitos etc., numa boa). Perguntávamos se elas eram aceitas e, imediatamente, ouvíamos um "sim".

Burgos

León

Santiago de Compostela

Porto

No quesito alimentação, o Caminho Francês é uma maravilha gastronômica. Os menus peregrinos, compostos por cesta de pães, uma garrafa de água, outra de vinho, entrada, prato principal e sobremesa, são uma boa demonstração da culinária local, consistente em pratos formulados com frutos do mar, pescados como truta e bacalhau, legumes e verduras frescos e saborosos, carne de carneiro, entre outros. Os pratos variam à medida que se muda de região e que se aproxima de Santiago. O preço também é variável: entre nove e treze euros por pessoa (o mais comum eram dez euros), valor que, inclusive, é bastante inferior ao dos menus turísticos existentes em algumas cidades da Europa, os quais, a propósito, não costumam incluir bebida.

Em León, não deixe de visitar o delicioso Café Gotico, cujo menu peregrino vegetariano contém pratos mais elaborados e muito bem preparados, além de vinho de qualidade um pouco superior.

Para comemorar a chegada em Santiago, corra para A Taberna do Bispo. Ambiente alto astral e tapas INESQUECÍVEIS. E, em se tratando de menu peregrino, o da Casa Camilo tem opções com frutos do mar que são de comer rezando. As mesas do pequeno terraço são excelentes para curtir o movimento da agitada Santiago.

P.S. Fotos Camila Guido e Pepê Esteves (com exceção, claro, das fotografias cedidas por Eliana Garcia e Rodrigo Telles).

terça-feira, 13 de março de 2012

Santiago de Compostela de bike - dicas práticas parte II

 Trecho do Caminho Francês

Uma dúvida bastante frequente diz respeito ao transporte da bicicleta no avião.

É necessário desmontar algumas peças da bike e embalá-la, seja num mala bike, seja de alguma outra forma. Nós sempre despachamos as bicicletas nos seus respectivos malas bike (que, depois de usados, ficam dobrados dentro de uma bolsa e são transportados conosco durante todo o percurso) e já fizemos vários experimentos para tentar aumentar a proteção durante o transporte, utilizando recursos como papelão, plástico bolha etc. Mesmo assim, o quadro da bike do Paulo, a Enterprise, já chegou a sofrer uma leve avaria, numa outra ocasião. Importante: quando se trata de transporte aéreo, esvazie um pouco os pneus da bicicleta pois, caso estejam cheios, a pressão poderá fazer com que estourem.

Por essas e outras, pensando no bem estar de El Diablo e da Enterprise, optamos pela Iberia, que, conforme informações, tinha caixas de papelão próprias para transporte de bike (segundo as mesmas informações, a KLM também dispunha das tais caixas).

No geral, foi tudo tranquilo: na ida (São Paulo – Madri), ao realizar o check-in, pedimos as caixas, pagamos o valor esdrúxulo cobrado por elas (já estávamos psicologicamente preparados e já tínhamos conversado sobre o assunto) e ficamos felizes ao ver as bicis encaixotadas.

Na volta (Porto – Madri – São Paulo) não tivemos a mesma sorte, pois a companhia aérea não tinha caixas disponíveis para as bicicletas. Aliás, a princípio, a funcionária da Iberia queria cobrar um adicional de muitos euros por elas. Alguma conversa depois, uma ligação dela para alguém e tudo se esclareceu: era um equívoco e, claro, não foi necessário pagar nada.

Vale registrar que, em alguns outros aspectos, a Iberia também não foi muito legal. Foi bem chato, por exemplo, o mega atraso da tripulação para chegar ao aeroporto na ida (mais de uma hora) e o super atraso na decolagem na volta (passageiros embarcados e manutenção do avião sendo feita na pista, por mais de uma hora). O curioso é que eu já havia utilizado a Iberia e tinha tido uma boa impressão da companhia. Talvez tenham sido problemas isolados, mas confesso que não pretendo tirar a teima.

Ainda sobre transporte, se você pretende sair de algum ponto da Europa diferente de Saint-Jean-Pied-de-Port ou ir para outro lugar depois de chegar a Santiago sem utilizar a bicicleta, fique atento: há trens nos quais a bike não é permitida e eu aposto duas cervejas como a imagem de um trem foi a primeira coisa que veio à sua cabeça quando você teve essa ideia. Acertei? :)

Descobrimos isso enquanto planejávamos a viagem, já que a proposta inicial era começar nossa bicigrinação em Lourdes e não em Saint-Jean. Assim, ao chegar, iríamos de Madri a Lourdes de trem. Ao simular a compra dos bilhetes pela internet, havia símbolos de bicicleta em alguns trechos do percurso e em outros não. Para descobrir o que significava aquilo, recorremos ao Bicigrino e a resposta foi: “nos trens de larga distância da Espanha não são admitidas bicicletas”. Moral da história: ao planejar o roteiro, verifique, antes, a sua viabilidade, para evitar surpresas desagradáveis.

Aproveitando que o tema em destaque nestas dicas práticas é a locomoção, vale deixar registrado que o Caminho Francês é muito bem sinalizado. Claro que mapas e guias ajudam bastante, mas a sinalização do Caminho, frequente e bem aparente, é praticamente suficiente para guiar os bicigrinos/peregrinos. 
  
Trecho do Caminho Francês

Trecho do Caminho Francês

Trecho do Caminho Francês

Buen Camino e continue conosco; nas dicas práticas parte III, um tema que interessa a todos: comer e dormir. Aguarde!

P.S.1 A seguir, mais algumas fotos de trechos do Caminho Francês, só pra dar um pouquinho de água na boca e aumentar a expectativa da viagem.










P.S. 2 Mais sobre trens na Europa, aqui.

P.S.3 Fotos: Pepê Esteves e Camila Guido.

domingo, 11 de março de 2012

Santiago de Compostela de bike - dicas práticas parte I

Trecho do Caminho Francês

Como eu disse aqui, as cicloviagens têm sido uma constante na minha vida e o Caminho de Santiago de Compostela, que eu imaginava um dia fazer a pé, foi, talvez, a mais maravilhosa dessas experiências sobre rodas movidas a energia humana.

Pensando em cumprir o que prometi ao Ari e ao Luciano, companheiros de pedal de Londrina, aí vão algumas dicas e impressões sobre a viagem que eu e o Paulo fizemos em julho de 2011.

Trecho do Caminho Francês

Para começar, há vários caminhos que levam a Santiago de Compostela. A escolha de um deles, bem como do ponto de início da jornada, dependerá do desejo e da disponibilidade de cada um. Nós fizemos o chamado Caminho Francês, tido como o mais tradicional, e iniciamos a bicigrinação em Saint-Jean-Pied-de-Port.  Depois de alcançar Santiago, pedalamos até o Porto, percorrendo também um trecho de um dos Caminhos Portugueses, porém ao contrário.

O primeiro passo foi buscar informações na internet e comprar um guia de viagem. Após uma pesquisa e algumas dúvidas, optamos pelo El Camino de Santiago en tu mochila, de Antón Pombo. Apesar de não ser diretamente voltado aos cicloturistas, o guia traz várias dicas para quem vai percorrer o Caminho de bicicleta, como avisos relativos a trechos onde a bike fica meio inviável em função do terreno. Outros fatores que nos levaram a escolher o guia do Antón Pombo foram o seu peso e tamanho (que compensam o fato da encadernação não ser em espiral). Além disso, os comentários do autor sobre os “atentados” ao Caminho são um show à parte; Pombo é tão fiel e entusiasmado que faz questão de marcar aqueles desvios e construções que são tidos por ele como violações ao Caminho. No final da viagem, estávamos de pleno acordo com suas observações e felizes com a integridade de seus comentários.

Para nos ajudar no percurso de Portugal, utilizamos o El Camino de Santiago Portugués, da El Pais Aguilar, comprado numa livraria de Santiago de Compostela

Outro guia bacana para os peregrinos en bici e que pode ser obtido gratuitamente pela internet é o Passaporte Bicigrin@, que também pode ser adquirido em versão impressa e encadernada de forma bem prática e compacta. Nós o compramos na ACACS-SP – Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, no dia em que fomos até lá para entregar os formulários da credencial preenchidos e obter nossas Credenciais do Peregrino (um dos itens fundamentais para a realização da viagem).

Vale lembrar que eu e o Paulo moramos em São Paulo, onde está localizada a ACACS-SP; se você mora em outros Estados do Brasil, faça uma pesquisa no site da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho de Santiago para saber qual é o melhor local para obter a sua Credencial do Peregrino.

Aproveitando a menção à ACACS-SP, a Associação promove palestras sobre o Caminho, algumas em parceria com a Mundo Terra (que, até junho do ano passado, dava desconto para peregrinos nas compras realizadas em suas lojas).

Escolhido o ponto de partida do Caminho, surge a questão do transporte da bicicleta até o local de início da bicigrinação. No nosso caso, desembarcamos em Madri e, no próprio aeroporto, pegamos um ônibus até Pamplona, onde o Juan Gonzalez, um taxista mais que especial, já nos aguardava.

Tanto a passagem de ônibus quanto o transporte de táxi de Pamplona a Saint-Jean-Pied-de-Port já estavam okay antes da nossa chegada.

Compramos a passagem de ônibus pela internet, no site da ALSA. Detalhe: ao realizar a compra, na página de escolha dos assentos, marque a opção Bicicleta em Servicios Adicionales (atualmente, são cobrados dez euros pelo transporte da bicicleta). A compra teve que ser realizada pelo PayPal.

Quanto ao táxi, obtivemos o contato do Juan com um taxista indicado no Passaporte Bicigrin@; como ele não poderia nos levar, sugeriu que escrevêssemos para o Juan, cujo e-mail é icaro111@ozu.es. Deu certo e, no dia e hora combinados, lá estava ele, com sua vã suficientemente grande para transportar duas bicicletas embaladas nos respectivos malas bike, dois ciclistas e seus respectivos pertences.

Durante o percurso, o Juan, sempre sorrindo, nos explicou e contou mil histórias, deu dicas sobre o Caminho, colocou-se à disposição para resolver qualquer problema que tivéssemos ao longo da viagem e pediu para que escrevêssemos assim que chegássemos ao Brasil, para dizer que estávamos bem. Além disso, nos deu a mais preciosa das dicas: “que tal parar em Roncesvalles e deixar a maior parte das nossas coisas lá, na Posada de Roncesvalles”? Explico:

Roncesvalles, nosso destino no dia seguinte, fica entre Pamplona e Saint-Jean-Pied-de-Port (o carro segue por uma estrada diferente daquela por onde viajam os peregrinos), ponto inicial da nossa bicigrinação. De Saint-Jean a Roncesvalles, a ascensão é de aproximadamente mil metros em vinte e oito quilômetros. Ou seja, no dia seguinte, teríamos não uma subida, mas um paredão pela frente. Acatamos a sugestão do Juan e deixamos algumas coisas em Roncesvalles. Sugiro, meu caro bicigrino, que, sendo possível, você deixe não algumas, mas quase todas as suas coisas lá. Leve só o essencial e não subestime os Pireneus!

Trecho do Caminho Francês: Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles

Ao chegar em Saint-Jean, por volta das onze e meia da noite, Danièle, a dona do Auberg du Pèlerin, o excelente e mais que recomendável albergue que tínhamos reservado, já nos aguardava na porta. Como havíamos dito que chegaríamos por volta desse horário e que estávamos preocupados com o barulho que inevitavelmente faríamos, ela, além de ficar nos esperando, nos alojou num quarto coletivo, porém vazio. Ou seja, éramos os únicos ocupantes da habitação e não atrapalhamos os peregrinos que já estavam dormindo. No dia seguinte, depois do ótimo café da manhã, desembalamos e montamos as bikes no quintal do albergue, com toda a tranquilidade do planeta, e demos início ao nosso pedal peregrino.

O restante do nosso Caminho (incluindo outros aspectos práticos) você acompanhará nos posts que estão por vir e, não é por nada não, mas vale a pena nos acompanhar!

P.S. Fotos: Pepê Esteves e Camila Guido.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Requisitos para entrada na Espanha

Depois das diversas notícias sobre brasileiros que foram barrados por funcionários da imigração na Espanha, quem vai para a Europa sabendo que fará a imigração por lá acaba ficando com um certo receio. Foi o meu caso.

Ao comprar a passagem, a Iberia tinha o melhor preço e aí, adivinhe, economizei dinheiro e ganhei mais uma preocupação, pois a escala do meu voo de São Paulo para Düsseldorf, em junho passado, era justamente em Madri, o pesadelo dos brasileiros.

Embora eu tivesse todos os comprovantes que demonstravam que eu estava fazendo turismo, fiquei apreensiva até o último momento, quando o funcionário da imigração, por volta das seis da manhã de uma sexta-feira, após levantar os olhos de relance pra mim, abrir meu passaporte e carimbá-lo, me dispensou sem pedir um documento sequer! Passagem aérea, hospedagem, perguntas, nada (bem diferente de Londres, outro lugar que inspira cautelas, onde fui sabatinada pelos funcionários da imigração nas duas vezes em que estive lá). Melhor assim.

De qualquer forma, para ficar tranquilo e não colocar a viagem em risco, procure sair do Brasil com todos os comprovantes necessários. No caso da Espanha, a Regina, amiga que há pouco havia voltado de lá, me deu a dica, dizendo para que eu consultasse o site do
Consulado-Geral do Brasil em Madri, onde estão listados os requisitos para entrada no país.

Para quem vai ficar, na Espanha, na casa de um amigo ou parente, é importante observar que a carta-convite exigida é mais complicadinha que o normal. Para consultar a norma que a regulamenta, clique
aqui.